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Assembleia dos estudantes do Teatro da UFRN rechaça semestre complementar da reitoria

Reproduzimos a carta dos estudantes de Teatro da UFRN, aprovada em assembleia de curso, onde repudiam a proposta da PROGRAD da UFRN de implementar um semestre complementar em modalidade EAD em meio a pandemia do coronavírus.

sábado 30 de maio| Edição do dia

Uma importante iniciativa dos estudantes de Teatro da UFRN, que se organizaram em uma assembleia do curso e se colocaram contra a proposta da reitoria de avançar com o modelo da EAD na universidade por meio de um semestre complementar. Essa proposta está sendo colocada às pressas por parte da reitoria, sendo apresentada na terça-feira dessa semana e que deverá ser deliberada na segunda-feira, 1/06.

A proposta da reitoria foi anunciada como um "piloto" que anuncia o avanço do EAD sobre a universidade em meio a uma pandemia. O repúdio por parte desses estudantes é fundamental para avançar na discussão sobre qual o papel da ciência e da universidade frente a esse contexto. Portanto é fundamental que exista nesse e nos demais cursos da universidade espaços de discussão o mais amplos possíveis, dadas as limitações do isolamento social.

Veja abaixo a carta desses estudantes:

MANIFESTO DOS/AS ESTUDANTES DO CURSO DE LICENCIATURA EM TEATRO DA UFRN SOBRE A PROPOSTA DE “PERÍODO LETIVO SUPLEMENTAR EXCEPCIONAL”
30/05/2020

Considerando o teor da Proposta de Período letivo suplementar excepcional apresentada pela Pró-Reitoria de Graduação, na segunda-feira, 25/05/2020, nos posicionamos contrariamente à referida proposição, pelas razões expostas a seguir:

1. Considerando o atual momento em que o Brasil enfrenta uma pandemia mundial, que transpassa os limites de uma crise na saúde, tendo no Estado do Rio Grande do Norte 6.463 casos confirmados (atualização feita pela secretária de Estado da saúde pública do RN, em 29/05/2020) com perspectiva de aumento ainda maior desta incidência, a Universidade mostra-se preocupada com seus índices e semestres. A apresentação de um modelo de projeto dito como suplementar e optativo, que não leva em consideração a atual conjuntura, nem alternativas que possibilitem o acesso de todos os discentes, e que estipula prazos quase imediatos para implementação, sem o devido planejamento e a participação ativa do corpo universitário, se constituiu em uma medida de caráter elitista, que sequer avaliou as condições de vida dos professores (dentre os quais muitos nem estão familiarizados com as plataformas digitais) e principalmente dos alunos, que, na sua maioria, não tem os recursos necessários para o acesso informatizado às aulas, como serviço de internet de qualidade e aparelhos que possam viabilizar seus estudos.

2. Levando em conta a contraproposta apresentada pelo Departamento de Artes, entendemos que tais atitudes são importantes para que esse projeto possa ter alguma eficácia, no entanto, é importante ressaltar que, apesar dos aparatos tecnológicos e algum recurso financeiro que a Universidade possa vir a disponibilizar, o processo educacional envolve inúmeros fatores que no momento não estão sendo favorecidos, e que necessitam ser levados em consideração. Muitos dos estudantes não possuem um ambiente familiar propício à aprendizagem e outra parte ainda tem que se deslocar diariamente para trabalhar, estando em situação de vulnerabilidade social e exposição ao vírus. Acreditamos que inúmeras preocupações invadem os discentes neste período, impossibilitando um estado emocional saudável para aprendizagem. É de uma insensibilidade sem tamanho acreditar que esse projeto possa agregar valores à nossa formação profissional sem visar tais problemas, além de desconsiderar a função da educação na formação de cidadãos. A forma de ensino proposta desconsidera o papel social, integrador e educativo que a UFRN exerce na sociedade.

3. Nós, alunos de teatro, já sofremos muitos ataques nos espaços fora da Universidade, com cortes de políticas e medidas que depreciam nosso trabalho, sendo então o espaço acadêmico lugar para maturação do conhecimento. A proposta feita não possibilita uma complementação da aprendizagem, levando-se em conta todos os argumentos anteriormente citados e compreendendo a matriz do nosso curso como prática e experimental, que necessita de interação para de fato expressar-se como é em seu fundamento. Desta forma, reiteramos nossa posição oposta ao projeto proposto.

Por fim, acreditamos que a UFRN, mantendo seu papel aqui já mencionado, deveria projetar medidas de retomada à normalidade após este período de isolamento, considerando que um projeto como esse não tem o condão de fazer cessar o problema gerado pela disseminação do coronavírus, e esse retorno em algum momento deverá ocorrer. Perdas são imensuráveis quando falamos da pandemia, mas é fundamental ver a educação da forma transformadora que ela é, e à qual não estamos dispostos a renunciar ou aceitar de qualquer maneira. Consideramos que é impossível oferecer para todos os alunos, igualmente e com a mesma qualidade, a forma de ensino proposta pela Prograd, ao tempo em que acreditamos que a realização e estruturação de um planejamento pós-pandemia propiciará maiores benefícios para o corpo discente, sem que as desigualdades sociais se constituam, ainda mais, em um entrave para o acesso ao conhecimento.

Pelo exposto, rejeitamos integralmente a proposta de período letivo suplementar excepcional apresentada pela Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Alunos do Curso de Licenciatura em Teatro da UFRN




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