Internacional

ESCOLA DE VERÃO REVOLUCIONÁRIA

Ato internacionalista: “Estamos construindo organizações revolucionárias não apenas para resistir, mas para vencer”

O ato central da segunda Escola de Verão Internacionalista e Revolucionária dos grupos europeus da Fração Trotskista - Quarta Internacional, mostrou a dinâmica da nossa corrente internacional no velho continente, que luta pela construção de grupos revolucionários como parte da luta pela reconstrução do partido mundial da revolução socialista, a Quarta Internacional.

quarta-feira 10 de julho| Edição do dia

O ato central da segunda Escola de Verão Internacionalista e Revolucionária dos grupos europeus da Fração Trotskista - Quarta Internacional, mostrou a dinâmica da nossa corrente internacional no velho continente, que luta pela construção de grupos revolucionários como parte da luta pela reconstrução do partido mundial da revolução socialista, a Quarta Internacional.

Na terceira jornada de debates aconteceu o ato central da segunda Escola de Verão Internacionalista e Revolucionária realizada do dia 3 ao dia 8 de junho em Aveyron (sul da França). Uma atividade carregada de futuro, que concentrou grande parte das ideias-força que percorreram todas as jornadas, materializadas em uma nova geração de militantes revolucionários e importantes contingentes de trabalhadores e trabalhadoras que tem protagonizado importantes greves e batalhas de classe.

O ato foi coordenado por Elsa, jovem dirigentes estudantil da Courant Communiste Révolutionnaire (CCR, Corrente Comunista Revolucionária em português) da França, integrante do NPA e impulsionadora do diário digital Rèvolution Permanent, anfitriões desta segunda e exitosa escola internacional.

Yunus, um jovem companheiro turco, dirigente estudantil na Alemanha e militante da Revolutionäre Internationalistische Organisation (RIO, Organização Revolucionária Internacionalista em português) da Alemanha, impulsionadora do diário digital Klasse gegen Klasse (Classe contra classe, em português) , deu início às intervenções com um potente discurso denunciando a “crise da ordem neoliberal, que reforça as tendências rumo à crise, assim como as reacionárias fronteiras e políticas migratórias que condenam à morte milhares de imigrantes que abandonam seus países por causa das guerras iniciadas pelo próprio imperialismo”.

Yunus sinalizou que frente à crise ecológica “somente um programa anticapitalista da classe operária pode dar uma saída progressiva para toda a humanidade” porque “não podemos criar um sistema sustentável dentro do capitalismo”. E concluiu afirmando que contra as políticas neoliberais e xenófobas, qualquer que sejam sua forma, seja o conservadorismo de Merkel ou os populistas de direita como na Itália, só existe uma saída: “a luta pelos Estados Unidos Socialistas da Europa”.

Giacomo Turci, jovem dirigente da Frazione Internazionalista Rivoluzionaria (FIR, Fração Internacionalista Revolucionária em português) da Itália, sinalizou que o populismo de direita representado por Salvini pretende se mostrar como uma mudança frete às elites neoliberais, mas divide com estas o principal do seu programa econômico e os ataques contra a classe trabalhadora.

“O governo italiano do M5S e a Liga se apresentou como o governo da mudança, dos interesses do povo contra os interesses das elites da UE”, mas “este governo não mudou as leis anti-operárias de Mateo Renzi”, explicou. “Ainda pior, atacou as lutas sociais e os movimentos sociais, atacando os precarizados, as mulheres e os imigrantes”. Por esse motivo, disse ele, não existe “nenhuma ruptura, nenhuma mudança fundamental em comparação com os governos liberais, de centro esquerda e centro direita”.

“A prisão da capitã Carola Racket da Sea Watch expressa o que existe de mais reacionário das políticas migratórias europeias que se rodeia de valas, cercas e campos de concentração para a detenção de imigrantes na Europa”. “Esta nunca será a Europa que queremos para nós”, mas sim a “Europa socialista dos trabalhadores”.

Durante o ato também aconteceu uma comovente mas combativa intervenção de Imen, amiga de Zineb Redouane, assassinada pela polícia depois que uma granada de gás lacrimogêneo lhe foi jogada na cabeça em Marselha, durante uma manifestação dos Coletes Amarelos. Imen leu uma carta escrita pela filha de Zineb, Milfet Redouane, saudando o ato e reivindicando a luta por justiça para Zineb, que hoje teria 81 anos se não tivesse sido assassinada.

"O caminho rumo a justiça será duro e pode ser longo, mas daremos esta luta”, dizia a carta, agradecendo o Révolution Permanente, a universidade de verão e “todas as pessoas que nos apoiam a não esquecer seu nome”, em uma intervenção que emocionou o público com gritos de “Justiça para Zineb Redouane" mas também em memória de "Zied Bouna Theo e Adama", também vítimas da repressão policial.

O dirigente argelino Abdenour Maouche emocionou o auditório destacando o levantamento do povo argelino, quando se completam 57 anos da independência da Argélia do imperialismo francês.

"Um, dois, três, Viva Argélia!” foi o canto de centenas de pessoas de forma unânime. Com sua intervenção, Abdenour fez com que toda a sala se colocasse de pé em apoio ao povo argelino “mobilizado por cinco meses de forma massiva para dizer não ao corrupto regime”. Abdenour sinalizou que este sistema “não deixou de enriquecer as classes dominantes na Argélia” e que por isso “todas as sextas-feiras estudantes, trabalhadores e desempregados se manifestam em toda a Argélia para dizer basta”.

Abdenour também lembrou dos “estivadores de Marselha de Itália que se negaram a carregar armas destinadas à Arábia Saudita para bombardear o povo iemenita”, assim como as expressões de solidariedade anti imperialistas contra o golpe militar no Sudão. E finalizou sinalizando que, se os argelinos ganham, isso também debilita o imperialismo, Macron e Trump.

O auditório recebeu também com calorosos aplausos uma saudação enviada por dirigentes do PTS argentino, o deputado nacional Nicolás del Caño, atual candidato a presidente pela Frente de Izquierda - Unidad, e o candidato a governador no Estado de Buenos Aires, Christian Castillo, que reafirmaram a necessidade de construir uma organização mundial da revolução socialista.

Na continuação aconteceu a intervenção de Lucía Nistal, bolsista pesquisadora da Universidade Autônoma de Madrid e jovem dirigentes da CRT (Corriente Revolucionaria de Trabajadores y Trabajadoras, Corrente Revolucionária de Trabalhadores e Trabalhadoras em português), arrancou palmas e despertou entusiasmo no auditório. Nistal colocou que “há dez anos do começo da crise capitalista, não faltaram experiências de luta e desistência, desde o 15M até as 30 greves gerais na Grécia”. “Ainda assim”, sinalizou, “partidos como o Syriza e o Podemos foram fundados dizendo-se que era necessário abandonar as ruas para ocupar espaços nas instituições”. “Syriza prometia reverter os ataques da Troika, mas quando chegou no poder lhe bastaram 6 meses para capitular em toda linha”, enquanto que no Estado Espanhol “Pablo Iglesias dizia que não havia outra alternativa”.

Nistal sinalizou que “frente a esta esquerda reformista e conformista, faz falta uma esquerda antimonárquica, que lute pela autodeterminação dos povos e contra a repressão”, “uma esquerda de classe e revolucionária que lute por processos constituintes para decidir tudo”.

“Porque não estamos dispostas a seguir sendo súditas, exploradas, oprimidas, não nos conformamos com resistir, não nos conformamos com as migalhas, queremos o pão, queremos as rosas, queremos o comunismo, queremos tudo!” A sala se levantou para aplaudir.

Para fechar o ato Daniela Cobet, dirigente da CCR no NPA, destacou a qualidade da universidade de verão, que contou com a presença de muitos trabalhadores e trabalhadoras que cumpriram um papel central na luta de classes, com uma forte delegação de trabalhadores ferroviários, militantes sindicais de diversos setores, coletes amarelos, jovens ativistas, e também mulheres grevistas da vitoriosa batalha das limpadoras das estações de trem de ONET.

Cobet destacou a radicalista do movimento dos coletes amarelos e o fato de que isso recentemente “está no seu início”, como diziam durante o maio francês de 1968. Por isso “é muito alentador” e antecipatório do que está por vir: “se assemelha a um vulcão que poderia ainda estar a ponto de explodir.” “A entrada em cena de grandes bastiões da classe operária ainda não se produziu, mas a radicalidade dos coletes amarelos pode contagiar os ferroviários, os hospitais, as fábricas”.

Por tudo isso, Daniela Cobet reafirmou a urgência de lutar na França e a nível internacional pela construção de organizações com uma perspectiva estratégica revolucionária e de classe, superando as ambigüidades do projeto inicial do NPA. Porque essa “é a única forma de estar preparado para as futuras erupções do movimento de massas”.

Como conclusão, Cobet chamou a todas as pessoas presentes a “se unirem nesta luta pela revolução e pelo socialismo junto à classe operária” e por construir organizações revolucionárias, “porque não se trata apenas de resistir, mas de se preparar para vencer”.

O entusiasmo da sala era muito forte. Nas conversas entre companheiras e companheiros que começam a conhecer nossas organizações, e que viajaram junto às diferentes delegações de França, Alemanha, Itália e do Estado Espanhol até Aveyron, se reiterou uma ideia que foi dita em diferentes idiomas: “quero militar pela revolução”.




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