ABUSO POLICIAL

As “provas” de um flagrante forjado

Fernando Pardal

@fepardal

segunda-feira 5 de setembro| Edição do dia

A maior parte dos jovens (22, segundo a maior parte das fontes, já que a polícia se recusou a falar com a imprensa e fornecer dados precisos a não ser para a Globo) foi detida no Centro Cultural São Paulo por volta das 15h do domingo.

Um deles sequer ia ao ato: estava fazendo um trabalho de faculdade. Outros iam, como outras dezenas de milhares, protestar contra um golpe. Levavam itens básicos para se defender da truculência policial que durante a semana inteira feriu e prendeu diversas pessoas que nada faziam além de se manifestar, tal como a jovem que perdeu a visão de seu olho esquerdo.

Além daquele perigosíssimo chaveiro do Pateta, veja os outros itens divulgados nas fotos da Secretaria de Segurança Pública (SSP):

Chama a atenção que a barra de ferro que a polícia alegou ter apreendido tenha misteriosamente "sumido" do material apreendido. Talvez quisessem manter seu flagrante forjado um pouco mais verossímil.

Os materiais nas fotos incluem um estilingue; pedras; um extintor de incêndio; celulares; uma câmera GoPro; um maço de cigarros; uma caneta esferográfica; um cabo de televisão; bandanas; um gorro; máscaras de gás; um boné; panfletos contrários ao governo Temer; óculos de proteção; luvas; gazes e outros materiais de primeiros-socorros, como comprimidos de analgésico; vinagre e até mesmo um perigosíssimo chaveiro do Pateta.

Mas o Juiz reconheceu o absurdo das prisões edecretou invalido o suposto "flagrante" de um crime que jamais aconteceu, decidindo que deveriam ser liberados todos os jovens detidos.

Mas, como vimos com os casos que se tornaram famosos como os de Fábio Hideki e Rafael Braga, não foi essa a primeira, nem será a última vez que a polícia recorre a esses métodos típicos de Estado de exceção para intimidar os que vão às ruas. Rafael Braga, preso pelo "flagrante" de um frasco de pinho sol, tinha um grande agravante ao seu crime nessa sociedade capitalista e racista: é pobre e negro. E por esses crimes, continua ainda hoje detido.

Não podemos tolerar isso.




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