Sociedade

ESTADO LAICO?

Auditório do Arquivo Nacional é usado para cultos evangélicos

quinta-feira 21 de julho de 2016| Edição do dia

Os documentos do Estado brasileiro guardados no prédio do Arquivo Nacional, no centro do Rio de Janeiro, não poderão ser consultados antes do dia 19 de setembro, supostamente por falta de manutenção dos elevadores que os transportam. Mesmo assim, o espaço dessa repartição federal, vinculada ao Ministério da Justiça, não está sendo desperdiçada. Agora, é local de... culto evangélico.

Quem pregava nessa última quinta-feira (14) era o próprio diretor-geral do Arquivo, José Ricardo Marques. Nomeado pelo deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF), Marques substituiu em janeiro deste ano o antigo diretor-geral, Jaime Antunes, que estava há 23 anos no cargo. Segundo notícia publicada sexta-feira (15), José Ricardo Marques “assumiu, saiu e voltou há uma semana – o que disse no culto acreditar fazer parte ‘dos planos do Senhor’”. Mas não sem antes ceder o auditório do Arquivo à pregação, o que, obviamente, foi criticado pela maioria dos funcionários. Ah, mas não se preocupe, o novo diretor-geral garante que orou muito pelo Arquivo enquanto esteve fora!

Esse é o Estado ““laico”” que, além de conivente com as mortes por aborto clandestino e toda a violência contra mulheres, LGBTs, praticantes de religiões africanas e outros cultos oprimidos, dá privilégios aos políticos, juízes e burocratas como José Ricardo Marques, mas não dá as mínimas garantias materiais (como auditórios públicos, gráficas públicas, tempo de TV e rádio, etc.) de que o direito e a liberdade de expressão e de associação dos trabalhadores não sejam só letra morta.




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