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UNICAMP

Auditório lotado na 1ª Audiência por cotas na UNICAMP

Com mais de 600 pessoas, segue o debate histórico, fruto da grande mobilização estudantil por cotas étnico-raciais na universidade.

quinta-feira 13 de outubro| Edição do dia

Após apresentação dos convidados da mesa, têm início as intervenções por parte dos presentes no Auditório e já somam 35 inscrições, dentre as quais se destacam representantes e entidades do movimento negro, estudantil e trabalhadores.

A primeira, da Frente Pró-Cotas da UNICAMP, dá o tom de combate e resistência ao racismo estrutural, com a poesia de Akins Kintê.

DURO NÃO É CABELO

Duro sãos as
Escolas e suas
Deixas
Por tê-lo e por ser belo
O cabelo
Querem zero, ou prendelo
Eu não quero
E o barbeiro amarela
Na dele
Sem atitude sem negritude
Não entende
Crespitude
Racismo
É engodo e sequela
Engorda os de lá
E os de cá esfarela
Zelo o crespo com fulgor
Negro zela com amor
Para entendê-lo
Berro, quirela, enterro
Aquela falsa abolição
Exijo mais pente afro
Menos ferro, menos favela.
Mais terra e condição
O duro não é o cabelo
O sistema e suas brechas
Quando livre as madeixas
Naquelas
O branquela
São as escolas e suas deixas
O crespo é toda uma vida
Duro é o Genocídio
O cabelo por ser belo
A gente trata Zera desmata
O crespo na sincera
Os policiais querem guerra
Prende e mata
Ela fere ele ferra
Tipo
Fera
Descarta e destrata
Sempre voraz
Por ser belo o bêlo vai pondo
Em minha cachola
Os crimes hediondos
Guerrilhas e quilombos
Orgulho negro é calombo
Insulta o país,
Nós contamos os tombos
A estatística diz
Conta pela cota
Rotulo pela rota
Mais uma vitima morta
Duro é genocídio na birosca
Tombamos feito mosca
Não o crespo de mulher negra
Que ao natural sem regra
Meu coração se enrosca
Os tiros e atola
Supondo desbravar
Um a menos na facu
Duro não é o
Cabelo
Por ser dread cabelo
Vem ao vê-lo
O playboy não se continha
Quer farinha
Quer maconha
Quer balinha
A patricinha
Confundiu-me com tráfico
Com furto
Pela pele pelo cabelo
Compreende-los como!
Nem tento
Eu puto
Nem curto
Nesse atento não surto
Se apresento proposta
Elas sorta porque gosta
A cata de crime mesmo puto
De uma droga e gosta muito
De dia eu sou o feio
Suportando
Pela pele é mole!
Eles são pavios tão acesos
Quando não violentados
Quando não presos
Que enriquecem nossos olhares
Vazios
O sujo, o infeliz
A cadeia de olhares hostis
Duro não é o cabelo
Duro é o
Sistema
Por ser crespo
Ela meu alicerce
Não alisa,
Roube a brisa
Mulher negra
Eu sei da treta
E por ser bela
Eu dependente dela
É que o desenho,
Sempre feio
Que as pretas
Queixas pelas madeixas
Mais se encrespá-lo
Ou endredalo
Caso contrário
Entristeço adoeço
Quero ela
O cabelo enraizá-lo
E firme o elo
E o cabelo sem duelo
Sei,
Não resenho
Que nos desenham
Sempre empenham
Sempre tenham
Caso
Acasalo
Vaso
Pra mantê-lo e passá-lo
E tê-lo
Sempre macios os fios
Fuga dos retintos
Duro não é o cabelo
Em outra geração
Tranças-labirintos
Da opressão
É o sistema
E não alisa
Quebra na emenda
De mantê-lo
É orgulho
Entenda a persistência
Crespo na essência
Político
E resistência




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