Gênero e sexualidade

LUTA CONTRA OPRESSÃO

Atividade sobre a mulher na Revolução Russa com Wendy Goldman reune mais de 300 pessoas

domingo 1º de outubro| Edição do dia

Nesse sábado chuvoso em São Paulo, a casa Karl Marx lotou com mais de 300 pessoas na atividade sobre o livro “Mulher, Estado e Revolução” com sua autora, Wendy Goldman, com Diana Assunção fundadora do Pão e Rosas de dirigente do MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) e Natalia Angyalossy tradutora do livro no Brasil e do MRT, foi uma explosão de energia revolucionária e desejo de emancipação feminina. As lagrimas dos olhos emocionados, sorrisos e aplausos acalorados acompanharam todas as falas vibrando com a história das operárias que junto ao Partido Bolchevique tomaram o céu por assalto e sonharam com um mundo novo.


Wendy Goldman, Diana Assunção e Natalia Angyalossy

Wendy Goldman iniciou saudando a atividade e brincando que apesar do tempo ruim a energia humana na casa “nos aquecia”. Logo engatou sua fala sobre as experiências das mulheres na Revolução Russa, a frase forte “se algo pode ser imaginado pelas pessoas, também pode ser criado por elas” sintetizou o espírito sem limites dos revolucionários russos, mas também de todos aqueles que estavam naquela sala resgatando o marxismo no centenário da revolução.

"Olhar a vida com os olhos das mulheres", como dizia Leon Trotsky dirigente da revolução, ficou ainda mais claro na exposição sobre as idéias e medidas que tomaram no estado Operário, como disse Wendy, mesmo durante “a guerra civil de 1920, foi um período de intenso de debates, os revolucionário tinham idéias de como mudar quase todos os aspectos da vida”.


Casa Karl Marx cheia

Nas intervenções das mulheres do plenário, principalmente trabalhadoras como Vilma Maria, do bandejão da USP e Secretaria de Mulheres do SINTUSP, que colocou como os patrões querem tirar até o tempo de descanso onde as mulheres fazem tricô . Um dos únicos momentos que podem fazer algo para elas, enquanto vivem rotinas de trabalho extenuantes lavando panelas e servindo comida. E como essa medida vem sido combatida pelas mulheres que não se submetem a patronal, e realizaram um “tricotaço” em protesto.


Vilma Maria, trabalhadora do bandeijão da USP

Também seguiram as falas de Silvana Araujo, trabalhadora terceirizada que colocou sua experiência de luta contra a patronal e as mudanças na sua própria vida em casa. Andreia Pires, operária demitida política da JBS e Marilia Rocha, operadora de trem do Metrô de São Paulo e diretora do Sindicato dos Metroviários, mostraram a centralidade das mulheres na produção industrial e do transporte, Marcella Campos, diretora da APEOESP pela Oposição Alternativa agregou sobre a educação e o projeto do governo de impor planos como "Escola sem Partido", e a necessidade de lutar por uma educação laica e livre. Além de várias outras companheiras que intervieram.


Silvana Araujo, trabalhadora terceirizada


Andreia Pires, operária demitida política da JBS

Umas das mais interessantes áreas de debates dos revolucionários eram como remodelar a família e como criar condições para igualdade de gênero amplamente na sociedade. Como Wendy explica, os revolucionários tinham uma visão de como emancipar as mulheres que se baseava em 4 princípios: o 1º, a liberdade de união, 2º a emancipação das mulheres através da independência econômica. 3 º socialização do trabalho domestico e o 4 º gradual e inevitável desaparecimento da unidade familiar regulado pela igreja e pelo estado.

“O amor deveria ser baseado na atração mutua e no respeito. Livre de restrições e dependência econômica, nenhuma pessoa deveria ficar em um relacionamento onde não existisse amor, ou onde fosse abusada”

O Estado Operario foi o primeiro a legalizar o divórcio, criaram lavanderias, creches e restaurantes públicos, para eliminar todo o trabalho domestico imposto a mulher. Como disse Wendy “ uma visão diferente do feminismo hoje em dia, onde homens e mulheres devem dividir esse trabalho dentro de casa. Uma vez que a família deixasse de ter uma função econômica não haveria sentido ser regulada pela lei. As pessoas poderiam se juntar e separar de acordo com suas vontades”.

Essa idéias foram levantadas pela comissão de mulheres do Partido Comunista, a primeira organização de massas criada por mulheres para que elas avançasses com seus próprios interesses na revolução, era uma comissão que ligava a questão de classe com a de gênero. Lutou contra o desemprego, a prostituição, lutou para dar acesso a educação a mulheres trabalhadoras e donas de casa.

"Para os revolucionários a questão da mulher era um debate central", disse Diana Assunção, e ainda é hoje como se expressou também nas falas. A mulher carrega um elo de ligação econômico e social, perpassando por ela a maior exploração do trabalho, a função econômica da manutenção da família como núcleo econômico do capitalismo, enquanto repousa sobre suas costas o peso da ideologia machista que serve apenas para o capitalismo explorar mais, dividir os trabalhadores e buscar “domesticá-los” a partir de uma série de preconceitos e tabus morais.

“As mulheres queriam o direito ao aborto para controlar seu próprio destino, mesmo as mulheres camponesas que não sabiam ler, entendiam que se elas não pudessem controlar seu corpo não poderiam controlar sua vida”

Esses avanços retrocederam após anos de isolamento da revolução e ataques dos países capitalistas, o stalinismo se ergueu nessa situação e atacou todos os direitos das mulheres conquistados, tendo como primeira medida proibir novamente o aborto em 1936.

Diana assunção desenvolveu a importância do livro não como uma assimilação passiva, mas como uma arma para lutar contra o capitalismo hoje, vimos a recente aprovação do judiciário brasileiro em tratar os LGBTs como doentes, o livro nos lembra que foi a estado operário o primeiro a descriminalizar a homossexualidade. “Conhecer esse livro nos ajuda a pensar as tarefas para o futuro, as tarefas da revolução no Brasil e no mundo, como enfrentar o machismo cotidianamente, como organizar as mulheres trabalhadoras. E como cada companheiro homem para avançar para ser um revolucionário é preciso enxergar a vida com os olhos das mulheres, que no Brasil significa olhar com os olhos das mulheres negras e indígenas”.


Diana Assunção dirigente do MRT

“O fenômeno de luta das mulheres precisa de uma estratégia, para nós do Pão e Rosas é uma estratégia socialista e revolucionária de enfrentamento ao capitalismo, onde cada luta que travamos hoje deve fortalecer essa perspectiva”

E seguiu “conhecer um pouco dos sonhos dos bolcheviques, como para eles era só o começo de um processo de transformação do que seria uma sociedade comunista, nos dá muita força para poder lutar hoje por um mundo novo, para avançar nessa luta que não é somente pelo direito ao pão, mas também as rosas”.

Convidando a todas a levar essas idéias construir o Pão e Rosas, suas campanhas e atividades participar do Esquerda Diário onde levamos essas idéias para fortalecer o movimento classista. O Pão e Rosas está rodando o pais inteiro em defesa do marxismo revolucionário, para dar uma alternativa a luta das mulheres passando por Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Brasília, Recife, Paraíba, Natal e mais.


Wendy Goldman com a camiseta do Pão e Rosas, junto de Diana e Natália

Wendy Goldman respondeu as perguntas do público, em base a uma discussão da educação no Estado Operário e fechou com uma ideia simples, mas profundamente comunista, que é imaginar e lutar para que seja real uma sociedade sem classes, sem exploração onde todos sejam valorizados e respeitados. “Quando os revolucionários tomaram o poder, uma das primeiras coisas que fizeram foi instituir o ensino universal gratuito não só às crianças, mas tinham campanhas em todos os locais para ensinar todo mundo a ler. Existia uma enorme mobilidade na sociedade, todos eram entusiasmados a avançar”

"Nenhum gerente recebia um salário maior do que o mais cansado trabalhador, a diferença entre o trabalhar menos qualificado e o mais qualificado, era extremamente pequena. Significava que qualquer um, não importa o que fizesse, tinha um salário decente e uma posição na sociedade. Essas idéias ainda são idéias muito importantes, porque existe um tamanho tão pequeno de pessoas que faz tanto direito enquanto a maioria da população não consegue nem viver. Isso não faz sentido! Imagine o que seria viver em uma sociedade onde todo o trabalho fosse valorizado e respeitado?"

Eu acho que essa seria uma sociedade onde a maioria das pessoas gostaria de ter, nós somos a maioria, a sociedade deveria ser organizada para nós.

Ao final da atividade, todo seguraram cartazes com a pergunta que inquieta o mundo: Onde está Santiago Maldonado, desaparecido pelo Estado argentino?

Foi feito um vídeo em apoio à greve dos Correios, que logo estará online no ED.


Solidariedade à greve dos Correios

E um vídeo em apoio à greve dos professores do Rio Grande do Sul

Também foi cantada a musica do Pão e Rosas e a Revolução Russa:

"Revolução Russa, 100 anos passou
Por pão e por rosas foi que começou
Mulheres à frente pra história mudar
O céu por assalto também vamos tomar

Sou pão e rosas
Mulheres em luta já
O estado capitalista
Não vai nos emancipar"

A atividade foi transmitida ao vivo pelo Facebook do Esquerda Diário, veja abaixo:


Festa e entusiasmo ao fim da atividade


Fila para pegar autógrafo de Wendy Golgman




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