Educação

PRIVILÉGIOS

Auxílio moradia de juízes cresce enquanto o auxílio à pesquisa é cortado da população

Na tarde de ontem, a CAPES anunciou o corte de todas as bolsas de pós-graduação no país, os recursos destinados ao MEC, que este ano foi de 23,6 bilhões, receberá um corte de quase 3 Bi para 2019, chegando à 20,8 bilhões, fruto da Lei do Teto de Gastos, aprovada pelo governo golpista de Temer no final de 2016. Enquanto isso, os gastos com auxílio-moradia para juízes pode atingir quase 1 bilhão neste ano.

sexta-feira 3 de agosto| Edição do dia

Enquanto 17 mil juízes e desembargadores recebem auxílio-moradia - mesmo que o piso salarial seja de 27 mil, podendo chegar até a 100 mil até o fim da carreira - quase 200 mil pessoas podem perder seus benefícios com o corte anunciado ontem pela CAPES. Dentre os privilegiados com o absurdo auxílio-moradia, apenas 7% recusam o benefício, enquanto milhares de estudantes deixam de fazer suas pesquisas por falta de estímulo e suporte financeiro.

Em 2015, o orçamento da CAPES era de 7 bilhões e desde então veio sofrendo sucessivos cortes, neste ano o valor aprovado foi de 3,94 bilhões, sendo que destes, 1,95 bilhões já foram gastos. Depois da suspensão do Ciência Sem Fronteiras, principal responsável por esta queda, agora o auxílio à pós-graduação vai ser cortado para 2019.

Além disso, outras agências também estão sofrendo com o congelamento de gastos, de 2015 à 2018, a CNPq sofreu um corte orçamentário de 25%. A PEC 55, conhecida não por acaso como PEC do Fim do Mundo, prevê um congelamento de 20 anos em gastos de serviços chave como Saúde e Educação, e é uma forma covarde que o governo golpista encontrou, meses após o golpe institucional, para garantir que os efeitos da dura crise econômica que atravessa o país sejam descontados nas costas dos trabalhadores.

Enquanto aprova a Reforma do Ensino Médio e a BNCC no ensino básico, prevendo um sistema de educação ainda mais alienante, o governo vai além acabando com a pesquisa no nosso país, no mesmo cenário de crise, juízes que recebem salários altíssimos e possuem moradia própria mantém seus privilégios com um auxílio-moradia 10 vezes maior do que o que recebe um estudante de graduação da USP.

E é esta casta do judiciário que se vê confortável para prender de forma arbitrária o ex-presidente Lula unicamente para evitar que seja eleito como indicam as pesquisas eleitorais, enquanto avança brutalmente sobre os mais pobres, mantendo Rafael Braga preso há 5 anos por portar um Pinho sol.

Nada além da resistência nas ruas pode garantir que a qualidade do nosso ensino, pesquisa e extensão e que isso seja voltado para nossos interesses, e também é só assim avançaremos contra esse judiciário arbitrário e regado a privilégios.




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