Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

BAEP: A legitimação das mortes pela polícia no interior de São Paulo a mando de João Doria

sexta-feira 18 de outubro| Edição do dia

Imagem: Oswaldo Corneti/Fotos Públicas

A criação do BAEP (Batalhão de Ações Especiais da Polícia) foi uma das promessas de campanha do governador Joao Doria, em sua campanha alinhada a Bolsonaro, o famoso Bolsodoria do qual agora ele tenta timidamente se desvincular. O BAEP é conhecido – conforme palavras do próprio João Doria – por ser um agrupamento “Padrão Rota”, esta que por sua vez é considerada a tropa mais letal que conforma a PM paulista, com histórico de violência que data desde a ditadura militar até os dias de hoje.

No início da gestão o governador anunciou a criação de 22 unidades destes batalhões e hoje passados 10 meses já foram entregues 6 deles. Isso é uma mostra da assiduidade do governador para disputar a pauta da “segurança pública” com o bolsonarismo e aumentar a repressão no Estado.

Somente na última semana, a unidade do BAEP de São José do Rio Preto, já soma 10 mortes em menos de 5 dias, em ações que aconteceram nos dias 7 e 12 de outubro e que deixaram 4 e 6 mortos, respectivamente.

Não é casual Doria utilizar o discurso “padrão rota” quando se refere a estes batalhões. A mensagem implícita que deixa é que está implementando uma polícia “que pode matar”, que é como é conhecida esta tropa no Estado de São Paulo, assim como sua análoga no Rio de Janeiro, o Bope.

A população pobre e negra conhece bem como atuam todas as polícias nas periferias e comunidades. Segundo dados publicados pelo Ponte (ponte.org), desde a posse de Doria a polícia paulista tem registrado aumento no número de mortos. Um a cada três homicídios registrados no estado neste período tem policias - civis ou militares - como autores. Das 1392 mortes intencionais ocorridas, 426 foram pelas mãos da polícia. Partindo de dados como estes, é alarmante pensar que temos um governador que busca legitimar a letalidade policial a partir de tropas “padrão rota”; como que se o que já vivemos cotidianamente fosse pouco.

Vimos alarmados o brutal assassinato da menina Aghata no Rio de Janeiro com um tiro de fuzil, o músico e pai de família Evaldo ser assassinado e ter o carro alvejado por militares, o menino Kaue de 12 anos assassinado durante operação policial no Chapadão, Victor Almeida de 7 anos, morto a tiros dentro da sua casa, Kauã Rozario, Kauan Peixoto, Jenifer Silene Gomes, o ambulante Rodinei dos Reis, assassinado pela Guarda Civil em Itapecerica da Serra...todos assassinados pela repressão estatal.

A luta contra o racismo e a violência policial, passa por combater também os ataques de Doria e Bolsonaro vem aplicando a classe trabalhadora de conjunto. Não podemos cair no conto de que a violência discursiva de Bolsonaro é apenas “cortina de fumaça”, pois é a partir de discursos como estes que se legitimam políticas repressivas como as que Doria vem implementando no interior do estado de São Paulo. Basta que sejam as mães, pais, avós, irmãos da classe trabalhadora a rezarem as velas pelas mortes de seus entes queridos, é necessário dar respostas desde os sindicatos, organizações de bairro, grêmios estudantis e organismos de direitos humanos.




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