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Ato contra o aumento da passagem foi um grito de indignação em Marília

Na manhã desta quinta-feira (17/09) a juventude saiu às ruas em Marília para se manifestar contra o aumento da passagem de ônibus, e contra a demissão dos cobradores de ônibus e sobrecarga de trabalho dos trabalhadores do transporte urbano.

sexta-feira 18 de setembro de 2015| Edição do dia

Desde quando anunciado o segundo aumento da tarifa de ônibus no ano em Marília, foi impulsionada uma frente que, retomando as experiências de luta pela redução da tarifa em 2013 e 2014 e as manifestações organizadas durante a greve dos professores da rede estadual em 2015, passou a mobilizar contra o aumento da passagem e contra a demissão dos cobradores de ônibus.

Foram realizadas panfletagens no terminal e em escolas, e foi organizada a manifestação ocorrida nesta manhã (17/09), quinta-feira, logo após o aumento da tarifa, expressando nas ruas uma indignação que é manifesta entre os trabalhadores e juventude da cidade.

O ato ocorrido nesta manhã teve início na praça em frente a prefeitura, reunindo por volta de 60 jovens e trabalhadores de diferentes regiões da cidade. Os manifestantes fecharam a Avenida Sampaio Vidal, e foram em passeata pelas ruas do centro até os arredores do terminal com palavras de ordem que denunciavam que o transporte público não deveria ser mercadoria que atende aos interesses de lucro dos empresários, mas um direito garantido a toda população.

Entenda o caso

Como demos a notícia aqui, a tarifa de ônibus subiu de R$2,85 para R$3,00 em Marília na última quarta-feira (16/09). É o segundo aumento no ano. No entanto, os usuários do transporte reclamam que enquanto a passagem aumenta o serviço só piora.

Após reclamarem à prefeitura que os lucros não têm sido satisfatórios, as empresas de ônibus da cidade têm despedido cobradores, e mantido algumas linhas apenas com motoristas. Os motoristas ficam sobrecarregados acumulando a função dos cobradores, ganhando muito pouco a mais. Esta sobrecarga tem gerado muitas reclamações dos passageiros, como atrasos, maior risco de acidentes, entre outros prejuízos.

A indignação é grande também pelo fato de o prefeito do PSB, Vinícius Camarinha, de família tradicional na política da cidade, ter feito falsas promessas dizendo que não seria mais aumentada a passagem. Como temos visto na educação, na saúda, também no transporte, neste caso, prevaleceu o interesse dos grandes empresários, despejando mais sofrimento à população.

Recolhemos depoimentos de manifestantes do Movimento Revolucionário de Trabalhadores, que juntamente a outras organizações e grupos organizaram e compuseram o ato. Segundo Alexandre Supertramp, rapper e militante no movimento estudantil, o ato “foi um grito de indignação contra os abusos de uma prefeitura que só representa os grandes empresários, só atende aos interesses dos ricos! Estamos sendo atacados por todos os lados! Cortam verbas para a educação, para saúde, cortam direitos dos trabalhadores, e os preços no supermercado só aumentam, a conta de luz, o gás... Não tem jeito, não podemos mais ficar calados, temos que nos organizar para que não despejem em nós uma crise pela qual não temos culpa!”.

Bruna Motta, professora da rede pública, militante do Professores Pela Base apontou que “Quem mais sofre com a situação precária do transporte público? Os trabalhadores, a juventude pobre, os negros das periferias, as mulheres assediadas nos ônibus superlotados! Lutar contra a precarização dos transportes também é parte da luta de combate às opressões! Tudo pela sede de lucro das empresas Grande Marília e Sorriso. Enquanto o transporte estiver nas mãos de empresas não será de qualidade, por isso deve ser estatizado, e deve ser controlado pelos únicos que tem interesse na sua qualidade: os passageiros e os trabalhadores do transporte!”

Diego Damaceno, também professor e militante do Professores Pela Base disse à nossa reportagem que “esta ato foi muito importante, pois foi um aviso que a população não ficará calada diante desses abusos! Temos como tarefa construir a discussão e mobilização nas bases, nos locais de trabalho e estudo, para dar maior expressão a esta luta, construindo uma mobilização cada vez mais forte! Por isso chamamos todas e todos para uma próxima reunião da Frente de Lutas pelo Transporte no próximo dia 23/09, quarta-feira, Às 19h, na Av. Sto. Antonio, 783, para continuidade desta luta”.

A seguir vídeo de jogral de Diego Damaceno durante o ato desta manhã:




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