Educação

PRIVILÉGIOS DO JUDICIÁRIO E PRECARIEDADE DA EDUCAÇÃO

Auxílio moradia que Bretas recebe em dobro equivale à bolsa de dez estudantes da UERJ

Isabela Santos

Estudante de Serviço Social da UERJ

segunda-feira 29 de janeiro| Edição do dia

Os juízes brasileiros desfrutam de privilégios jamais sonhados para um trabalhador comum. Além, é claro, de não serem eleitos por ninguém e agora decidirem até quem pode ou não se candidatar, fazendo um suposto "combate à corrupção" pra lá de seletivo.

Aqui no Rio de Janeiro, enquanto isso, os servidores públicos e a população em geral amargam duros ataques a cada direito social conquistado com muita luta. A UERJ que o diga: apenas com muita luta ainda conseguimos manter a universidade funcionando, e muito precariamente. Salários e bolsas atrasadas, bandejão fechado por meses, falta de infraestrutura total.

Isso não é à toa: a UERJ representa o oposto dos juízes. Eles são parte da casta mais privilegiada do Estado, recebendo muito dinheiro e poder para fazer o trabalho sujo de manter cada coisa no lugar dessa sociedade de desigualdade e miséria que é o Estado capitalista brasileiro. Do outro lado estão estudantes cotistas, negros, trabalhadores, moradores das favelas e da baixada fluminense, que lutam para conseguir o direito elementar à educação.

E a diferença entre os direitos que esse Estado garante para uns e outros é muito gráfica: os juízes, entre muitas e muitas regalias, recebem um "auxílio-moradia" de R$ 4 mil reais. São muitos outros auxílios, além do salário de cinco dígitos, muitas férias e tudo o que um parasita como esse pode querer. Enquanto isso, um estudante da UERJ recebe - quando recebe e não sofre os atrasos de meses impostos pelo governo e ratificados pelo judiciário também - para pagar por todos os custos de seus estudos, como transporte, xerox, alimentação, uma bolsa de R$ 450 (agora vai para R$ 500). Esse é o "auxílio" do Estado para quem luta para conseguir se formar.

E Marcelo Bretas mostra que nenhum privilégio é suficiente para sua sede de tomar o dinheiro público para financiar sua luxuosa vida: ele entrou na justiça para que ele e a esposa pudessem continuar recebendo o valor de dois auxílios, mesmo morando na mesma casa. O juiz considera que R$ 4 mil não é suficiente, mas que o casal precisa de R$ 8 mil reais para poder "morar bem".

Enquanto isso, os estudantes da UERJ, muitos dos quais moram nas condições extremamente precárias das favelas ou a dezenas de quilômetros de distância da faculdade nos municípios da baixada, receberão 16 vezes menos do que isso (contando o valor reajustado da bolsa) para pagar todos os custos dos seus estudos. E com parasitas como o Bretas decidindo, julgando, arbitrando sobre nossas vidas. Sendo responsáveis pelo encarceramento de milhares de jovens negros inocentes como Rafael Braga, como tantos estudantes da UERJ. Por deixar soltos tantos políticos corruptos que se alimentam do dinheiro público, enquanto prende outros sem prova para dizer em quem podemos ou não votar. Por isso dizemos que nós não podemos ter nenhuma confiança nesse judiciário.




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