PARAÍBA

Assassinato de líderes do MST: barbárie da especulação em nome do agronegócio

Não podemos aceitar mais nenhuma morte no campo em nome da especulação e espoliação de nossos recursos. Somente a força da classe trabalhadora organizada poderá derrotar os planos de Bolsonaro e a violência que ele e seus apoiadores querem impor contra os trabalhadores.

segunda-feira 10 de dezembro de 2018| Edição do dia

No último final de semana, dois líderes do MST foram assassinados na Paraíba. O acampamento Dom José Maria Pires, na Paraíba, estava montado há um ano e agrupa 450 famílias nas terras da antiga Fazenda Garapu, pertence ao Grupo Santa Tereza.

A região do assentamento é muito cobiçada pelos grandes chefes do agronegócio, pois é rica em cana-de-açúcar e calcário. Alhandra é uma região de muitos conflitos e violência que vem desde as Ligas Camponesas, um movimento muito importante de luta pela Reforma Agrária que marcou a história do Brasil nos anos 50 e 60.

As famílias que ocupam essas terras querem um local seguro para poder plantar e garantir sua subsistência, mas ao longo dos anos essas famílias se deparam com a violência da ganância dos capitalistas, que para assegurar sua garantia de lucros, ameaçam, pespeguem e matam os sem terra que ocupam a região. O dia do assassinato foi marcado por incêndios criminosos em assentamentos no Sul do país.

No ano em que a pobreza extrema chega a 13% em nosso país e são 54,8 milhões de brasileiros que vivem na miséria, os conflitos no campo se agudizam e demonstram a contradição latente de um país em que os 10% mais ricos da população acumulam quase metade de todas as riquezas produzidas em território nacional.

À serviço dessa minoria atua o governo recém-eleito de Jair Bolsonaro, que mesmo antes de assumir faz declarações de ódio e alimenta a violência contra aqueles que não tem o mínimo, como o direito à terra e à moradia. Bolsonaro que declarou que quer exterminar a cúpula dos movimentos por moradia, já disse que “No que depender de mim, o agricultor, o homem do campo, vai apresentar como cartão de visita para o MST um cartucho (de) 762”.

Entre as pessoas mais pobres do país, o Nordeste encabeça os índices da miséria, 25 milhões de brasileiros ganham menos de R$ 406,00 por mês nas terras nordestinas. Contra eles Bolsonaro vocifera, “Àqueles que me questionam se eu quero que mate esses vagabundos, quero, sim. A propriedade privada numa democracia é sagrada. Invadiu, chumbo neles.

Ano a ano o país vai concentrando mais e mais a propriedade da terra. Um processo que deu um salto nos governos do PT. Em 2003, quando Lula assumia o poder, os latifúndios concentravam 214,8 milhões de hectares. Ao entregar a chave do Palácio do Planalto para Dilma, os latifúndios já ocupavam 318 milhões de hectares. Durante o governo Dilma esse processo continuou, e seguramente com pouco mais de dois anos de Temer deve estar ainda maior graças a várias medidas para regularizar ações de grileiros na Amazônia. O agronegócio funciona através de métodos de trabalho modernos por um lado e o trabalho escravo por outro.

Rodrigo Celestino e José Bernardo da Silva estavam jantando no assentamento quando homens encapuzados metralharam os dois líderes do Movimento de Trabalhadores sem Terra. A propriedade defendida por Bolsonaro é daqueles que beijam seus pés numa aliança para aumentar a isenção de impostos e a sonegação dos grandes latifundiários.

Bolsonaro e a bancada ruralista que cerca seu governo são capachos do imperialismo norte-americano e estão dispostos a acabar com o conflito no campo em base a maior repressão, à violência e à matança de milhares de pessoas que lutam pelo direito de ter onde plantar e viver.

O desemprego e a pobreza aumentam de maneira chocante em nosso país e as propostas do novo governo seguem garantindo que essa situação só irá se aprofundar. As medidas econômicas contra a classe trabalhadora se somam à várias declarações de ódio contra os sem terra, sem teto e indígenas e precisamos responder à altura dessas ameaças.

É preciso que os sindicatos organizem os trabalhadores com um programa que se enfrente com o grande latifúndio, com o agronegócio e os lucros capitalistas. Defendendo imediatamente o fim da Lei Antiterrorista e se posicionando abertamente contra as ameaças ao MST. Dizendo não à entrega de nossos recursos naturais aos imperialistas e se opondo a todos os planos de ataques ao conjunto dos trabalhadores.

Não podemos aceitar mais nenhuma morte no campo em nome da especulação e espoliação de nossos recursos. Somente a força da classe trabalhadora organizada poderá derrotar os planos de Bolsonaro e a violência que ele e seus apoiadores querem impor contra os trabalhadores.




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