BRASÍLIA / UNB

Assembleia dos estudantes na UnB ocorre após semana de intensas mobilizações contra Bolsonaro

quarta-feira 24 de outubro| Edição do dia

[Foto autor não identificado]
Na última terça-feira, dia 23, os estudantes da Universidade de Brasília se reuniram em assembleia para discutir a atual situação política do país. Esse grande encontro ocorreu depois de uma semana de intensas mobilizações no campus contra Bolsonaro e sob um clima de ameaças da extrema-direita após a depredação de livros sobre direitos humanos do patrimônio da biblioteca da universidade.

Durante as falas, a extensa maioria registrou um grande repúdio ao papel cumprido pelo DCE, cuja gestão está sob controle da Aliança pela Liberdade. O motivo da revolta dos estudantes foi a nota publicada por esse grupo abertamente de direita, negando a dar apoio a um ato contra Bolsonaro que ocorreu na semana passada na UnB. Citando a seu favor um suposto valor de apartidarismo, a Aliança declarou que a passeata era uma “agressão a nossa essência, que trabalha contra o aparelhamento político-partidário das representações estudantis”.

Diante desse argumento absurdo, os estudantes denunciaram que declarar uma neutralidade no cenário de golpe em que vivemos é também um ato político. Ser apartidário diante de eleições manipuladas por um judiciário que não tem nenhum pudor na hora de favorecer o projeto de extrema-direita de Bolsonaro é, de fato, uma tomada de posição. Dessa forma, uma das mais importantes entidades de representação estudantil da região se nega a cumprir seu papel histórico de luta e favorece assim a ascensão de pautas reacionárias de ataques frontais à classe trabalhadora.

Em razão disso, é evidente que uma frente ampla “até com o golpismo”, como foi dito por militantes da UJS (juventude do PCdoB), é inviabilizar uma estratégia verdadeiramente revolucionária de resistência contra a extrema-direita. Afinal, serão grupos como a Aliança pela Liberdade que apoiarão a perseguição dos estudantes e trabalhadores na hora em que as grandes mobilizações tomarem conta da universidade, assim como a própria Aliança fez em 2016 com as ocupações. Votar em Haddad não é e nem pode significar um apoio ao programa falido de conciliação de classes do PT, que abriu espaço para direita e favoreceu como nunca os banqueiros com o esquema ilegítimo da dívida pública.

Tampouco pode significar uma adoção do seu horizonte meramente eleitoreiro, que apoiado no canto da sereia do “enfrentar o Bolsonaro nas urnas e nas ruas” considera que essas mesmas ruas só servem para empurrar a luta de classes para as urnas, sem avançar um centímetro sequer em direção a uma organização de base dos trabalhadores contra a extrema-direita.É por isso que o atual desafio para o movimento estudantil da UnB é conseguir incendiar a classe trabalhadora, mostrando que, contra a base social de Bolsonaro que se moraliza, a aliança entre operários e estudantes pode ser uma força social imparável.

Esse polo ativo terá o papel crucial de preparar o enfrentamento contra os atores econômicos, políticos, militares e sociais que saíram de seus bueiros definitivamente e que farão pesar contra nós a crise capitalista, mesmo no improvável cenário de Bolsonaro perder.

Para essa estratégia se concretizar, é preciso criar um Comitê contra Bolsonaro na universidade para que os estudantes possam organizar a luta e levar aos terceirizados e aos locais de trabalho de Brasília um programa para que sejam os capitalistas a pagarem pela crise e que combata a saída ultraneoliberal que é defendida por essa extrema-direita e sua ideologia conservadora destiladora de ódio contra as mulheres, o povo negro e os LGBTs. A força dos mais de 200 estudantes que aprovaram, ao final da assembleia, um posicionamento a favor da candidatura do Haddad tem que ser levada, ao lado dos trabalhadores, para o único terreno em que será possível triunfar: a luta de classes.




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