Cultura

RACISMO

Ataque racista em exposição de arte indígena: "Lamentável e triste", desabafa artista

quarta-feira 24 de julho| Edição do dia

Obras de arte, em sua maioria indígenas, foram vandalizadas na última semana. Os organizadores acreditam que o ataque tenha sido motivado por racismo. Obras estas que faziam parte da exposição na Mostra M’Bai de Artes Plásticas, no Centro Cultural Mestre Assis, em Embu das Artes. Em homenagem ao Ano Internacional de Línguas Indígenas, o objetivo da Mostra é contribuir na conscientização da necessidade de se preservar, revitalizar e promover as línguas e linguagens indígenas no mundo.

Nesta segunda-feira (22), uma comissão de artistas se reuniu com representantes da Prefeitura de Embu para tratar do problema e garantir que a exposição seja reativada.

“Agrava a seriedade do ataque a sensível possibilidade de que tenha sido motivado por racismo, um horrível crime de ódio, pois a exposição busca inaugurar um processo de maior visibilização da arte indígena, e os danos foram quase em sua totalidade dirigidos às obras desses povos originários”, diz trecho de publicação da curadora da mostra, Margarith Foga, na página da exposição, no Facebook.

Margarith ainda ressalta a importância de enxergarmos a situação sob o prisma de que vivemos sob o governo de Bolsonaro , inimigo declarado dos povos indígenas e quilombolas: “Tudo isso pode ter motivado essa ação criminosa que atingiu o coração da classe artística da nossa cidade.”

A obra o ‘M’Boy’, da artista Camila Gallo, uma das obras que foi alvo do ataque, foi bastante danificada e a artista desabafou em sua rede social: “Não bastasse as facadas da vida, minha obra foi atacada, esfaqueada no rosto e no peito. Como dói toda essa manifestação de repúdio à arte e à cultura indígena, em memória ao meu avô materno, um Tapuia que amava a todos. Lamentável e terrível”.

E os ataques à arte na cidade não foram direcionados somente à Mostra. A obra Tributo aos Orixás, que continha várias miniaturas, teve peças roubadas no início do mês. O autor da obra, Marcos Roberto recolheu o trabalho após o roubo. Outro ataque foi contra a escultura Serafina Nordestina, da artista plástica Helaine Malca que estava exposta na Praça das Artes, foi encontrada quebrada no chão.

Eis mais um dos reflexos da política racista de Bolsonaro, que por diversas vezes já fez e faz questão de deixar claro seu plano nefasto em dizimar os povos indígenas, rifando suas terras e suas vidas em prol dos interesses e do lucro do agronegócio. Com as mãos sujas de sangue, segue atacando todo o conjunto da população, descarregando nas costas das mulheres, negros , LGBTS , jovens e trabalhadores o ódio contra qualquer um que pense e se comporte fora dos padrões morais e abjetos que vomita Bolsonaro, a bancada evangélica e os crápulas que os seguem.




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