Gênero e sexualidade

8º ENCONTRO DE MULHERES TRABALHADORAS DA USP

Avança a organização das trabalhadoras na USP

No fim de semana passado, entre os dias 9 e 10 de dezembro, a Secretaria de Mulheres do Sintusp promoveu o 8º Encontro de Mulheres da USP.

sexta-feira 15 de dezembro de 2017| Edição do dia

Num ano marcado por duros ataques dentro e fora da USP as mulheres da trabalhadoras marcaram presença no 8º Encontro de Mulheres e mostraram disposição de luta frente aos desafios à classe trabalhadora.

Um ano marcado por lutas

No dia 7 de março, dia em que o Conselho Universitário da USP se reuniu para votar os “Parâmetros de sustentabilidade”, um pacote de ataques que ficou conhecido como “PEC do Fim da USP”, pois congela as contratações, prevê arrocho salarial e demissões, as mulheres foram linha de frente da manifestação em frente à reitoria e sofreram duríssima repressão por parte da PM a mando do reitor Marco Antônio Zago. No melhor espírito do lema “Não tem arrego” entoado na greve de 2014 pelos trabalhadores da USP, inspirados nos garis do Rio de Janeiro, no dia 8 de março as mulheres da USP se incorporaram ao chamado de Paralisação Internacional de Mulheres e realizaram um ato, que reuniu mais de 200 mulheres na Rua Alvarenga, na entrada principal da USP. Foram também linha de frente nas greves gerais dos dias 28/4 e 30/6 e na Marcha à Brasília. Desde o início do ano funcionárias e estudantes também foram protagonistas da luta em defesa das creches da USP e contra o fechamento da creche Oeste.

Em cada batalha nos locais de trabalho, contra o desmonte da universidade e os ataques aos trabalhadores de conjunto, as mulheres estiveram presentes, na linha de frente das lutas. A Secretaria de Mulheres do Sintusp, fundada há 8 anos, parte da tradição de luta das trabalhadores de todo o mundo para avançar no classismo no sindicato e na categoria e como uma ferramenta de luta das mulheres trabalhadoras, efetivas e terceirizadas, em defesa dos seus direitos.

O Encontro

Este ano, a Secretaria de Mulheres apostou em um novo formato para o encontro. Sobre a maioria absoluta das mulheres recaem as obrigações domésticas e o cuidado dos filhos. Para sair da rotina e aprofundar os laços de solidariedades entre as trabalhadoras, neste ano foi realizado o encontro em um acampamento durante o fim de semana. Fugir da rotina, descansar o corpo e imergir na discussão política foram as tarefas desse final de semana. Um debate inicial, sobre a saúde mental da mulher trabalhadora e as opressões que nos cercam foi organizado pela psicóloga e uma das mães lutadoras pelas creches da USP, Marcela Peters.
Em seguida as mulheres se reuniram para debater a conjuntura nacional, os ataques do governo golpista de Temer, as reformas trabalhista e da previdência e a lei da terceirização e a situação na USP frente aos ataques da reitoria pela gestão Zago-Vahan com as debatedoras Marcela Azevedo, da CSP-Conlutas e Patricia Galvão, da Secretaria de Mulheres. Nesse debate as mulheres do plenários colocaram como enxergam os ataques e quais as tarefas para a luta na USP e no Brasil. Por fim, realizou-se um mini-curso sobre a participação das mulheres na Revolução Russa, que completou 100 anos em 1917 e deixou importantes lições, em especial sobre a luta pela emancipação das mulheres, organizado por Diana Assunção, membra da Secretaria de Mulheres e fundadora do grupo de mulheres Pão e Rosas no Brasil.

Ao final do encontro, as mulheres discutiram e votam as resoluções que colocam os principais eixos de luta. Segue abaixo as resoluções do 8º Encontro de Mulheres trabalhadoras da USP na íntegra:

NACIONAL
1) Abaixo governo golpista de Temer! Pela revogação imediata da Reforma Trabalhista e Lei da terceirização! Barrar a Reforma da previdência!
2) Aborto legal, seguro e gratuito garantido pelo SUS. Abaixo a PEC 181. Garantia de assistência à saúde em todos os sentidos às mães e crianças.
3) Pela liberdade sexual e gênero, contra a “Cura Gay”, que discrimina a orientação/opção sexual tratando-a como doença.
4) Contra o projeto Escola sem partido, por educação sexual e de gênero nas escolas
5) Abaixo a Censura às artes!
6) Contra a imposição de valores religiosos sobre o corpo e a vida das mulheres e LGTBs. Por um Estado laico de fato!

USP GERAL
7) Abaixo as gestões de Zago e Vahan. Em defesa da educação, contra o desmonte da prefeitura, bandejões, Creches, Centros de Saúde da USP e Hospitais (HU e HRAC) que afetam principalmente as condições de vida, trabalho e estudo das mulheres. Arrocho, não! Contratação de efetivos, já!
8) TODO APOIO À LUTA DOS ESTUDANTES EM DEFEFSA DO HU! Contra o fechamento do PS infantil e adulto, que atinge principalmente as mães estudantes trabalhadoras e a população. Contração imediata de funcionários via USP. Pela manutenção do HU como hospital escola sob responsabilidade financeiro e didática da USP, pois é de fundamental importância na formação dos estudantes, na pesquisa e na extensão à população.
9) Pela manutenção do projeto de creches da USP. Pela reabertura das creches da Oeste, já determinado pela justiça. Pela manutenção das creches central e saúde. Pela efetivação imediata dos funcionários terceirizados da Fundação atuantes na creche saúde e manutenção das vagas para as famílias já matriculadas. Pela reabertura da creche do HU e incorporação a divisão de creches. Pela reposição do quadro de funcionários de todas as creches através de contratação de efetivos, com o funcionamento em suas capacidades totais. Pela permanência das crianças já matriculadas e abertura regular de vagas para 2018.
Ampliação e abertura de vagas nas creches de acordo com a demanda para atender todos os filhos dos trabalhadores efetivos e terceirizados e estudantes da USP para garantir o direito à educação e amamentação da criança e os direitos dos pais ao trabalho e estudo. Contratação de funcionários efetivos já!
10) Pela garantia ao direito à amamentação, em repúdio à determinação da reitoria na aplicação da reforma trabalhista que aprofunda o desrespeito às preconizações da saúde em relação à amamentação e à relação mãe-bebê e o desrespeito à necessidade de creche nos locais de trabalho. Pela manutenção do intervalo intrajornada para amamentação de acordo com as necessidades da criança e da mulher.
11) Licença maternidade até os 6 meses de idade da criança.
12) Contra o desmonte da escola de aplicação. Pela contratação de funcionários efetivos e não temporários precários e efetivação dos professores temporários já contratados. Revitalização de sua estrutura. Pela garantia da merenda escolar para as crianças.
13) Contra o racismo institucional da USP.
14) Pela desvinculação entre as cotas sociais e étnico raciais. Pela manutenção das cotas sociais. E pela implementação de cotas étnicos-raciais proporcionais aplicadas de acordo com a totalidade de vagas. Pela derrubada do vestibular! Por políticas de permanência estudantil a todos que necessitarem. A mulher negra também tem direito de estudar!
15) Abaixo a violência e perseguição da Reitoria e da PM aos trabalhadores e trabalhadoras que lutam! Repudiamos a ação repressiva da PM a mando da reitoria no dia 7 de março de 2017.
16) Fim da terceirização e do trabalho precário. Efetivação imediata sem concurso público. Igual trabalho, iguais direitos e igual salário (Direito às creches, ao BUSP, ao HU e todos os benefícios sociais). Pelo direito à acompanhamento médico sem desconto de salário) inclusive a extensão da licença maternidade de 6 meses às trabalhadoras terceirizadas.
17) USP Mulheres: a ONU, as empresas privadas e a reitoria não representam as mulheres da USP. Pela organização independente das mulheres na defesa de seus direitos e condições de vida.
18) Acesso garantido ao exame Papanicolau e exames preventivos para as mulheres que assim os solicitarem.
19) Direito a se ausentarem do trabalho (incluindo afastamento e licença médica como acompanhante) para mães e pais com filhos e dependentes familiares doentes sem compensação de horas ou desconto do salário e benefícios pelo número de vezes que forem necessários.
20) Direito para mães e pais de se ausentarem para acompanhar a vida escolar de seus filhos sem compensação de horas ou desconto do salário e benefícios pelo número de vezes que forem necessários.
21) Combate ao racismo, ao assédio moral e sexual nas Unidades da USP. Abaixo o Racismo, a Homofobia, o Machismo e a Transfobia. Respeito ao nome social e à circulação de mulheres e homens trans em todos os espaços da Universidade.
22) Repúdio ao funcionamento institucional da USP que se isenta, permite ou reproduz violências contra a mulher e de gênero. Manutenção e reconhecimento das atribuições da comissão paritária de mulheres das três categorias para acompanhamento e apuração dos casos de violência.
23) Contra a implementação da Reforma trabalhista na USP. Afastamento de gestantes e lactantes dos locais insalubres em qualquer grau durante a gravidez e lactação sem a necessidade de atestado médico.

PLANO DE LUTAS
24) Por uma greve internacional de mulheres (Chamado internacional do Ni Una Menos Argentina). Que no 8 de março trabalhadoras e trabalhadores paralisem pelas demandas das mulheres!
25) Seminário de formação de combate ao machismo oferecido ao CDBs e à categoria.
26) Implementar atividades nas unidades relacionadas as opressões e questões das mulheres
27) Aprofundar a unidade com as estudantes na luta contra o machismo e os ataques da universidade que afetam principalmente às mulheres




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