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REFORMA DO EM

Associação Brasileira de Educação Musical repudia a reforma do Ensino Médio e o governo de Temer

A comissão da reforma do Ensino Médio a partir da Medida Provisória 746/2016 tem como presidente o deputado Izalci, autor do projeto da Escola Sem Partido. Como se isso já não fosse temeroso, a relatoria da reforma ficou com o senador Pedro Chaves, que apesar de ter certa experiência na área da educação, tendo sido inclusive reitor da UNIDERP, demonstrou uma ignorância muito grande ao afirmar que "a aceitação de professores com notório saber caberá apenas para as áreas em que não há formação acadêmica própria, como a música."

terça-feira 25 de outubro| Edição do dia

A Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM) publicou na última sexta-feira, 21 de outubro, em resposta a essa afirmação uma carta de repúdio certeira que elucida como se dá a formação acadêmica em música no Brasil, além de se posicionar contra a MP 746/2016 e o governo golpista de Temer.

De acordo com a carta da ABEM, o Brasil possui mais de 150 cursos de licenciatura em música, cerca de 100 cursos de bacharelado e 17 programas de pós-graduação com cursos de mestrado profissional, mestrado acadêmico e doutorado. Além disso, há um curso de licenciatura em música na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Estado do senador, desde 2002. Dessa forma, não tem como dizer que a música é uma área que não possui formação acadêmica própria.

Existe um desconhecimento popular com relação à formação acadêmica em música. Muitas pessoas se espantam quando descobrem que curso eu faço, por não saber que existe graduação em música; não é uma área que tem uma grande divulgação ou prestígio nas escolas, infelizmente. Porém, é inadmissível que o relator da comissão de reforma do Ensino Médio mostre tal desconhecimento.

A música ainda não é uma disciplina na escola pública, apesar de todo o esforço das últimas décadas. Embora a Lei 11.769/2008 determine a obrigatoriedade da música nas escolas, ela faz parte do conteúdo da disciplina de Arte junto com as outras três linguagens: artes visuais, dança e teatro. A polivalência - ter professoras/es que ensinam todas as artes - está longe de ser o ideal e lutamos para que a música torne-se uma disciplina, com docentes com formação específica. É um retrocesso muito grande precisar interromper essa batalha para lutar pela continuidade da disciplina de Arte no Ensino Médio. E é um absurdo precisar afirmar que a música possui formação acadêmica.

Além da carta de repúdio à declaração do senador Pedro Chaves, no dia 23 de setembro, um dia após a divulgação da MP, a ABEM publicou também uma nota se posicionando a respeito da mesma. Ela lembra que nas últimas décadas vinha se consolidando no Brasil uma educação democrática e com saberes direcionados à formação humana. A proposta de reforma do Ensino Médio é uma agressão à educação brasileira; um desrespeito a alunos, professores, pais, estudiosos da educação e à toda a sociedade.

As notas da ABEM podem ser conferidas nos seguintes links:
http://www.abemeducacaomusical.com.br/artsg2.asp?id=138
http://www.abemeducacaomusical.com.br/artsg2.asp?id=139




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