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ATAQUES E CINISMO

Ataques na Argentina: todos unidos contra os salários e para garantir o pagamento da dívida

O presidente reinvindicou o recorte de 25% para trabalhadores suspensos. Governadores, empresários e a CGT apoiam o governo para pagar a dívida e seguir golpeando aqueles que menos possuem.

terça-feira 5 de maio| Edição do dia

Nesta segunda feira pela tarde Alberto Fernández, junto a seu ministro da Economia Martín Guzmán, celebraram em uma reunião em que foram convocadas distintas entidades empresariais assim como representantes da CGT para discutir, entre outros pontos, o problema do pagamento da dívida, em uma jornada que esteve marcada pelo rechaço de grupos acionistas a aceitar a proposta "Argentina".

Quando do término da reunião, desde a Casa Rosada foi emitido um comunicado que deixava claro ao que se devia esta unidade: "Essa mesa demonstra a vocação de estarmos juntos", lhes disse o Presidente, ao mesmo tempo qualificando de "histórico" o acordo salarial que assinaram entre as partes (UIA e CGT) na semana passada.

Lembramos aqui que o acordo mencionado por Fernández garantia um corte salarial de nada menos que 25% do salário para todos os trabalhadores suspensos, ao mesmo tempo que dava via livre às patronais para, justamente, suspender massivamente a todos aqueles trabalhadores que, buscando exercer a quarentena colocada pelo governo, se encontram nesse momento sem poder trabalhar. Um verdadeiro golpe ao bolso das famílias trabalhadoras. Tanto é assim, que em termos percentuais é ainda mais do que foi perdido durante os 4 anos de governo Macri.
Alberto Fernández qualificou de histórico o acordo de cortes salariais assinado pela CGT e pela UIA. De um golpe reduziram a renda de milhões de trabalhadores enquanto não tocam nem ao menos em um peso dos bancos, e subsidiam os empresários.

Vale destacar que com "vocacão de estar juntos" o mandatário se refere aos representantes das distintas entidades patronais e da CGT presentes no encontro. A UIA, a Sociedad Rural Argentina, a Asociación de Bancos Argentinos, a Bolsa de Comercio de Buenos Aires, foram algumas das instituições representantes do setor patronal que estiveram presentes.

Por parte da CGT estavam presentes Héctor Daer, da Federación de Asociaciones de Trabajadores de la Sanidad Argentina (FATSA); Carlos Acuña, do Sindicato de Obreros de Estaciones de Servicio, Garages, Playas de Estacionamiento Y Lavadores de Autos ( SOESGyPE); e Gerardo Martínez, da Unión Obrera de la Construcción de la República Argentina (UOCRA), entre otros dirigentes sindicais.

O governo busca encontrar motivos para "festejar" um acordo que, com a ameaça latente de perda de postos de trabalho, possa garantir e justificar que os que percam sigam sendo os mesmos, os trabalhadores. Sobre tocar os lucros patronais, melhor deixar quieto. Sem ir tão longe, acerca da tão mencionada taxação das grandes fortunas não há maiores novidades.

Todos juntos para não deixar de pagar a dívida pública

Nesta segunda feira de intensos ataques, importantes setores acionistas aproveitaram para pressionar o país, a poucos dias de que vença a oferta apresentada no mês passado pelo Governo Nacional. Se trata de 3 grupos diferentes compostos por 18 fundos de inversão distintos. Em um comunicado conjunto manifestaram o de sempre: querem mais. Pressionam para tentar levar uma porção maior pela força da especulação.

Com pressa, o Governo também aprovou, nessa segunda carregada de gestos enganadores, uma solicitação intitulada "Argentina, um futuro possível". Assinaram todos os governadores do país, com a exceção do puntano Alberto Rodríguez Saa. Desde o direitista Morales, passando por Larreta, até Alex Kicillof. Todos juntos para garantir que Argentina não vai deixar de pagar a dívida.

No mesmo documento afirmam: "A República Argentina procura diante da comunidade internacional um plano de pagamento sustentável e verdadeiro, feito com base na capacidade de pagamento do país, tanto no curto como no médio e longo prazo, desfazendo qualquer tipo de especulações."

Se a proposta do governo busca atrasar os pagamentos da dívida e procura uma redução no montante de juros, o que não se põe em discussão é a vontade do pagamento pelo conjunto do arco político.

Esta decisão pinta de corpo inteiro a todos estes (Governo e oposição) em uma situação como a atual. Seguir pagando a dívida, custe o que custar, enquanto define um corte drástico dos salários ou outorga um auxílio de emergência de apenas 10.000 pesos por família (muito abaixo da linha da pobreza), algumas das quais estão tendo que esperar mais de dois meses para poder receber. Estes acordos demostram que para eles a unidade é em prol de favorecer sempre a mesma classe.

Diante da unidade dos de cima, é cada vez mais urgente a necessidade dos trabalhadores não naturalizarem esse saque. Deixar que se pague a dívida externa ou afetar o lucro dos mais ricos do país com um imposto das grandes fortunas, como o que propõe a Izquierda, são algumas medidas elementares para fazer frente a esta crise, e que seu peso não caía sobre as costas dos mesmos de sempre.
É uma tarefa do conjunto dos trabalhadores e de sua organização enfrentar este roubo de suas conquistas e de seus direitos, que os de cima querem nos impor.

Publicado originalmente no La Izquierda Diario.




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