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Avança a instalação da Constituinte; anticapitalistas denunciam mecanismos antidemocráticos.

Iniciam os trabalhos da Assembleia Constituinte da Cidade do México. Os coordenadores dos partidos políticos acordaram sobre a comissão que regulamentará a intervenção dos 100 constituintes.

quarta-feira 21 de setembro| Edição do dia

Iniciam-se os trabalhos da Assembleia Constituinte da Cidade do México. Depois de sua instalação em 15 de setembro passado, os coordenadores dos partidos políticos acordaram entre eles a conformação da comissão que definirá as regras com as quais trabalharam os 100 constituintes.

Integraram esta comissão de 12 deputador, um representante de cada partido politico, no entanto que Morena terá dois, em "reconhecimento" a votação obtida em 5 de junho passado. Também será parte da mesma o deputado independente Ismael Figueroa ( dirigente do sindicato dos bombeiros), e outros dois que representem os 12 constituintes nomeados por Miguél Ángel Mancera e Enrique Peña Nieto.

Foi definido também o lugar que ocupará no recinto os constituintes definidos previamente a dedo pelo chefe de governo e o presidente: será nas primeiras filas.

Assim mesmo, se afirmou que a Câmara dos Deputados designará o deputado número 100, cadeira que se encontra vazia devido ao declínio de Morena ao seu lugar dentro dos 14 constituintes eleitos a "dedo" pelos legisladores.

Escasso interesse da população da Cidade do México(Cdmx)

A instalação da Constituinte passou despercebida para a população da Cidade do México. Depois das últimas eleições, quando os partidos políticos difundiram propostas como promessa afim de atrair o apoio popular - aproveitando-se da clara vantagem em recursos públicos e espaços de radio e televisão sobre os 21 candidatos independentes, pouco voltou a se escutar a respeito a essas promessas de campanha.

Tudo indica que esta constituinte- que a esquerda denunciou como arranjada, ao ser eleito 40 dos 100 deputados a "dedo"- pretende aprovar um projeto que nem sequer será conhecido pela grande maioria e que Mancera apresentou faz poucos dias.

Se trata de uma Constituição acordada no "escuro", com quase a metade dos deputados eleitos pelo governo federal, da Cdmx, e pelo Congresso da União, e sem nenhuma possibilidade de que se escutem as demandas populares. Desta forma, as eleições de 5 de junho e o processo atual são uma fachada "democrática", para decidir de forma profundamente antidemocrática a nova Constituição. ­­

" Decidem tudo pelas costas dos trabalhadores e da população"

Sergio Méndez Moissem, que encabeçou a chapa #5Anticapitalista na Constituinte junto a professora Sulem Estrada, foi entrevistado pelo Esquerda Diário.

"Fizeram de tudo para que a Constituinte responda a seus interesses e deixar de fora da mesma as demandas dos milhões que movem dia-a-dia esta cidade. E agora eles mesmos, sem nenhuma ingerência popular, ditam as regras com as quais trabalhar e até decidem quem ocupa os lugares vazios na Constituinte", disse Moissen.

"Como dissemos durante a campanha, se trata de uma Constituinte profundamente arranjada. Agra Mancera aprensentou um projeto para fazer a cidade que ele e Peña Nieto querem, uma cidade "amigável" mais para os grandes negócios capitalistas, que persegue e reprime os que lutam, como os professores que resistem a reforma educacional ou os trabalhadores do IEMS que estão em luta.

É evidente que não interessa a eles minimamente que os trabalhadores e setores populares da cidade façam parte da discussão e decidam que cidade querem. E que elegeriam o contrário do que eles querem nos impor: uma cidade a serviço dos trabalhadores, mulheres e juventude."

Moissen se dirigiu aos milhares que votaram a primeira candidatura anticapitalista em décadas: "Junto a minha companheira Sulem Estrada, professora e lutadora contra a reforma da educação, e desde o Movimento dos Trabalhadores Socialistas, organização que integro orgulhosamente e que impulsionou esta candidatura, queremos fazer uma chamado: Aos mais de 11.000 trabalhadores, jovens e mulheres que votaram em nós e em particular as centenas se somaram a nossa campanha, àqueles com quem compartilhamos dia-a-dia a luta contra as reformas estruturais, contra o ataque a educação, os direitos dos trabalhadores, as mulheres e juventude. Queremos convidar a juntarem-se ao MTS e se organizar junto a nós, porque é fundamental construir uma grande organização, socialista e revolucionária, que lute contra o governo e este regime político profundamente anti-democrático e inimigo das demandas da grande maioria."




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