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Assessora de Trump inventa ataque terrorista nos EUA

A criação de inimigos externos para forjar um falso apoio é prática comum na tradição da política externa americana. Entretanto, para justificar o decreto anti-imigração do Presidente Donald Trump, a assessora Kellyanne Conway extrapolou ao inventar um ataque terrorista que nunca ocorreu nos EUA.

sexta-feira 3 de fevereiro de 2017| Edição do dia

A criação de inimigos externos para forjar um falso apoio é prática comum na tradição da política externa americana. O alarde em cima de atos de terrorismo como tática para a criação de uma paranoia na sociedade com sua consequente adesão a políticas repressivas e autoritárias é fato comum desde o contexto da Guerra Fria, passando por Bin Laden, Saddam Hussein e todos os regimes classificados como “Eixo do Mal”.

Entretanto, a recente declaração de Kellyanne Conway, uma das principais assessoras do presidente Donald Trump, extrapolou os limites do oportunismo político e da distorção.

Para justificar o injustificável, o decreto anti-imigração do presidente, a assessora inventou um ataque terrorista que nunca ocorreu nos EUA, além de citar um suposto veto do ex-presidente Obama a refugiados iraquianos que também não existiu. A declaração foi dada em entrevista nesta quinta-feira (2) à rede MSNBC.

"Eu aposto que é uma informação novíssima para as pessoas que o presidente Obama teve um veto de seis meses a refugiados iraquianos depois que dois iraquianos vieram para este país, foram radicalizados e foram as mentes por trás do massacre de Bowling Green. Isso não foi mostrado", disse Conway.

Não houve, porém, um "massacre de Bowling Green". Conway provavelmente se referia aos iraquianos Waad Ramadan Alwan e Mohanad Shareef Hammadi, que moravam em Bowling Green, no Estado do Kentucky.

Os dois entraram nos EUA em 2009 com o status de refugiados. Dois anos depois, foram presos sob suspeita de terrorismo e condenados a dois anos de prisão após se declararem culpados.

Os dois homens foram monitorados pelas autoridades americanas desde que entraram no país. Segundo documentos do processo, eles disseram a um informante do FBI disfarçado que pretendiam fornecer armas e explosivos para a rede terrorista Al Qaeda no Iraque.

A investigação encontrou impressões digitais de Alwan em um dispositivo explosivo improvisado e concluiu que o processo de checagem durante a entrada de ambos nos EUA não funcionou como deveria.

Em resposta, o governo Obama ordenou que cerca de 58 mil refugiados iraquianos recentemente admitidos no país fossem reexaminados, o que afetou o ritmo de análise de novos pedidos.

O programa de refugiados iraquianos, contudo, não foi interrompido, como foi feito por Trump em relação aos refugiados sírios desde a semana passada.

Não há evidências, ainda, de que a dupla de iraquianos de Bowling Green planejasse um ataque em solo americano. Nenhuma pessoa foi morta por Alwan e Hammadi nos Estados Unidos.

Mais tarde, Conway pediu desculpas em uma rede social, afirmou que se confundiu e que pretendia dizer "terroristas de Bowling Green". Ela não se pronunciou sobre a incorreção em relação ao veto de Obama a refugiados iraquianos.




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