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SAÚDE

Avançam os cortes e privatizações na saúde pública. Os trabalhadores e estudantes da saúde podem dar uma saída

Não é de hoje que os empresários vinculados à área médica e farmacêutica veem na saúde um nicho de mercado lucrativo. Antes mesmo da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) pela Constituição de 1988, com a crise da Previdência Social e, consequentemente, do Instituto Nacional de Assistência Médica ligado à ela (INAMPS), inúmeras vozes ecoaram em defesa da privatização da saúde, fortalecidos pela retórica neoliberal da inviabilidade de um sistema previdenciário e de saúde deficitário.

Gilson Dantas

Brasília

Babi Dellatorre

Diretora do SINTUSP

quinta-feira 23 de junho de 2016| Edição do dia

A garantia de um Sistema Único de Saúde pela Constituição de 1988, ainda que represente um avanço com relação a garantia da saúde como direito de todos, não estabelece que esse dever se restrinja somente ao Estado, permitindo a entrada cada vez maior de elementos privatizantes na saúde pública.

Hoje, 28 anos depois de instituído o SUS, é evidente o estrago que a política de sucateamento do seu caráter público pelos governos caminhou lado a lado com o fortalecimento dos planos de saúde e das atuações de Organizações Sociais e Fundações de Direito Privado. O número de pessoas que possuem plano de saúde privado já chega a 37% no Sudeste e a quantidade de centros de referência, postos de atendimento e hospitais que passaram para a gestão de uma Organização Social (órgão não-governamental que recebe verba pública destinada ao SUS para gerir aparelhos de saúde) está a perder de vista.

A brecha aberta pela Constituição de 1988 em relação ao SUS virou regra e este se transformou em um “plano de saúde estatal” falido e excludente. Nos últimos anos os governos avançaram sobre os Hospitais Universitários. Em nível federal todos os HU’s das Universidades foram desvinculados e passados para administração direta da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSerH). No Estado de São Paulo, o Reitor da USP tem tentado desvincular o HU para a gestão da Fundação Faculdade de Medicina (FFM) ligada aos professores da própria burocracia universitária.

É contra a tentativa destes Reitores e médicos-empresários de vender o aparelho público de saúde para si próprios e lucrar com o referenciamento e o privilégio de atendimento para convênios de saúde privados que os trabalhadores e estudantes da USP, com os funcionários do HU e estudantes da área de saúde à frente, se levantaram e fazem hoje uma forte greve em defesa de contratação imediata para a manutenção do Hospital da USP e voltado aos interesses da população na defesa do controle dos funcionários e usuários sobre todo o sistema público.

Uma mostra do potencial dessa aliança com a população foi o ato de doação de sangue dessa semana, na qual os trabalhadores e estudantes denunciaram para a população que enquanto o Reitor Zago fecha leitos, somos nós que damos o sangue em defesa da saúde




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