Mundo Operário

CONTRA AS DEMISSÕES DA DONNELLEY

Ato fecha a Anhanguera contra fechamento da RR Donnelley, gráfica do Enem

Na manhã desta terça (2), trabalhadores da RR Donnelley ocuparam as pistas da Anhanguera em protesto contra o fechamento da fábrica, anunciado ontem com um papel na porta. A empresa que há anos lucra imprimindo o Enem alega suposta "falência" e sequer pagará as verbas rescisórias. Chegam ao absurdo de não deixar os trabalhadores entrar para pegarem seus pertences.

terça-feira 2 de abril| Edição do dia

As pistas da Anhanguera em Osasco amanhaceram fechadas hoje por conta de protesto dos trabalhadores da RR Donnelley. O motivo está no anúncio com o qual os 970 trabalhadores das 3 fábricas brasileiras (Osasco, Barueri e Blumenau) deram de cara na porta ontem (1) de que as fábricas da multinacional seriam fechadas no Brasil. A empresa que há anos lucra com a impressão da milionária prova do Enem está alegando "falência" e sequer pagará as verbas rescisórias. Amanhã pela manhã está sendo convocada uma nova manifestação contra esse fechamento.

A empresa chegou ao absurdo de não deixar que os trabalhadores entrassem na fábrica para pegar seus pertences. Funcionários relatam que há algumas semanas a empresa contratou mais seguranças para a entrada e alguns funcionários de alto escalão pediram demissão. Ao final da tarde de anteontem os servidores caíram e os trabalhadores já não tinham mais acesso, mas em nenhum momento foram comunicados oficialmente do real motivo. Trabalhadores que estavam fora do país viajando não receberam e não têm dinheiro para voltar.

"A gente trabalhou normal até sexta feira, a gente não teve nenhum comunicado antes. E quando chegou no domingo a noite, através de colegas de trabalho, ficamos sabendo que a Donnelley abriu um processo de autofalência e até então nossos pertences estão la dentro, pessoais, a gente não tem posicionamento de quando vão liberar, a gente não tem posicionamento de quando vamos receber, quando vai ser a baixa na carteira, simplesmente tem pessoas aqui de 25 anos, de 30, que viveram a vida aqui, que deixaram seus filhos em casa, que vieram trabalhar dia e noite, a gente trabalhava com alma, gostava do que fazia, mas a impressão fechou do dia pra noite, ninguém falou nada, e a gente só precisa saber dos nossos direitos, como que vai ser, qual vai ser a data, qual vai ser o caso, porque aqui era o sustento da nossa casa, era o pão do dia a dia e enfim, agora a gente está esperando a empresa se pronunciar", relata uma das trabalhadoras da empresa.
Além da impressão do Enem, a gráfica tinha importantes convênios com a Saraiva, a Cultura, o Bradesco, além de ser uma multinacional milionária, que nos EUA por exemplo é responsável por todas as impressões do correio. Onde está todo o dinheiro lucrado com isso? Por que são os trabalhadores que estão pagando a conta de uma suposta "crise" dos empresários?

É com a justificativa da "crise" que a patronal da RR Donelley bota centenas nas enormes filas de desempregados que existem hoje, mas na realidade estão visando apenas à sua lucratividade. Na Argentina, quando a patronal da RR Donnelley alegou a mesma coisa, os trabalhadores ocuparam a fábrica, que se mantém até hoje sob gestão dos trabalhadores, e sobrevive a partir de buscar todo apoio possível da população. Em 2015, por exemplo, imprimiram 20 mil cadernos que distribuíram em colégios da região, o que retorna para a fábrica em forma de apoio.

Em oposição a tudo isso devem estar as grandes centrais sindicais como a CUT que dirige milhares de sindicatos no Brasil, ou a Força Sindical, que dirige o sindicato de gráficos de Osasco e Barueri, e ainda a NCST que está no sindicato de gráficos de Blumenau. Precisam convocar os trabalhadores em cada posto de trabalho que dirigem o sindicato a se solidarizarem com isso e organizar plano de lutas contra os ataques ao emprego, as demissões e aos direitos que no governo Bolsonaro só se acentuam, governo este que se orgulha de acabar com o Ministério do Trabalho para facilitar que patronais como a da Donnelley tomem atitudes como esta.

Não é hora de trégua. O momento pede que essas centrais unifiquem os milhares de desempregados do país, com aqueles que estão lutando para manter seus empregos e todos os que se enojam com medidas como a reforma da previdência, que quer nos fazer trabalhar até morrer, pois apenas dessa unidade pode surgir uma resposta dos trabalhadores para a crise gerada pelos capitalistas.




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