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Assembleia geral dos estudantes da UFCG delibera participar da greve 18M

Ocorreu no dia 16 de março de 2020 às 18 horas na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) a assembleia discente para tratar da participação estudantil na greve geral da educação indicada para o dia 18 de março, a qual foi aprovada por unanimidade.

Kleiton Nogueira

Doutorando em Ciências Sociais (PPGCS-UFCG)

terça-feira 17 de março| Edição do dia

Dentro do marco geral da crise orgânica do capitalismo e da crise sanitária que se alastra pelo mundo com a crise do coronavírus que potencializa as tendências recessivas do sistema, estudantes da UFCG se mobilizaram na noite da segunda feira (16 de Março de 2020) para debater a posição estudantil diante da greve geral que ocorrerá no dia 18 de Março.

No Estado da Paraíba, de acordo com os últimos boletins da Secretaria Estadual de Saúde ainda não foi confirmado nenhum caso positivo para o coronavírus, contudo, diante das recomendações técnicas e epidemiológicas frente à aglomeração de pessoas, ficou decidido em assembleia a adesão dos estudantes a paralisação das atividades no dia 18 de março.

Desde o Esquerda Diário e como Representante discente do Doutorado em Ciências Sociais da UFCG, levantei reflexões pertinentes acerca do atual cenário. Ao entender a crise sanitária no marco da crise orgânica capitalista pontuei a necessidade de compreendermos melhor a situação concreta da realidade brasileira, sem cair no negacionismo bolsonarista e da extrema direita, nem no alarmismo da mídia. Além desses elementos destaquei que o Sistema Único de Saúde brasileiro (SUS) sofre desde o seu nascedouro na década de 1990, com o processo de subfinanciamento crônico, que se aprofunda para um desfinanciamento com a Emenda Constitucional nº 95 aprovada no governo golpista de Michel Temer.

Diante desse ponto concreto, chamei atenção ao fato de que, do ano de 2019 para o de 2020 o SUS deixou de receber cerca de 20 bilhões de reais, o que torna irrisório e de um cinismo sem igual às migalhas que Guedes quer fornecer para o SUS diante da atual crise sanitária no valor de 5 bilhões de reais. Além dessas medidas, cabe salientar a situação de milhares de trabalhadoras e trabalhadores que, mesmo diante de um processo de contágio, serão obrigados a trabalhar. Desde já, chamamos atenção para o caso das Universidades Públicas como a Universidade Federal de Pernambuco; Universidade Federa do Maranhão, Universidade Federal do Paraná, dentre outras, que mesmo com a suspensão das atividades, podem manter funcionários terceirizados em plena atividade. A partir de um ponto de vista crítico, chamamos atenção para a necessidade de fornecer a esses trabalhadores o direito de licença remunerada de forma a não cairmos no engodo burguês das quarentenas e achar que todas as pessoas terão direito a ficar em casa, afinal, vivemos em uma sociedade de classes.

Se a burguesia planeja se manter em quarentena colocando a classe trabalhadora no centro de contaminação nas fábricas e industrias, que os trabalhadores no Brasil lancem como mote a necessidade de paralisação da produção e da circulação, não podemos aceitar que a elite brasileira engorde suas contas bancárias com a geração de mais valor, sacrificando a vida daqueles que produzem. Que o exemplo Italiano das greves espontâneas sirva como ponto de ação e reflexão, e que a crise sanitária recoloque o tema da saúde pública no centro da luta de classes através de uma perspectiva transicional e anticapitalista.




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