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LIBERDADES DEMOCRÁTICAS

Ataque a Myriam Bregman: covarde ameaça e amplo repúdio

À ligação intimidadora contra a deputada nacional da Frente de Izquierda, seguiu-se um repúdio de jornalistas e representantes dos direitos humanos, sindicais e de todo o arco político nacional.

quinta-feira 8 de setembro| Edição do dia

Ontem, após às 13h30, minutos depois de Myriam Bregman regressar de sua intervenção na comissão de Legislação do Trabalho, tocou o telefone no escritório 914 do Anexo A da Câmara de Deputados, localizado na esquina da Rivadavia e Riobamba da Cidade de Buenos Aires.

“Esquerdista de merda, vamos fazer merda com você”, disse, sem se identificar, uma voz masculina do outro lado do telefone. E cortou. Minutos depois, a deputada do PTS - Frente de Izquierda denunciou a ameaça em sua conta do Twitter.

Também publicou no Facebook. E junto à denúncia difundiu uma cópia da carta que imediatamente enviou ao presidente da Câmara, o deputado do Cambiemos, Emilio Monzó. Ali, após relatar os fatos, solicitou ao titular da Câmara Baixa que se utilizem “de forma urgente as medidas tendentes a determinar a origem do mesmo, como um pedido de informes à empresa telefônica que presta serviços” ao Congresso, “para que entregue um detalhamento das ligações” encaminhadas ao escritório ontem nessa franja horária, “assim como os registros internos que puderem dar conta da origem da ligação intimidadora”.

A notícia correu como fumaça nas redes sociais e não tardou a chegar às mídias de todo o país.

“Estava na reunião da comissão que está discutindo primeiro emprego e ali denunciei duas coisas: a flexibilização que implica essa lei e que meus companheiros do sindicato de petroleiros de Avellaneda não puderam participar das eleições porque não deixaram com que apresentassem a lista”, relatou Bregman ao diário Clarín.

“Os companheiros petroleiros não puderam apresentar lista para participar das eleições porque, por mais que estivessem em tempo e forma, o sindicato que conduz o deputado Alberto Roberto, que é justamente presidente da Comissão de Legislação do Trabalho, estava literalmente fechado”, acrescentou a deputada ao La Izquierda Diario.

Como afirmou a legisladora a vários meios, após dez minutos em seu escritório recebeu a mensagem intimidadora.

A Crónica TV repetiria durante a tarde: “Ameaçaram de morte a legisladora Myriam Bregman”.

Tanto os grandes meios de comunicação como uma ampla rede de rádios e portais comunitários e alternativos (companheiros de luta de Bregman) replicaram a notícia, assim como o massivo repúdio que rapidamente se espalhou. Jornalistas, personalidades e organizações de direitos humanos, sindicais e políticas tornaram público o rechaço à ameaça e o apoio solidário à deputada do PTS-FIT.

Amplo repúdio e extensa solidariedade

“Myriam, repudiamos energicamente as ameaças telefônicas que você recebeu e lhe enviamos toda nossa solidariedade. Um abraço forte e militante”, disseram desde a Asociación de Ex Detenidos Desaparecidos.

“Faço chegar minha incondicional solidariedade a Myriam. Talvez seja apenas mais uma mostra do clima de barbárie imperante, mas não podemos deixar passar”, manifestou o sociólogo, ensaísta, docente e investigador Eduardo Grüner.

“Minha solidariedade e abraço à companheira Bregman”, somou-se o advogado constitucionalista Eduardo Barcesat.

As expressões solidárias à ex-candidata a vice-presidente da Frente de Izquierda (que compartilhou fórmula com Nicolás del Caño), não cessaram durante todo o dia.

O âmbito parlamentar se viu transtornado pela tentativa de intimidação à deputada nacional. Declarações de repúdio levaram a assinatura de Alcira Argumedo do Proyecto Sur; Leonardo Grosso, Lucila de Ponti, Andrés Guzmán, Araceli Ferreyra, Silvia Horne e Remo Carlotto do Peronismo para la Victoria; Victoria Donda, Federico Masso e Graciela Cousinet do Libres del Sur; Gabriela Troiano, Lucila Duré, Hermes Binner e Alicia Ciciliani do Partido Socialista; Juan Manuel Huss, Andrés "Cuervo" Larroque, Wado de Pedro e Héctor Recalde da Frente para la Victoria; Carlos Heller do Partido Solidario; José Luis Patiño do PRO; Juan Brügge da Frente Renovadora; Karina Banfi da UCR; Oscar Martínez do Movimiento Solidario Popular. A ele se somaram o legislador portenho Pablo Ferreyra, o ex-deputado e ex-legislador Luis Zamora da Autodeterminación y Libertad, o ex-deputado kirchnerista Roberto Feletti e o ex-deputado do ARI Héctor "Toti" Flores.

Também desde legislaturas provinciais se fez chegar o repúdio. Foi o caso de Córdoba, onde em instâncias da deputada Laura Vilches se pronunciou uma quinzena de deputados de distintos blocos e finalmente por unanimidade o Parlamento provincial votou o repúdio às ameaças.

Como era esperado, todas as referências da Frente de Izquierda manifestaram seu repúdio e exigiram o esclarecimento dos fatos. Tanto seu companheiro do PTS Nicolás Del Caño como os legisladores da Frente de Izquierda pelo Partido Obrero Pablo López, Néstor Pitrola e Soledad Sosa se somaram à denúncia de Bregman.

Ao final do dia, um grupo de deputadas e deputados nacionais de vários blocos tornou público um comunicado de repúdio ao mesmo tempo em que, nas instâncias de Alcira Argumedo, difundiu-se entre todas as bancadas um projeto de resolução para que a Câmara Baixa expresse seu “profundo rechaço diante de ameaças telefônicas”, já que, “como legisladores não podemos menos que nos solidarizar com a colega intimidada”.

Por Twitter e Facebook se pronunciaram desde o juiz Juan Ramos Padilla até a investigadora Victoria Basualdo, passando pela figura de Correpi María del Carmen Verdú, a advogada Guadalupe Godoy, Graciela Rosenblum, Norma Ríos da APDH, María Laura Bretal, a APDH La Plata, o histórico mineiro de Río Turbio Ricado Bordón, Gustavo Lerer do Hospital Garrahan, a Frente Popular Darío Santillán, a Unión de Trabajadores de la Educación (UTE), a CTA da Cidade de Buenos Aires, o Consejo Directivo de ATE Capital, Marcelo "Nono" Frondizi, a CTA da zona norte, Claudio Marín de Foetra, a Asociación Judicial Bonaerense de San Isidro e a Asociación Gremial de Trabajadores do Subte y Premetro.

Desde o grêmio da imprensa, chegou o repúdio de Adriana Meyer, La Interradial, Alejandro Bercovich, Tomás Eliaschev, Alejandro Wall, Iván Schargrodsky, Gustavo Pecoraro, Romina Manguel, Liliana López Foresi, Leandro Illia, Florencia Etcheves, Ángela Lerena, Bruno Bimbi, Luciana Peker, Ezequiel Orlando, Carina López Monja, Gustavo Molina, Marcelo Silva e Lorenzo Pisarello, entre outros tantos.

Resposta oficial?

Dando conta da gravidade do fato, a ministra de Segurança da Nação Patricia Bullrich tornou pública a aparente preocupação do Governo. “O Ministério de Segurança se comunicou com Myriam Bregman para nos por à disposição e investigar a origem das ameaças. Toda a ameaça de (sic) investiga”, disse desde sua conta do Twitter Bullrich.

Quem se comunicou com Bregman foi o secretário de Segurança, Gerardo Milman. E também por essa rede social assegurou que desde esse ministério vão “perseguir aqueles que ameaçam a todos os cidadãos argentinos” (sic).

O governo de Mauricio Macri mostrou grande rapidez para encontrar o suposto “hacker” da UADE que, supostamente, falsificava notas de exames desde sua casa. Também exibiu um alto nível de perseguição e criminalização contra dois jovens que, segundo a ministra Bullrich, dirigiram “mensagens ameaçadoras” contra o Presidente pelo Twitter.

No caso da ameaça a Bregman, realizada por linha telefônica fixa a um escritório da Câmara de Deputados em horário de plena atividade parlamentar, vale se perguntar quanto deveria demorar o Governo para identificar os responsáveis.

Bem, levando em conta quem foi a destinatária da ligação, é inegável que a ameaça foi dirigida não a uma pessoa somente, mas ao povo trabalhador de conjunto. Atacar uma lutadora da classe operária, dos direitos democráticos e dos direitos das mulheres é, de fato, enviar uma mensagem intimidadora a essas causas populares.

Por isso, é mais do que pertinente duvidar das promessas de Bullrich e Milman. Tanto porque são eles mesmos quem realizam desde há meses mil ameaças repressoras (quando não a repressão direta) contra aqueles que lutam por demandas elementares e, como não poderia ser de outra maneira, encontram-se sempre com Myriam Bregman na rua.

Tradução: Vitória Camargo




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