Internacional

XENOFOBIA

Atendendo a Trump, governo Bolsonaro sairá de Pacto de Migração da ONU

Em mais um ato de servilismo a Trump, o chanceler para assuntos internacionais do governo Bolsonaro, Ernesto Araújo, anunciou em seu Twitter que o Brasil não fará mais parte do Pacto Global para Migração da ONU. O caráter xenófobo do futuro governo se mostra mais uma vez, sendo que antes mesmo de ser eleito Bolsonaro defendeu o escandaloso ataque realizado em Roraima contra os imigrantes venezuelanos, que agora são ameaçados pelo futuro governador deste estado, também membro do PSL e o interventor federal escolhido, que promete “trabalhar para restringir a entrada de venezuelanos”.

quarta-feira 12 de dezembro de 2018| Edição do dia

Nesta segunda, 10, ocorreu no Marrocos uma pré-Conferência para firmar o Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular da ONU, que deverá ter aprovação definitiva em Nova Iorque na próxima semana. Em resposta ao evento, Ernesto Araújo, o “patriota” ideologicamente mais pró-EUA que o reacionário presidente eleito poderia escolher para dirigir os assuntos internacionais brasileiros, publicou em seu Twitter os motivos da dissociação do Itamaraty do Pacto.

Assim transmitiu a xenófoba visão de que a imigração não é um problema global e apelou à soberania dos Estados para lidar com a questão como bem entenderem. Com essa postura mais uma vez o futuro governo se ajoelha a Trump, seguindo também sua xenofobia assassina que tratou à balas recentemente a chegada da caravana migrante com milhares de refugiados da América-Central.

Em agosto deste ano vimos o repudiável ataque xenófobo sofrido por imigrantes venezuelanos no município de Pacaraima, no estado de Roraima, que é uma das principais fronteiras de acesso a centenas destes refugiados que fogem da profunda crise econômica e social que assola seu país. O ataque foi brutal, os poucos pertences que os imigrantes tinham e a estrutura de refúgio montada foram queimados, numa grande manifestação de ódio e agressões a paus e pedras, que não teve a intervenção de nenhum órgão oficial, incluindo a suposta missão “humanitária” do exército, mas, muito ao contrário, que recebeu justificativas e o estímulo do governo. Temer acaba de nomear como interventor federal o futuro governador do partido de Bolsonaro (PSL), Antônio Denarium, eleito com discurso xenófobo de fechamento da fronteira.

Agora, numa espécie de antecipação de seu mandato, Denarium tem as mãos liberadas para aumentar a já escandalosa militarização e repressão contra os imigrantes venezuelanos, que serve como uma máscara para esconder a grande crise do estado, onde salários de servidores estão atrasados há meses e os serviços públicos estão abandonados ao caos. Culpam os imigrantes, quando a realidade é que estes sobrevivem à margem de qualquer assistência real, muitas vezes ocupando postos de trabalho em regimes análogos à escravidão nos latifúndios próximos da fronteira. O discurso da extrema-direita, reafirmada na vitória de Bolsonaro e de seus apoiadores nas últimas eleições, que atribui aos refugiados as mazelas sentidas pelos trabalhadores é repudiável e só busca esconder que são os capitalistas e seus representantes nos governos os responsáveis pela crise social. Ernesto Araújo é a representação do Itamaraty no que este discurso asqueroso representa, em um vergonhoso e escancarado seguidismo dos passos de Trump na arena internacional. É demagógica sua menção de “acolhimento” aos venezuelanos, assim como o demonstra a defesa pútrida de Bolsonaro de campos de concentração para receber estes mesmos refugiados.

A questão imigratória é no Brasil e no mundo um espelho da profunda crise internacional eclodida em 2008. Venezuela, Haiti, Honduras e muitos outros países sofrem com ação predatória dos países imperialistas que buscam contornar os efeitos da grande crise que sua ganância gerou, espoliando ainda mais os países periféricos. Não à toa são venezuelanos e haitianos a maioria das centenas de milhares de imigrantes que hoje vivem em situações ultra precárias no nosso país, junto ao setor mais vulnerável da classe trabalhadora brasileira, nas gigantes favelas das grandes capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, ou nas cidades fronteiriças, como Pacaraima, Boa Vista e Manaus. Assim como não é por acaso que os imigrantes hondurenhos e mexicanos compuseram a caravana de mais de 6 mil, recebida a bomba, gás e tiros por Trump.

O ódio aos imigrantes é parte do ódio de Bolsonaro contra toda a classe trabalhadora, através das reformas como a previdenciária, do saque de nossos recursos naturais, privatização de grandes estatais e sangria das riquezas nacionais em prol da fraudulenta dívida pública, além da divisão entre os oprimidos, fazendo do irmão de classe estrangeiro um inimigo e bode expiatório. Mas não aceitaremos essa política xenófoba e exploratória que só tem como objetivo nos massacrar em benefício do entreguismo aos EUA de Trump.

Na contramão deste futuro governo, nós trabalhadores brasileiros devemos estar na primeira fila de solidariedade aos imigrantes, defendendo que estes tenham em nosso país seus direitos assegurados, como o de livre trânsito pelas cidades, acesso gratuito e irrestrito à saúde e educação, transporte gratuito para que possam se estabelecer, abrigos auto-organizados junto a profissionais que lhes forneçam apoio jurídico, assistencial e psicológico. Assim como o direito a repatriar suas famílias em território brasileiro. Esses direitos e defesa dos imigrantes deve ser tomado numa ampla campanha dos movimentos sociais, partidos e organizações de esquerda, bem como dos movimentos de trabalhadores e estudantes de nosso país. Nenhum ser humano é ilegal e a nossa classe é uma e sem fronteiras.




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