Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Ataques contra a aposentadoria produzem corrida de pedidos e fila no INSS

São quase dois milhões de brasileiros à espera de resposta do INSS.O primeiro impacto nefasto da reforma da previdência já se pode sentir com uma corrida dos pedidos para se antecipar aos ataques impostos pela reforma.

terça-feira 14 de janeiro| Edição do dia

A tramitação da reforma da previdência, e sua posterior aprovação, fizeram com que muitos brasileiros corressem para entrar com o pedido de aposentadoria no INSS buscando se antecipar aos ataques da reforma que irá aumentar a idade mínima para acesso ao benefício, entre outras regras de transição.

Essa corrida detonou a já saturada estrutura do INSS. Em todo o país, são quase dois milhões de brasileiros à espera de resposta do INSS; 500 mil pedidos aguardam documentos que dependem do segurado, mas os outros estão parados por falha no sistema do instituto.

Dessa forma, milhares de brasileiros se veem prejudicados sem conseguir ter acesso a seus benefícios de direito. Mesmo pedidos simples, como licença-saúde ou maternidade, estão em atraso, ou até mesmo meras renovações. Pessoas que dependem dessa renda, que na maioria dos casos não estão em condições de buscarem outra alternativa para se sustentarem, ficam impedidas pela burocracia do Estado.

O problema vem escalando desde o ano passado e o governo Bolsonaro, enquanto estava obcecado em aprovar a reforma da previdência para restringir o acesso ao direito à aposentadoria, não se preocupou em buscar uma solução para o problema. A defasagem de condições do INSS para atender a imensa carga de pedidos é um problema estrutural, que se liga a falta de servidores necessários.

No dia de hoje, o governo revelou que pretende empregar militares da reserva para ajudar no atendimento dos pedidos e na redução das filas. A solução "tapa-buraco" do governo não corrigirá essa situação de sobrecarga, que se dá em muitos outros serviços públicos, que também são sucateados de forma consciente. Essa solução nem sequer resolverá a questão conjuntural, pois muitos dos procedimentos demandam o emprego de pessoas técnicas e especializadas.

Calcula-se que o órgão possui atualmente 19 mil cargos desocupados, porém o governo ainda não autorizou a realização de edital para novo concurso.

A reforma da previdência não foi a única frente de batalha do governo para restringir o acesso dos trabalhadores aos seus direitos. A consciente precarização do INSS foi outra forma para isso. O que vai ao encontro de políticas do governo como realização de pente-fino no INSS para encontrar situações de fraude, com o pagamento de premiações e metas para os funcionários.

O plano geral de atuação do governo para esse ano passa por atacar os servidores e o serviço público, através da nefasta reforma administrativa que deve agravar situações como essa. Como vemos, a precarização dos serviços públicos vai de mãos dadas com a perda de direitos dos trabalhadores.




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