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TURQUIA

Atentado na Turquia deixa mais de 50 mortos

Mais de 50 mortos e 69 feridos é o saldo até o momento do atentado ocorrido no sábado à noite durante um casamento na cidade turca de Gaziantep, no sudeste do país, na fronteira com a Síria.

terça-feira 23 de agosto| Edição do dia

O ataque aconteceu em meio à celebração de um casamento de dois membros do pró-curdo Partido da Democracia dos Povos (HDP), o principal partido curdo legal na Turquia, na cidade de Gaziantep. Segundo diversas fontes, o autor teria sido uma criança de entre 12 e 14 anos, de identidade ainda desconhecida, que teria se incendiado causando a morte de mais de meia centena de pessoas, entre elas 29 crianças.

Segundo câmeras de segurança do local captaram, o menino foi acompanhado por dois homens até a rua onde acontecia a festa e rapidamente se retiraram, antes que o garoto detonasse os explosivos que levava em um colete.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan, desde Gaziantep, apontou contra o Estado Islâmico como responsável pelo ataque. “as evidências iniciais indicam que foi um ataque do Daesh” e completou que “este jogo canalha não vai funcionar em Gaziantep”. No entanto, até o momento, ninguém reivindicou o ataque. Os lamentos de Erdogan dificilmente terão chegada entre os curdos, que são perseguidos, reprimidos e assassinados por seu governo, enquanto que são múltiplas as denúncias de acordos entre o governo de Erdogan e o Estado Islâmico.

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Por sua vez, o HDP, o partido a que pertencem os noivos que comemoravam o casamento no momento do ataque, e que representa a terceira força no parlamento, emitiu um comunicado de imprensa em que condena o atentado, “Condenamos os que fizeram este ataque e as forças e ideologias por trás destas ações”. “Muitos cidadãos, inclusive mulheres e crianças, perderam suas vidas, e muitos mais ficaram feridos”, termina.

Vários chefes de governo se solidarizaram com o povo da Turquia e condenaram o ataque. Sobretudo aqueles que podem tirar algum proveito da situação. Um dos primeiros foi o presidente russo Vladimir Putin, que disse que “o ocorrido realça de novo a necessidade de reunir realmente os esforços de toda a comunidade internacional na luta contra o terrorismo”. Ou seja, que Putin aproveitou para reforçar sua particular “luta contra o terrorismo” que vem tendo como seus objetivos principais não o Estado Islâmico, senão as forças opositoras ao regime de Al Assad na Síria, e na última semana diretamente as forças curdas que lutam contra o Estado Islâmico.

Tampouco demorou a declaração de François Hollande, presidente francês, que disse “estar em guerra contra o terrorismo” depois dos atentados na França. Junto com a condenação ao ataque e as expressões de solidariedade, Hollande também disse que a França está com “todos os que lutam contra a praga do terrorismo”. O presidente francês, fortalece desta maneira sua própria política de segurança interna, que inclui a militarização e a extensão do estado de emergência no país, assim como os bombardeios sobre solo sírio.

Pela União Europeia, o primeiro a repudiar o atentado foi Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, que afirmou por meio de sua conta de twitter que “os terroristas espalharam a morte e a dor onde se estava comemorando o amor e a vida. Meus pensamentos e condolências às famílias e amigos das vítimas do horrível ataque em Gaziantep”.

O ataque do sábado foi o que fez mais vítimas dos que sofreu a Turquia no último ano, incluindo o do aeroporto de Istambul em junho, com 45 vítimas fatais, e que já somam 300 mortos no total.

A pouco mais de um mês da tentativa de golpe de Estado na Turquia, outra vez o país é sacudido pela crise geopolítica em que se encontra. A negociação com a União Europeia, por ser parte do bloco comum está cada vez mais tensa, onde há acusações cruzadas de “apoiar o terrorismo”, a aproximação, consequentemente, com a Rússia, sua disputa com os Estados Unidos, onde reside Fethullah Gülen, o clérigo que Erdogan acusa de ter orquestado a tentativa de golpe em 15 de julho, e a guerra na Síria, são frentes que podem recrudecer a conflitividade na Turquia, que tampouco escapa dos atentados letais.

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Fonte: Agências

Tradução: Francisco Marques




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