Gênero e sexualidade

UNICAMP

Estudantes da Unicamp se manifestam contra a Emenda da Opressão

A situação de isolamento entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a população de Campinas torna o bairro em que se encontra a universidade, Barão Geraldo, cada vez mais perigoso. Já foram registrados três casos de estupros, assédios acontecem várias vezes por semana, e o medo de andar sozinhas nas ruas paira sobre as cabeças de mulheres, negros e LGBTs.

quarta-feira 24 de junho de 2015| Edição do dia

Nesse contexto no mínimo temeroso, foi chamado na Assembleia Geral dos Estudantes pelos estudantes de Ciências Sociais e História, através do seu centro acadêmico (CACH), um ato para o dia 23 de Junho (hoje). O ato foi construído pelos estudantes do Centro Acadêmico de Ciências Humanas e correntes de esquerda com faixas contra os estupros e assédios em Barão Geraldo e contra a Emenda da Opressão (projeto de emenda à lei orgânica impulsionado pelo vereador Campos Filho – DEM), no Restaurante Universitário.

Desse modo, cabe a reflexão do que significa os espaços vazios da Unicamp, e consequentemente de Barão Geraldo. Os espaços vazios, mal iluminados, fazem parte de uma política da reitoria da Unicamp, e da maioria das universidades brasileiras, de não deixar que a população chegue à universidade. A reitoria impede que população de Campinas usufrua dos espaços de cultura, lazer e conhecimento que a Unicamp pode oferecer e não garante a segurança da população feminina, LGBT e negra de dentro da própria universidade. Ou seja, a política de esvaziamento da universidade nas horas não produtivas dela acarreta um marasmo e perigo de estupros e assédios em Barão Geraldo.

Já no caso da população campineira, há também o temor de que se vote a favor, na Câmara Municipal, da Emenda da Opressão, do vereador Campos Filho (DEM). Esse projeto PROÍBE a discussão de gênero e sexualidade nas escolas de Campinas, onde ocorre, o tempo todo, casos de transfeminicídio. Como exemplo disso há o caso de Geia Borghi, travesti e enfermeira do Hospital Mario Gatti, que foi assassinada brutalmente, mas que a polícia considera um caso de latrocínio.

Não podemos deixar passar em branco casos absurdos de estupro, assédio, assim como não podemos deixar silenciar a voz de mulheres e LGBTs que sofrem todo dia com machismo e LGBTfobia estruturais em Campinas! Para impedir que assédios continuem acontecendo em Barão Geraldo, devemos nos organizar e mostrar nossa força como setor oprimido! Para barrar a emenda, devemos lutar por educação pública, gratuita e laica! Nós não somos Campos Filho, não estamos do lado do conservadorismo, somos Geia Borghi, Jandira, Verônica! Somos resistência!


Foto: Wikimedia




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