Internacional

CHILE

As ruas chilenas se preparam para novas mobilizações #EstoNoHaTerminado

Começa uma nova semana. No décimo dia das mobilizações que despertaram o Chile, novas concentrações e marchas já viralizaram nas redes sociais. Esses chamados devem ser colocados não em função de “plebiscitos” ou “acusações constitucionais”, que serão papéis mortos. Piñera deve cair com a força da greve geral e da mobilização. Na terça-feira ficaremos até a queda de Piñera e de todo este regime.

Francisco Flores

Estudante de direito da Universidade do Chile

Ricardo Rebolledo

Santiago, Chile

segunda-feira 28 de outubro| Edição do dia

Piñera e o governo, logo depois da maior marcha da história do país, se dedicaram em declarar o retorno à normalidade, quase por decreto. Os grandes meios inclusive retornavam a suas transmissões normais, quando na verdade, em cidades como Concepción, durante o sábado, militares disparavam em civis na Praça de Armas com dezenas de milhares de manifestantes, ou quando ontem (domingo) mais de 100.000 pessoas marcharam de Valparaíso e Viña del Mar até o Congresso, sendo brutalmente reprimidos pelos Carabineros [fuzileiros].

A busca do retorno à normalidade do governo esteve sustentada também pelos partidos políticos tradicionais como os saídos da velha Concertación, que correram ao palácio para oferecer acordos rápidos a um governo que não consegue achar saída clara ao conflito. Buscam salvá-lo para que não caia através de migalhas e então que não percam tudo. Buscam desviar toda a energia das mobilizações para meios institucionais, para a mesma institucionalidade herdada da ditadura que é hoje causa das mobilizações.

Também a Frente Ampla e o Partido Comunista estão salvando o governo, pois não se propõe a derrubá-lo junto a todo o regime antipopular. Ergueram armadilhas durante a greve geral ativa e de luta, assim como também colocam sua energia em uma acusação constitucional que é a priori totalmente infrutífera - ou alguém, por acaso, acredita que a “cozinha” do Senado derrubará Piñera? Sim, eles mesmos afirmam isso. Sejamos honestos, se não foram capazes de tirar a odiosa ministra Cubillos, serão ainda menos capazes de tirar Piñera. Tampouco será com plebiscitos alicerçados na Constituição de Pinochet, não vinculantes. Já opinamos que Piñera deve sair, se trata de nos organizarmos para tirá-lo!

O chamado de retorno à normalidade pode se complicar: já são diversos chamados à concentrações massivas e marchas para esta segunda e terça, em particular um protesto até La Moneda na terça-feira. Essas convocatórias obrigaram novamente a “Mesa Social” a convocar uma paralisação para quarta-feira, ainda que busquem com isso descomprimir a energia das massas para desviá-la.

A ideia de que Piñera saia do governo enraizou-se profundamente em milhões de pessoas, não por nada as convocatórias dos atos agora indicam como ponto de encontro La Moneda. É por isso que devemos redobrar nossa força nas ruas, exigindo aos grandes organismos sindicais que convoquem uma greve geral para fazer cair Piñera, com um plano de luta e continuidade até que ele caia junto com todo este regime, ou seguiremos sofrendo com as heranças da ditadura. Existe força e foi amplamente demonstrada durante a semana. As consignas devem ser: Fora Piñera Já! Greve Geral até derrubá-lo! Assembleia Constituinte Livre e Soberana para liquidar o velho regime!

Abaixo: Fotos de alguns chamados que circulam pelas redes sociais, não compartilhamos de suas consignas em toda linha.




Tópicos relacionados

Retorno da luta de classes   /    Chile   /    Internacional

Comentários

Comentar