Política

CRISE NO PT

Às vésperas do impeachment, PT escancara crise na direção

A última reunião da Executiva Nacional do PT, que ocorreu nesta última terça-feira (23), mostrou mais uma vez e com mais contornos a crise interna e as disputas entre as diferentes alas que ocorre no partido, frente às jogadas da direita pós impeachment contra nós, trabalhadores – alimentadas pela própria política do PT de se aliar a esses setores arqui-reacionários.

quinta-feira 25 de agosto| Edição do dia

Presidida por Rui Falcão, a sessão reprovou a inclusão na resolução do partido da proposta de plebiscito por novas eleições gerais, feita por Dilma Rousseff já diretamente para os outros partidos da ordem, incluindo os diretamente golpistas. Na resolução, o partido mantém a caracterização de que houve um golpe, destoando das recentes declarações de Dilma que deixaram de trazer esta palavra.

A política do plebiscito estava sendo defendida também pela corrente Mensagem, de Carlos Árabe, que vê nessa negativa da maioria da Executiva uma oportunidade para questionar a condução do partido por Falcão, da corrente Novos Rumos.

Agora, vamos observar com mais atenção o que de fato cada uma dessas alas defende

De um lado, a ala representada por Rui Falcão defende que inclusive Dilma volte com o discurso anterior com maior tom de denúncia, dizendo que “é vital derrotar o golpe”, referindo-se ao julgamento do impeachment no Senado que começa neste dia 25. E diz que, para isso, “só a mobilização pode barrar” e que “é fundamental apoiar e participar dos eventos organizados pelas frentes”.

Ora, esta é a ala então que defende que o partido deve se apoiar mais nos próprios trabalhadores que Dilma já vinha atacando, com lei antiterrorista, aumento da terceirização, cortes astronômicos na educação e na saúde, etc. Porém, com todo o cuidado do mundo para que estes setores não criem asas e lutem com seus próprios métodos, como greves, paralisações, manifestações de rua radicalizadas e que se enfrentem com o poder. Pois não foi isso que as grandes direções sindicais dirigidas por eles e seus aliados (CUT e CTB) fez ao tolher a resistência dos trabalhadores em atos “showmícios” de praça que não fazem nem cócegas na direita?

Esta ainda é a aposta desta ala, que quer mostrar força de mobilização e, ao mesmo tempo, de contenção dos trabalhadores, como um elemento político de barganha com a burguesia. Que seja: atiça um pouco, pra mostrar que pode; e segura a radicalização, pra mostrar que é uma alternativa ainda viável para a burguesia, pois não vão gerar problemas profundos aos capitalistas (e faz isso justamente para tentar provar que ainda pode reverter o processo de desgaste profundo do PT com o conjunto da classe trabalhadora).

De outro lado, a ala representada aqui por Carlos Árabe defende o plebiscito e que a proposta fosse incluída na resolução. Proposta esta já feita aos outros partidos da ordem, como tentativa de colocar nas mãos de Dilma a ideia de eleições gerais que a própria direita cogita como melhor saída para a falta de legitimidade do governo golpista de Temer perante a população (de acordo com todas as pesquisas dos órgãos oficiais).

A questão, que para eles não é nenhum problema, é que: 1) a convocação em si do plebiscito (dentro da hipótese de Dilma já estar de volta ao cargo pela votação do Senado) é uma política que legitima o impeachment, como se ele tivesse ocorrido por pressão de setor de massas para que ele ocorresse, o que não é fato; e 2) colocar nas mãos da população a decisão sobre se deve ou não haver novas eleições para substituir Dilma alimenta ainda mais a ilusão de que eleições resolveriam os problemas da corrupção e dos ataques aos direitos – aquela ideia do “basta votar direito e consciente” (que é extremamente conveniente à própria direita reacionária, que já cogita convocar eleições, como já havia dito). Como se votarmos novamente, na mesma política com nomes trocados, fosse resolver problemas que são estruturais do próprio capitalismo e da crise econômica gerada pelos capitalistas.

Além disso, essa via não passa de manobra para que Dilma termine seu mandato. A justificativa que Falcão usa para recusar essa proposta é de que o plebiscito é “inviável”, pois, seguindo os trâmites legais e em caso de ser aprovado em todas as instâncias do legislativo e executivo, culminaria em uma nova eleição em 2018, que já é o ano das próximas eleições presidenciais de acordo com o calendário corrente. Ou seja, o caso não é a “inviabilidade”, e sim que na verdade é uma manobra para tudo voltar aos eixos de antes do golpe institucional da direita, e reavivar nas massas um sentimento de “normalidade parlamentar” e de que a escolha ainda está nas mãos do povo.

De todas as formas e nos seus diferentes apelos, a preocupação de todos os petistas é uma só: encontrar a melhor via de se mostrar para a burguesia como a saída mais viável de gestão do Estado burguês em meio a crise econômica e de contenção dos trabalhadores frente a possíveis enfrentamentos mais agudos de classe. E nenhuma delas representa uma alternativa real para os trabalhadores e o povo pobre e oprimido, na necessidade de derrotar a direita reacionária e seu intento de atacar ainda mais estes setores para salvar os capitalistas de sua crise. Mais uma vez, o PT mostra claramente a que veio.




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