Política

ELEIÇÕES 2018

Assembleia da ADUFCG delibera: contra Bolsonaro, apoio a Haddad com independência política

sexta-feira 19 de outubro| Edição do dia

Na manhã da última quarta-feira, 17 de outubro, a assembleia da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Campina Grande (ADUFCG) sessão sindical do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições do Ensino Superior, ANDES-SN, a qual depois do debate político deliberou, dado o caráter excepcional destas eleições manipuladas, em termos táticos chamar a votar contra Bolsonaro, a favor da candidatura de Haddad, com independência política e autonomia dos governos, dos patrões e do Estado, assim como do programa do candidato, realizando um conjunto de exigências que tem relação centralmente com a derogação das leis aprovadas pelo governo golpista de Michel Temer.

Andes-SN, fez uma convocatória para uma rodada de assembleias de base em todo o país para debater a conjuntura política frente ao avanço da extrema direita e justamente deliberar sobre se o sindicato deveria se posicionar no segundo turno eleitoral garantindo autonomia.

Participei como professor de Ciência Política da Universidade Federal de Campina Grande, mas apresentei o acúmulo que temos sobre o tema os que fazemos parte do jornal Esquerda Diário e o Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT) que o impulsiona.

Destacamos o caráter manipulado destas eleições, fazendo menção pelo menos aos dezesseis elementos que beneficiaram a Jair Bolsonaro como denunciamos neste jornal dias antes do primeiro turno.

Tentamos explicar o avanço da extrema direita no país, destacando que não são apenas uma força política, mas também social e material, posto que o conjunto do aparelho repressivo do estado apoia em bloco sua candidatura e se acham no direito de não respeitar as liberdades democráticas. Sendo que o avanço de Bolsonaro implica uma mudança qualitativa do regime político, mesmo que não caracterizamos como fascismo este fenômeno político, apresentamos os elementos do processo de bonapartização do regime. Sobre este tema recomendamos a leitura desta matéria de Daniel Matos, Bolsonaro: Fascismo ou Bonapartismo publicado em Ideias de Esquerda.

No marco da crise orgânica do capitalismo mundial, uma crise profunda que vai além de uma crise cíclica normal do capitalismo, entendemos que a candidatura de Bolsonaro, mesmo não sendo o filho preferido do golpe, ao não decolar as candidaturas do centro golpista, centralmente com o afundamento e crise do PSDB, associado ao governo Temer que apoia, conseguiu na última semana antes do primeiro turno eleitoral o apoio do conjunto das classes dominantes e de forma orgânica das igrejas evangélicas que constituem cerca de 22 % da população.
Do ponto de vista da caraterização, chamamos a atenção que entre um regime parlamentar democrático burguês normal e o fascismo existem um conjunto de formas intermediárias e transicionais, pré-bonapartismo ou bonapartismo, como afirma o revolucionário russo bolchevique León Trotsky num texto escrito em 1934 intitulado Bonapartismo e Fascismo.

Expusemos o caráter ultraneoliberal que assumem às políticas da extrema direita nas semicolônias, o que diferencia o nacionalismo de Donald Trump no coração do imperialismo, como apresenta Fernanda Montagner nesta matéria e situamos a conjuntura do Brasil no marco geopolítico da guerra comercial entre EUA e China.

Do ponto de vista do posicionamento da assembleia de base para levar a reunião do ANDES-SN, expusemos que sendo uma nova situação política onde o processo de bonapartização está substituindo uma democracia burguesa “normal”, achávamos um erro o abstencionismo, porque apesar de estarmos falando de formas capitalistas de dominação burguesa, diferenciamos os diferentes regimes a partir do marxismo, não pudendo comparar esta conjuntura a da eleição presidencial de 2014 no Brasil entre Dilma e Aécio ou a da Argentina entre Macri e Scioli no ano 2015.

Nesse sentido, nossa intervenção foi para nos posicionar contra Bolsonaro e o avanço da extrema direita e pelo voto crítico em Haddad de forma independente politicamente ao Partido dos Trabalhadores, explicando que poderíamos fazer esse voto em termos táticos sem colocar em risco os princípios estratégicos de autonomia dos governos, dos patrões e do Estado do sindicato, já que este avanço da ultradireita coloca em risco concreto esses princípios.

Explicamos que nós do MRT compartilhamos do ódio da população que quer derrotar Bolsonaro, inclusive nas urnas, por isso chamamos o voto crítico no PT, sem dar qualquer apoio político a esse partido, cuja estratégia eleitoreira se mostrou impotente pra enfrentar a extrema direita, como dissemos neste artigo.

No momento da votação foi aprovado que a Assembleia da ADUFCG, se posiciona contra Bolsonaro e pelo voto em Haddad com independência política, assim como com autonomia de seu programa e dos governos, dos patrões e do Estado.
Posteriormente também se votou participar dos comitês de base contra Bolsonaro na cidade e foi feita uma defesa para que a luta no interior da própria UFCG esteja articulada pelos três setores, docentes, estudantes e servidores técnico-administrativos.

Concluímos com uma avaliação positiva da assembleia, posto que se fez um debate franco sobre a conjuntura política e seus desdobramentos que não ignora a questão eleitoral, mas entendendo que a luta contra a extrema direita se dará nos locais de trabalho, de estudo e nas ruas.




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