Educação

#28A

Associação patronal das escolas privadas publica matéria paga contra paralisação do 28A

Em mais uma demonstração de desespero da patronal frente à força dos trabalhadores no 28A, a Associação Brasileira de Escolas Particulares (ABEPAR) divulgou uma matéria paga contra a paralisação dos professores. Segundo eles, "28 de abril deverá ser um dia letivo normal".

Fernando Pardal

@fepardal

terça-feira 25 de abril de 2017| Edição do dia

Não satisfeitos com todos a intimidação e assédio moral contra os professores das escolas particulares que estão aderindo massivamente à paralisação do 28 de abril, a associação dos donos de escolas resolveu emitir um comunicado público com matéria paga em diversos veículos de comunicação para dizer que não pretende respeitar o direito de greve dos professores e demais trabalhadores das instituições de ensino.

Seu cinismo é impressionante. Dizem que há setores sociais que "questionam o conteúdo" e outros que "consideram louváveis" as iniciativas das reformas de Temer que atacam os principais direitos dos trabalhadores, e que são "manifestações legais e aceitáveis nas sociedades democráticas, previstas inclusive na Constituição Federal".

Apesar de toda essa "firula democrática" em seu comunicado pago, dizem que a manifestação pública não pode impedir "o direitos de outros cidadãos em garantir a seus filhos a possibilidade de frequentar a escola nos dias letivos previamente marcados." e que "o aluno deve estar sempre em primeiro lugar."

Diante disso, afirmam que "A hipótese de interrupção das aulas nas escolas particulares no próximo dia 28 de abril, proposta pelo Sindicato dos Professores de São Paulo (SinproSP), não é aceitável para a Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar)."

Vemos aí o limite da "democracia" da Abepar: os seus lucros. Cabe lembrar que o direito de greve é previsto na Constituição Federal citada pela Abepar. E que exercer esse direito não é uma "hipótese" que os trabalhadores levantam e necessita ser "sancionada" pelos patrões.

A demonstração de força que os trabalhadores das escolas privadas estão dando está deixando de cabelos em pé os donos das escolas, empresários que transformam o direito à educação em uma mercadoria, e que estão assustados com a organização dos professores que exploram para gerar seus lucros. Para eles, é claro, as reformas de Temer são muitíssimo bem-vindas: levarão a que possam lucrar ainda mais sobre uma categoria que, em geral, já sofre de regimes precários de trabalho.

A prática de contratar professores como "pessoas jurídicas", ou seja, de cortar seus direitos trabalhistas ao fazer uma manobra jurídica que camufle seus vínculos empregatícios com as escolas, é apenas uma dentre tantas formas populares de aumentar a exploração sobre professores. Práticas como essa - hoje ilegais, apesar de raramente punidas pela justiça patronal - são facilitadas e referendadas por exemplo pela regulamentação da terceirização aprovada por Temer. Por isso, é absolutamente hipócrita a colocação da Abepar em sua nota, quando afirma que "as manifestações envolvem temas que nada têm a ver com as escolas e com a relação entre as escolas e os professores, o que torna ainda mais incompreensível a hipótese de paralisação."

As reformas que estão sendo feitas por Temer tem a ver com toda a classe trabalhadora brasileira, e por isso é exemplar o que estão fazendo os professores ao se organizar em cada escola, já chegando a mais de cem apenas em São Paulo, para lutar ombro a ombro com os trabalhadores de outras categorias, seus irmãos de classe.

Mas a organização dos trabalhadores nas escolas ameaça esses patrões, donos de escolas, não apenas por enfrentar ataques de Temer que os beneficiam diretamente, mas também porque se estão organizados hoje contra as reformas de Temer, podem se organizar amanhã também contra ataques a seus direitos e a exploração específica que ocorre cotidianamente dentro dos muros das escolas.

Por esse desespero eles investem seu dinheiro em veicular uma matéria paga nos jornais, chegando a ameaçar explicitamente os professores ao dizer que "se efetivado [a paralisação], representaria quebra nas relações contratuais dos professores com as escolas e destas com a comunidade de pais e alunos."

E, mais uma vez, com cinismo deslavado, concluem dizendo que "A hipótese de prejudicar a rotina escolar e a vida dos alunos e suas famílias certamente não agrada aos professores. Daí a confiança da Abepar quanto a termos um dia letivo normal em 28 de abril."

Os verdadeiros interessados em educar os alunos são e sempre serão os professores, e não os empresários que fazem da educação uma mercadoria e lucram com a exploração do trabalho de professores e demais funcionários em suas instituições, e que estão do lado dos que apoiam as reformas de Temer.

Não é surpreendente que sejam esses mesmos empresários da Abepar que apoiem a reforma do Ensino Médio feita por Temer, e que os membros dessa associação sejam diretores de algumas das escolas mais caras de São Paulo, como o Colégio Bandeirantes ou o Móbile.

Prestamos todo nosso apoio aos professores e saudamos sua organização em cada escola para paralisar nesse dia 28! Consideramos que é fundamental preparar uma greve geral até derrubar Temer e as reformas! Estamos ao lado dos trabalhadores das escolas contra a chantagem e as ameaças dos patrões!




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