Educação

8M - PROFESSORES

As professoras irão cruzar os braços em SP: Exigimos das centrais sindicais a organização da luta das mulheres junto à educação

Grazieli Rodrigues

Professora da rede municipal de São Paulo

terça-feira 27 de fevereiro| Edição do dia

A categoria de professores, majoritariamente feminina, tem sofrido duríssimos ataques que acertam em cheio os direitos das mulheres. O governo Alckmin demitiu e deu calote em 20 mil professores, deixando-os sem dinheiro até para alimentação, e João Dória, também do PSDB, vem tentando implementar uma reforma da previdência municipal, frente a isso os professores decretaram greve a partir do dia 8. Organizemos um 8 de março onde o grito de milhares de professoras possa ecoar e ser um dos motivos que nos leva à luta expressando a força das mulheres trabalhadoras que não cansam de dar exemplos.

Na rede estadual de ensino de São Paulo começamos o ano com o absurdo número de mais de 20 mil professores temporários demitidos por Geraldo Alckmin (PSDB), na rede estadual de ensino em dezembro do ano passado, sendo mais de 75% dessa categoria feminina, ou seja, pelo menos mais 15 mil mulheres – professoras, em todo o estado sem trabalho.

Se nos detivermos ao perfil dos professores, ainda falando sobre a rede estadual de SP, veremos que só na educação básica - ensino fundamental I, ou seja, onde atuam uma maioria quase absoluta de pedagogas, 60% dos vínculos são de professores não efetivos, em contraponto ao ensino fundamental II, onde atuam os especialistas, cujos os vínculos não efetivos são de 28%, o que também não é irrelevante, mas se comparado aos anos iniciais, impõe para bem mais da metade desse setor de docentes que são uma maioria de mulheres que tem o trabalho temporário como via de regra para manterem seus empregos, onde o desemprego e a instabilidade que beira a intermitência são ameaças concretas.

Como se não bastasse isso, o governo Alckmin comete atrocidades ainda maiores no que diz respeito a vida das professoras, como atrasar desde os anos de 2014 e 2015 o pagamento das férias, um direito trabalhista previsto pela constituição, como denunciamos aqui, e por consequência deixando milhares de trabalhadoras às vésperas do dia da mulher, muitas delas pilares do sustentos de seus lares, sem emprego e sem garantia de que irão receber aquilo que lhes é de direito. Isso tudo para um governador que pretende alçar a presidência da república e que já mostra que independente de sua localização política os fins não passam por fora de atacar ainda mais os direitos das mulheres e dos trabalhadores e trabalhadoras.

Como Diana Assunção (Dirigente do MRT e do Pão e Rosas) disse rebatendo uma postagem do governador falando que faria do país todo como faz em São Paulo, “Alckmin já anunciou que será candidato à presidência pelo PSDB esse ano. Hoje em seu twitter oficial falou que quer fazer no país todo o que fez em São Paulo. Vai minha lista do que Alckmin e o PSDB fizeram em São Paulo e podem fazer no Brasil inteiro e porque temos que derrotá-lo enquanto é governador e impedir que vença as eleições:

1. Fechar salas de aula, só esse ano foram mais de 1500 salas fechadas no Estado de São Paulo, resultando em superlotação e precarização

2. Demitir de professores, foram mais de 20 mil professores categoria O sem aulas esse ano e com o pagamento dos seus direitos atrasados [...]” e outras.

Também no município de São Paulo, o prefeito João Dória (PSDB), pretende atacar a aposentadoria das professoras e professores e de todo funcionalismo público, implementando um novo regime de contribuição previdência, o Sampaprev, que além de custar alguns milhões aos cofres públicos para ser entregue a gestão da iniciativa privada, pretende aumentar de 14% para 19% o desconto da aposentadoria da folha de pagamento dos servidores ativos e aposentados, o que junto a outros descontos pode chegar a quase 50% do salário. Isso é um grande ataque a todos os servidores municipais e por isso as professores e professores da rede municipal de ensino declararam o início de sua greve para também para o dia 08/03.

É preciso preencher de solidariedade e força essa luta que vai se iniciar em um dia tão simbólico para a luta das mulheres, ainda mais frente ao início da greve em uma categoria majoritariamente feminina como é a de professores e junto a cada bandeira levantada em defesa dos direitos dos trabalhadores, mesmo que em escalada municipal, levantar conscientemente a bandeira em defesa dos direitos das mulheres que são maioria também nessa classe e unir as forças de homens e mulheres ombro a ombro nesse 8M contra todo esse pacote de ataques.

Tanto a greve de professores municipais, como a paralisação estadual de professores chamada pela Apeoesp, ambas para o dia 8 de Março precisam ser verdadeiramente construídas e nesse sentido exigimos que a CUT e a CTB, sendo direções sindicais, cumpram seus papéis na construção desse dia, discutindo os porquês da luta em defesa dos direitos das mulheres e em última instância ao conjunto dos trabalhadores em cada local de trabalho.

Essas centrais também estão nas reuniões de convocação do ato do dia 8 e pouco falam sobre essas lutas, mantendo uma divisão dos professores em greve com as pautas das mulheres. Precisamos unir as forças para derrotar os governos e seus ataques, e essa unidade não se dá só nos atos, mas na construção das greves pela base, fazendo assembleias e levantando um plano de luta comum que inclua a luta pela revogação da reforma trabalhista, que atinge em especial os professores temporários, a luta pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito, a educação sexual nas escolas e pelo fim a violência a mulher.

E mais, que as professoras tenham voz e possam expressar, frente aos diversos ataquem que vêm sofrendo desde suas categorias, a urgência de sua luta nesse 8M e que sejam verdadeiramente de combate e não só de atos festivos, unificando as demandas das mulheres as demandas da classe da qual elas são maioria, a classe trabalhadora.




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