UNICAMP

Assembleia histórica da ADUNICAMP derrota posições da direita repressora

Nesta quarta-feira, dia 20, ocorreu Assembleia Extraordinária da Associação de Docentes da UNICAMP, solicitada por professores contrários à mobilização na universidade e defensores de punição aos lutadores. Na presença de em torno de 500 docentes, as propostas da direita foram derrotadas.

quinta-feira 21 de julho de 2016| Edição do dia

Pelo Estatuto da ADUNICAMP, uma Assembleia Extraordinária pode ser requerida quando expressar a vontade de mais de 5% dos sindicalizados. Com mais de 180 assinaturas, o abaixo-assinado entregue à ADUNICAMP por docentes contrários à greve colocou como pautas o encerramento, e não suspensão, da greve docente, o “desmantelamento” da Comissão de Mobilização Docente, e a assinatura de moções que solicitassem à reitoria a apuração de casos que envolvessem agressões contra professores e a garantia de sua segurança. Essas propostas foram derrotadas pela Assembleia.

As greves estudantil e dos funcionários seguem na universidade há mais de dois meses, e já contaram também com a participação dos professores. A desocupação da reitoria da UNICAMP se deu, inclusive, com um acordo com a reitoria de que a Comissão de Mobilização Docente, composta por professores que apóiam a luta discente, poderia acompanhar a apuração das sindicâncias de modo a garantir “a ética do processo”. Ao mesmo tempo, cenas que viralizaram na mídia, como a de semana passada, na qual um professor que tentava aplicar exames com conteúdo não ministrado em aula agrediu estudantes em greve, não são isoladas.

Nesse cenário de polarização, que se liga à conjuntura nacional, a disputa política contra a direita marcou a Assembleia com mais de 500 docentes. As intervenções dos professores de esquerda, em defesa do direito de greve, foram majoritárias e iam no sentido da luta pela universidade pública e da necessidade do diálogo. Houve até mesmos falas que expressavam diretamente o que significa a presença do MBL na universidade e o conteúdo opressor e privatista que defende, associado ao governo Temer, e também a sinalização do inimigo como sendo o governo Alckmin, e não as categorias que também constroem a universidade. A não punição aos lutadores foi posição contundente de uma grande parte dessas intervenções. No momento das votações, uma parte dos professores puxaram palavras de ordem como “Quem luta pela educação não merece punição” e “Fora Temer”.

O professor Sávio Cavalcante, do Departamento de Sociologia do IFCH, declarou ao Esquerda Diário:

“Hoje foi um dia muito importante na história da UNICAMP e da ADUNICAMP. Essa Associação e o movimento docente sempre se pautaram por lutas em defesa da democracia e da universidade pública, e hoje num contexto muito delicado na história do país e na história da universidade a gente teve que entrar em Assembleia com uma pauta muito negativa. A gente teve até uma certa surpresa pelo modo como a própria pauta foi formada porque nos pareceu algo contraditório, contra um caminho que estava sendo seguido que estava pelo êxito de resolver os conflitos e as divergências que existem, mas que podem ser solucionados dentro da comunidade acadêmica, sem uso da força e da repressão. Então eu acho que hoje foi uma vitória desse caminho e dos docentes que querem construir uma universidade pública autônoma de excelência, mas que dê espaço para que as divergências e os conflitos sejam resolvidos de uma forma racional e razoável.”

A vitória nessa assembleia fortalece o campo de todos que defendem a universidade pública. Mais que isso, fortalece a luta daqueles que defendem o acesso, as cotas étnico-raciais, a permanência estudantil, a valorização dos trabalhadores e também a saúde, e remarca a consigna "quem luta por educação não merece punição". Os estudantes seguem em greve com a exigência de que seja retirada a sindicância aberta contra o membro do DCE, Guilherme Montenegro, e também contra as agressões e expressões racistas de uma minoria de professores contra grevistas, bem como contra todas as ameaças feitas aos que ousam lutar nesse movimento histórico.




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