Mundo Operário

ASSÉDIO MORAL NA USP

Assédio moral – um combate também na USP

A luta contra o assédio moral e sexual se dá também dentro dos muros da tão sonhada USP. A mobilização contra essa prática é a principal saída para acabar com isso!

Patricia Galvão

Trabalhadora da USP e integrante da Secretaria de Mulheres do SINTUSP

quinta-feira 28 de abril de 2016| Edição do dia

Desde pequenos somos questionados sobre “o que queremos ser quando crescer”. Essa simples questão mostra o lugar que o trabalho ocupa na formação da nossa identidade subjetiva e social. Imagine quando o local de trabalho se torna tão opressor, que você adoece, que você sofre só de pensar em ir pro trabalho.

É difícil definir, em poucas palavras o que é o assédio moral. Numa tentativa, o juiz do trabalho, Jorge Luiz Souto maior afirmou que “pode ser identificada pela simples desconsideração humana do trabalhador”. Somos coisificados, somos mercadoria. Como coisas, não sentimos, mas não podem simplesmente nos descartar. Então somos alvo de brincadeiras, pressões, de olhares de desdém. A prática cotidiana nos faz sentir incapazes e incompetentes.

O assédio sexual não é diferente. As mulheres são consideradas pedaços de carne. Não é um simples elogio à beleza de uma mulher, é considera-la adorno, menosprezando sua inteligência e sua capacidade. E além, o assédio pode tornar-se cada vez mais frequente e violento. Machismo, racismo e homofobia tomam mais essa faceta opressora nas mãos de chefias.

Na USP dois casos, entre dezenas de unidades, chamam nossa atenção: o Bandejão da USP e a Prefeitura do campus Butantã. Não são casos isolados, relatos brotam todos os dias!

Nos bandejões, centenas adoecem fisicamente, fruto das precárias condições de trabalho, da falta de contratações. Psicologicamente, são submetidos à pressão das chefias para acelerar a produção, mesmo doentes, como já denunciamos aqui. Os assediadores se valem de todo tipo de preconceito quando se trata de assediar os trabalhadores. Racismo, machismo são citados pelos funcionários do bandejão, a maioria, mulheres negras!
Em artigo publicado aqui, Souto maior afirma: Ou seja, pensa o administrador que teria não apenas o direito de explorar o trabalhador em condições desumanas, mas também o de maltratá-lo, punindo-o no caso de algum tipo de rompante de dignidade.

O Direito do Trabalho, no entanto, não corrobora a visão do administrador da USP.

Na prefeitura do campus, chefias também abusam do poder para assediar e destruir a auto estima dos trabalhadores. Relatos de assédios e homofobia, são citados e causaram transtornos e depressão em diversos trabalhadores, como relatos dado ao Esquerda Diário.

A resposta foi dada por esses mesmos trabalhadores: Mobilização! Nos bandejões e na Prefeitura.

Só os trabalhadores mobilizados podem dar fim à prática de assédio moral!




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