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Assembleia de trabalhadores da USP: Contra Bolsonaro, o golpismo e as reformas

Dia 18 de outubro, os trabalhadores da USP, reunidos em assembleia geral da categoria, votaram a incorporação aos atos e comitês impulsionados contra Bolsonaro e a orientação de votar em Haddad no segundo turno, sem prestar nenhum apoio político ao PT

domingo 21 de outubro| Edição do dia

Os trabalhadores da USP, que se posicionaram, em 2016 contra o golpe institucional e as reformas que tentavam ser implementadas já no governo do PT, que em 2017 foram parte ativa da luta contra a reforma trabalhista e da previdência, nas duas greves gerais e na marcha à Brasília, e que neste ano se colocaram contra a prisão arbitrária de Lula se reuniram em assembleia para discutir a atual conjuntura, as eleições e as tarefas dos trabalhadores.

Foi remarcado que essas eleições acontecem sob profunda manipulação, onde o judiciário de forma arbitrária prendeu Lula e autoritariamente proibiu que ele pudesse se candidatar, ou mesmo dar entrevista, impedindo a população de votar em quem quisesse (considerando que era o primeiro colocado em todas as pesquisas até meados de agosto com chances claras de vencer no primeiro turno). Esse mesmo judiciário que pelas mãos de Sérgio Moro vazou áudios de Palocci às vésperas do primeiro turno pra interferir na opinião pública contra o PT - áudios esses que já haviam sido descartados pela próprio Ministério Público por falta de provas. Que são eleições marcadas por fake news financiadas por grandes empresários, como o dono da Havan que tentou coagir seus funcionários a votarem em Bolsonaro e é um dos vários grandes empresários que estão sendo acusados de fazer parte de um provável esquema de caixa 2 envolvendo a campanha de Bolsonaro.

Por tudo isso, foi reforçado em várias falas como o fortalecimento da candidatura de Bolsonaro representa a continuidade do golpe institucional que veio para atacar os trabalhadores e para retirar direitos mais rápido do que o PT era capaz de fazer, descontando nas nossas costas a crise financeira causada pelos capitalistas. Bolsonaro, herdeiro direto das ditaduras mais sanguinárias, defensor do torturador e assassino Brilhante Ustra, quer atacar a organização dos trabalhadores, das mulheres, dos negros, LGBTs e da juventude, para impor na força e na marra os ataques que o governo Temer não conseguiu terminar de fazer pela força que a classe trabalhadora demonstrou nas greves gerais, mesmo com a traição das centrais sindicais. Seu discurso anti-operário é repleto do mais abjeto machismo, racismo e LGBTfobia.

Foi discutido também, que para combater essa extrema-direita é preciso mais do que estratégia eleitoral do PT de buscar apenas "virar votos" para as eleições, mas que temos que nos organizar para golpear com a força da nossa classe. Por isso, a assembleia aprovou a construção e participação nos comitês de base, de auto defesa, luta e resistência que estão surgindo na USP e na sociedade e uma exigência a que as centrais sindicais - especialmente a CUT, dirigida pelo PT de Fernando Haddad, e a CTB, dirigida pelo PC do B de Manuela D’Àvila - formem nos locais de trabalho milhares de comitês de base e que convoquem uma paralisação nacional contra Bolsonaro, os golpistas e as reformas.

Ainda que não será nas eleições que os trabalhadores derrotarão Bolsonaro e a força de extrema-direita que ele despertou na sociedade, como parte da luta para barrar os avanços do golpismo, os trabalhadores aprovaram um chamado nesse segundo turno ao voto em Fernando Haddad do PT contra Bolsonaro, mas sem dar nenhum apoio político ao PT, que abriu a porta para o crescimento dessa extrema direita ao se ligar com os golpistas desde o governo Lula, ao iniciar a implementação da ataque sedãs reformas no governo Dilma e assumindo os métodos de corrupção da burguesia para gerir o Estado capitalista a favor dos seus interesses.

Cientes de que o combate definitivo à direita e à todos os ataques se dá com a organização dos trabalhadores unificados com a juventude, as mulheres, os negros, indígenas e LGBTs e todos os oprimidos nas ruas, nas greves, ocupações e em todas as lutas, para que sejam os capitalistas que paguem pela crise, os trabalhadores USP também irão se incorporar ao ato ato #EleNão dia 20/10 às 15h no Masp.

Veja a intervenção na assembleia de Marcello Pablito, diretor do Sintusp e membro da Secretaria de Negras e Negros e de combate ao racismo:

Veja a intervenção na assembleia de Claudionor Brandão, diretor do Sintusp:

Veja a intervenção de Bruno Gilga Rocha, membro do Conselho Diretor de Base do Sintusp:




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