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Ato Fora Temer em Santo André: Manifestantes também denunciam PT

Na noite da última terça (13), houve em Santo André o primeiro ato “Fora Temer” depois do golpe. Reunindo setores de juventude e trabalhadores, o protesto saiu da estação de trem na região central e circulou pelo centro da cidade com gritos de “Fora Temer”.

quinta-feira 15 de setembro| Edição do dia

O principal setor presente no protesto era o de militantes da UJS (União da Juventude Socialista), organização comporta pelo PCdoB e UNE, que frente à consumação do golpe institucional defendem a consigna de "Diretas Já", como forma de responder a enorme crise de representatividade que toma conta do país. No atual cenário, defender “Diretas Já” significa ajudar o PT a se recompor pela via eleitoral, pois na prática essa é uma defesa pelo "Volta Lula" em 2018, plano que a burguesia quer impedir, com as denúncias feitas hoje pelo Ministério Público do Paraná à operação Lava Jato. Ao defenderem tal política, eles cumprem o mesmo papel que cumpriram nos meses antes do golpe com sua consigna “Volta Dilma”, atuando como desvio para a luta correta de forma independente contra os enormes ataques à juventude e aos trabalhadores.

O PT governou baseado na conciliação de classes e permitiu o enriquecimento ainda maior da alta burguesia. Foi o PT que abriu caminho para a direita reacionária, governou ao lado de Cunha, e o golpista que está na presidência hoje era o vice de Dilma, além disso, foi o governo petista que aprovou a Lei Antiterrorismo, além de diversos ataques aos direitos trabalhistas.

A manifestação contou com militantes do MRT, MAIS, e PSOL, com os candidatos (Ricardo Alvarez, Professor Chicão, André Sapanos e Professora Maíra Machado). MAIS e PSOL defendem as “Eleições Gerais” com o objetivo de renovar todos os cargos políticos e não só o de Presidente. Entretanto, na prática, esta política ajuda a fortalecer as “diretas já”, no sentido que não há perspectiva de mudança das regras do próprio sistema político e eleitoral, ou seja, “mudam os jogadores, sem mudar as regras do jogo”, mantendo o capitalismo tal como está, dando a falsa ilusão de que se mudou o cenário político, com a renovação dos cargos. Não obstante, é votada pelas costas de toda população uma reforma política que pretende excluir os partidos de esquerda do parlamento. Tão logo, a consigna "Eleições Gerais", por mais que se diferencie, no conteúdo, da "Diretas Já" do petismo, no atual cenário efervescente de ataques aos direitos e veto à esquerda acaba por fortalecer a política petista de desviar o processo de mobilizações, método utilizado por anos pelo PT e suas colaterais.

Divergências entre Manifestantes mostram fragilidade do PT

A Juventude Faísca e o MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) compunham um bloco que colocava claramente a luta contra o golpe e as diferenças políticas com o PT, cantando músicas como: “Eu não sou petista, mas o golpe eu não aceito, eu quero meus direitos!”, “Nem a direita, nem o PT, trabalhadores no poder!”

Alguns dirigentes da UJS e PCdoB e até mesmo velhos militantes petistas ficaram enfurecidos com as músicas, argumentavam que denunciar o PT quebra a unidade da esquerda e enfraquece a luta contra o golpe. O PT, o PCdoB e sua juventude tentavam abafar os cantos, querendo impedir que se expressasse uma posição independente no ato, fazendo com que a reivindicação de “Diretas já” hegemonizasse por grande parte do trajeto. Mesmo assim, os cantos contra o golpe e também contra o PT seguiram durante a manifestação.

Maíra Machado, Militante do MRT e candidata a vereadora em Santo André pelo PSOL, declarou:
“Não somos petistas e nem defenderemos o PT como saída para a crise no regime político brasileiro. Lutamos contra o golpe porque sabemos que ele não é contra o PT, e sim contra os milhões de trabalhadores brasileiros que já sofrem com a precarização da vida e que pagarão pela crise, se depender do governo dos capitalistas. Tentamos expressar que a unidade pregada por setores petistas para enfrentar a crise não passa de uma tentativa de sequestro do movimento legítimo contra o golpe.
Precisamos construir uma saída independente, viemos hoje com essa faixa defendendo uma Assembleia Constituinte imposta pelas lutas, porque já está claro que os políticos não governarão para os trabalhadores e a juventude, com essa assembleia nós podemos decidir os rumos do país, defendendo que todo político ganhe como uma professora, que todos os corruptos sejam punidos pelos seus crimes e o dinheiro volte para os cofres públicos, e os mandatos possam ser revogáveis, por exemplo.
O PT não é de esquerda, não fez nada contra o golpe e atuou como agente capitalista em todos os seus 13 anos de governo, desmascarando que esta unidade pregada pelo próprio PT e as correntes que o defendem só pode levar a um fortalecimento dos setores da elite, conciliadores, e para os que vêem a saída eleitoral como a única viável."

Já Nianza Marreti, da Juventude Faísca, declarou que: “Uma saída independente é o único caminho para derrotar os golpistas e seus ajustes. Seguimos exigindo que a CUT e CTB rompam com sua paralisia e organizem os trabalhadores para combater o governo de ataques, numa verdadeira greve geral que imponha uma nova correlação de forças e possa derrotar as reformas e os ataques dos empresários e de seus representantes na política.
Por isso na Fundação Santo André estamos concorrendo as eleições do D.A.H.G, com a chapa Lute, e concorremos com os setores da UNE, a mesma batalha que travamos hoje na rua, travamos também na universidade para a construção de um movimento independente e para fortalecer a luta de classes e não as negociatas e acordões entre os políticos!.”




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