Política

POLITIZAÇÃO DOS MILITARES

Assessor de Toffoli, general Fernando Azevedo, será o ministro da Defesa de Bolsonaro

Fernando Azevedo e Silva foi chefe do Estado-Maior do Exército e passou para a reserva neste ano. Atualmente, o general assessora o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

terça-feira 13 de novembro| Edição do dia

Nesta terça feira (13/11/18) Bonsonaro anunciou por via do twitter a nomeação de mais um militar da reserva no primeiro escalão do seu governo. O ministério da Defesa tem o 5º maior orçamento da Esplanada, com R$ 102,0 bilhões para este ano. O general da reserva comandará também um dos maiores efetivos de pessoal, com 17.846 servidores da ativa. Entre suas atribuições, o nomeado comandará as Forças Armadas.

Desde setembro Fernando Azevedo e Silva é assessor especial de Dias Toffoli presidente do Supremo Tribunal Federal. Ele foi indicado a Toffoli depois de ir para reserva pelo comandante do Exército, general Villas Bôas. Essa indicação causou diversas controvérsias na época. O criminalista José Carlos Dias, ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou que “O convite foi uma má ideia do ministro Toffoli”, “O Supremo jamais precisou de uma assessoria militar. A escolha fica mal para o STF, pois é absolutamente desnecessária”.

A revista Época revelou que Silva participou de um grupo formulador de propostas para a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) e ofereceu almoço ao vice da chapa, general da reserva Antônio Hamilton Mourão. Foi apenas uma reunião de “velhos camaradas”, Silva disse à revista.

Fernando Azevedo e Silva foi ajudante de ordens do ex-presidente Fernando Collor e chefe da assessoria parlamentar do comandante do Exército. Ocupou o posto de comandante militar do Leste e chefe do Estado-Maior do Exército. Ele ainda chefiou a Autoridade Pública Olímpica durante a gestão da presidente Dilma Rousseff. Azevedo e Silva foi contemporâneo de Bolsonaro na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde o presidente eleito concluiu o curso de formação em 1977, um ano depois de seu futuro ministro. Além disso, o general proposto por Bolsonaro para ministro da defesa, desempenhou a função de Chefe de Operações na Missão de Paz da ONU, no Haiti.

A nomeação de Azevedo e Silva como assessor de Toffoli, por indicação de Villas Bôas, já era uma claro sinal de alinhamento entre o STF e as forças armadas que já veem em um largo período sem envolvendo cada vez mais na política do pais. Mas agora a recente nomeação para ministro da Defesa escancara não só esse elemento como as intenções de recrudescimento do governo que Bolsonaro esta levando a frente com a nomeação de um general que organizou a repressão durante as olimpíadas e comandou a ocupação no Haiti, mais também a troca de favores de Bolsonaro e sua equipe com todos que cumpriram papel fundamental para o alavancar de sua campanha eleitoral, assim como o caso de Sergio Moro.




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