Política

ARGENTINA

As propostas da Frente de Esquerda para terminar com a corrupção

A corrupção alveja ao oficialismo de "Cambiemos" (colisão liderada pelo atual presidente Macri) e ao kirchnerismo igualmente. Desde a Frente de esquerda ao mesmo tempo que a denunciamos, propomos as medidas para combatê-la.

Myriam Bregman

Buenos Aires | @myriambregman

quinta-feira 30 de junho de 2016| Edição do dia

Na sessão da semana passada na qual "Cambiemos" conseguiu a aprovação preliminar da Lei do Arrepentido disse claramente que esta iniciativa é outro sinal de impunidade como o é também o ajuste.

Nas últimas três décadas na Argentina há abertas 750 causas por casos de corrupção cometidos por funcionários e ex funcionários, nas quais se investiga o roubo de mais de 10 mil milhões de pesos e nas que há somente um punhado de condenados. O ex funcionário kirchenrista José López é apenas um dos tantos que se podería beneficiar com esta lei e que voltaria à sua casa com total impunidade.

Desde a Frente de Esquerda temos denunciado e criticado tanto aos funcionarios do governo anterior e seus empresário amigos como aos do governo atual. Aos Lázaro Baez, aos Ricardo Jaime, aos José López, aos Julio de Vido porém há também a famosa Pátria Contratista, que desde os 70 se vê enriquecendo as custas de fazer negociatas com a obra pública –um dos exponentes mais famosos é a própria família Macri– e que hoje tem dentro de suas fileiras o amigo presidencial Nicolás Caputo. Caputo, quem además dirige a Edesur, obteve mais de 1.400 milhões de pesos em obras nas gestões de Mauricio Macri como chefe do governo portenho e quando Horacio Rodriguez Larreta assumiu, voltou a ser um dos favoritos.

Porém Caputo e a família Macri, com Franco à cabeça, não apenas fazem negócios entre eles. Iecsa, a empresa de Franco Macri que logo vendeu a seu sobrinho Ángelo Calcaterra, foi uma das empresas que mais licitações obteve durante o governo kirchnerista, dados tornados públicos pelo próprio Julio de Vido. Enquanto que Caputo também foi um dos empresários eleitos para a obra pública durante a gestão de Néstor e Cristina Kirchner.

Nossas propostas

A impunidade da que gozam funcionários, ex-funcionários e privadas está garantida pelo Poder Judicial. Um Poder Judicial designado por anos pelos compromissos dos partidos majoritários compostos por juízes que assumem a mudança de poder, que sempre julgam aos governos que caem em desgraça, porém nunca aos que estão no poder. Um Poder Judicial que enche as prisões de pobres e que sempre liberou os poderosos. Propomos a eleição por sufrágio universal de todos os juízes e os julgamentos por jurados, inclusive para os casos de corrupção.

Se há um ato de corrupção enorme com o que tem enchido de dinheiro os grandes empresários deste país são as privatizações, uma fonte enorme de corrupção. A própria família do presidente Macri se beneficiou com uma dessas privatizações, que terminou em escândalo, como foi o caso do Correio Argentino. Durante uma década os empresários que dirigiram as empresas privatizadas receberam subsídios do governo anterior. Porém, este governo não optou por investigar os subsídios, senão por aplicar um tarifaço ao povo trabalhador. Propomos a abertura de todos os livros contábeis das empresas privatizadas e das ligadas à obra pública.

É necessário que essas empresas sejam investigadas por representantes eleitos pelos trabalhadores e pelas universidades públicas. » O que ganham os trabalhadores é público, o que ganham os empresários sempre é oculto e está protegido pelo segredo bancário ou financeiro. Propomos a eliminação do segredo financeiro e bancário e a criação de um banco nacional único para evitar a fuga de dinheiro. Também a nacionalização do comércio exterior para evitar todos as negociatas que se realizam através de importações e exportações.




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