Sociedade

SÃO PAULO

Assistente social é presa pela polícia em ação truculenta na Cracolândia

Uma assistente social, que faz parte de uma ONG que presta serviço à Prefeitura de São Paulo e observava uma ação truculenta da polícia, foi detida por volta das 16h30 desta terça-feira, 20, nas imediações da nova Cracolândia, no centro da capital.

quarta-feira 21 de junho| Edição do dia

Segundo três colegas da assistente social, ela havia visto um grupo de quatro policiais abordar duas jovens que aparentavam ter menos de 18 anos. "Ela viu que uma das meninas levantou a blusa, para ver se elas não estavam armadas, e decidiu ficar lá para acompanhar, porque não havia nenhuma policial mulher junto", contou uma amiga.

Na hora, os assistentes sociais se preparavam para começar as abordagens aos dependentes da Cracolândia do fim da tarde, que resulta no encaminhamento de parte deles para albergues e atendimentos noturnos. Os policiais, entretanto, não teriam gostado da aproximação da assistente social, ainda segundo o relato dessas colegas. "Eles pediram o RG dela, mas ela mostrou o crachá."

O crachá tem o logotipo da Prefeitura, o nome da mulher e o número do seu RG. Mas os policiais não teriam aceitado aquela identificação e detiveram a assistente social. "Um deles falou para mim que ela estava sendo presa por desobediência, porque não mostrou o RG. Depois, falaram que ela estava sendo presa por desacato", disse uma das testemunhas. "Ela não queria ser levada. Então eles puxaram ela para dentro da viatura, ela ficou só de sutiã", conta outra testemunha.

Essa caça aos assistentes sociais teria começado após as ações de Dória para acabar com a Cracolândia, que foi classificado como uma barbárie pelo Conselho de Psicologia de São Paulo, bastante retrógrado e punitivista quanto aos métodos, um passo atrás na luta antimanicomial, desrespeitando direitos básicos dos usuários.

É mais um exemplo de qual é o objetivo de Dória e de seu plano de “reurbanização da cracolândia”, que só provoca caos, aprofundando ainda mais um problema de saúde pública, e fazendo com a região central, onde era situada a cracolândia seja um espaço para a especulação imobiliária, fazendo as parcerias público-privadas, que só significam lucros absurdos para as grandes empresas do ramo de construção civil.

É com esse objetivo de age a polícia de Alckmin e Dória, abrindo espaço para a especulação imobiliária com a “limpeza” das pessoas e da história, tratando com truculência e repressão milhares de pessoas e destruindo patrimônios públicos. Se até mesmo a assistente social que prestava serviço à própria prefeitura, foi detida pelo simples fato de estar por perto, observando a truculência policial, podemos imaginar como é a ação cotidiana da polícia com os moradores da região, agredindo e usando dos piores métodos possíveis de repressão.

Veja nota de repúdio do CRESS-SP à ação da polícia:

É com indignação e repúdio que o CRESS-SP se manifesta através desta nota, ao tomar conhecimento da prisão de uma trabalhadora, que atua na política de assistência social, na abordagem a pessoas em situação de rua, usuárias de crack e outras drogas.

As ações repressoras contra a população de rua e profissionais que atuam na abordagem e encaminhamento das/os usuárias/os aos serviços de atendimento na região têm sido frequentes, com violência desmedida, como a ocorrida na quarta-feira passada, quando a polícia lançou bombas de efeito moral em um dos espaços destinados ao atendimento de pessoas em situação de rua.

O CRESS-SP enquanto autarquia federal que fiscaliza, orienta e disciplina as/os assistentes sociais nas diversas políticas públicas nas quais atuam, não pode deixar de se posicionar contra essa ação arbitrária tendo em vista que nosso compromisso ético-político é pela defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo e no empenho à eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças.

Com essa nota também manifestamos nossa solidariedade à orientadora socioeducativa e todo o nosso respeito a todas/os trabalhadoras/es que tem empreendido esforços para lidarem, sobretudo no último mês, com as ações higienistas, truculentas e autoritárias.

#EmDireitosDaClasseTrabalhadoraNaoSeMexe




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