CRIME CAPITALISTA

As privatizações e a política de Bolsonaro prometem novos Brumadinhos e Marianas

A promessa de privatizar 100 empresas, abrir a mineração e o petróleo ainda mais ao capital imperialista e extinguir controles ambientais só pode resultar em centenas de Brumadinhos e Marianas.

sábado 26 de janeiro| Edição do dia

A sanha pelo lucro leva a resultados assassinos e criminosos, como vimos ontem em Brumadinho, e como vimos 3 anos atrás em Mariana. E é justamente para aumentar esse lucros em detrimento das condições de trabalho, do meio ambiente e de qualquer consideração com as vidas humanas, que setores importantes da burguesia nacional e estrangeira aderiram ao governo Bolsonaro. Seu programa de governo se destina a criar em grande escala centenas de Marianas e Brumadinhos através da combinação de privatizações e desregulamentação ambiental.

Cada empresa estatal entregue direta e totalmente aos interesses de aumentar rapidamente os lucros significa menor preocupação com as condições de trabalho e segurança ambiental. Cada poço de petróleo, cada mina entregue à Bovespa e Wall Street, tem seu preço pago em sangue e destruição.

E a isso que se destina Bolsonaro, Paulo Guedes e a plêiade de generais a seu lado. Pontilhar o Brasil de jazidas e com um rastro de sangue e destruição. Privatizar 100 empresas, dizem, extinguir outras, acabar com a fiscalização trabalhista e ambiental: eis o resumo de seu programa de governo junto à Reforma da Previdência, reacionarismos e incentivo à violência na educação, gênero e sexualidade.

A Bovespa e os capitalistas do agronegócio, da mineração, do petróleo, vibram com cada declaração que seria liberado o uso indiscriminado de agrotóxicos, que produtos cancerígenos proibidos em todo mundo poderão ser usados por decreto do Ministério da Agricultura. O programa da Ministra Tereza Cristina, conhecida como “musa do veneno”, é o de sufocar o centro-oeste brasileiro com uso indiscriminado de agrotóxicos para aumentar os lucros.

Vibram os parasitas nas bolsas de valores e seus comentaristas nas TVs com a promessa de privatizar tudo que os olhos alcançar, como quer o ministro da Economia Paulo Guedes, vibram com a entrega das riquezas do pré-sal e da Petrobras prometidas por Bolsonaro e pelos militares (mesmo que seja uma entrega mais parcial que a prometida por Guedes). Vibram também com a promessa de “acabar com a indústria da multa” no meio ambiente brasileiro e não deixa de chamar atenção como quase se extinguiu oficialmente o Ministério do Meio Ambiente. Choram lágrimas de crocodilo na Globo e outras emissoras por Brumadinho e as centenas de vidas humanas ceifadas. Para eles são acidentes, e como dizia um “especialista” na Rede Globo ontem, o que a indústria da mineração precisa no Brasil é de “auto-regulamentação”. Já imaginou quantos Brumadinhos teríamos com a Vale dizendo se suas instalações são seguras e ninguém nem vistoriando?

Sem conseguir extinguir o ministério do Meio Ambiente oficialmente, Bolsonaro se lançou a destruí-lo por dentro, tirando agências de seu controle, cortando gastos e colocando como ministro alguém punido por favorecer a mineração, e que defende um aumento do desmatamento do país.

Sem assumir como programa escrito e oficial, um setor da burguesia que embarca no governo Bolsonaro parece desenhar um projeto de país para o Brasil: na divisão internacional do trabalho o país entre com uma selvageria contra o meio ambiente para tirar tudo que for possível de renda da terra. Se o Leste Asiático se especializou em condições escravagistas de trabalho, oferecem o Brasil para se especializar em ser uma terra arrasada ambiental e fonte de intermináveis e fáceis lucros aos monopólios.

A menina dos olhos da burguesia é a reforma da previdência para que todos brasileiros trabalhem até morrer, mas essas medidas de privatização e desregulamentação também animam a Bovespa para suas altas recordes. Cada lágrima e discurso proferido por Bolsonaro, pelos seus ministros e deputados é uma lágrima hipócrita, as centenas de privatizações e desregulamentação que querem – e se forem bem-sucedidos – está destinada a criar centenas de Marianas e Brumadinhos.

Cada tentativa de privatização de empresas que realizam atividades de risco sempre resultou em acidentes terríveis, ceifando vidas, destruindo o meio ambiente. Enquanto FHC preparava a privatização da Petrobras vimos dezenas de graves acidentes, o mais conhecido resultando em ampla destruição da Baía de Guanabara. O resultado da privatização da Vale é colhido hoje em Mariana, em Brumadinho e em vários outros “pequenos” desastres país afora.

Esse é o cenário da indústria de petróleo, da indústria de mineração em todo o mundo sob a sanha capitalista. Crimes capitalistas que eles chamam de “acidentes”, mas são perfeitamente evitáveis, produto direto do corte em gastos de manutenção e da busca desenfreada de aumentar os lucros em detrimento das vidas do trabalhadores e de todas comunidades ao redor.

Crimes capitalistas como o “acidente químico” que levou milhares de vidas, como da imperialista americana Dow Chemical em Bhopal na Índia, ou da British Petroleum no Golfo do México.

Esse é o mundo e especialmente o Brasil que os capitalistas querem, esse é o programa de governo de Bolsonaro!

Só com o que foi herdado de privatizações tucanas, mantidas e honradas pelo PT, o Brasil caminha para o desastre. São mais de 700 barragens de minério no país, mas há outros tipo de barragens tão tóxicas e nocivas quanto, de carcaças animais, de produtos químicos, entre outras. Mas para setores do capitalismo nacional e estrangeiro isso não é suficiente, é preciso acabar com todas estatais, acabar com a regulamentação legal para aumentar os lucros em detrimento do meio ambiente e das vidas humanas.

Como publicamos, desde sua privatização, a Vale já entregou aos banqueiros e outros acionistas a monstruosa e sanguinária fortuna de mais de R$320 bilhões de reais. Fez isso enquanto destruía cidades, povoações, meio ambiente e atacava de forma selvagem as condições de trabalho, com milhares de demissões e ampla terceirização do trabalho.

Bolsonaro não se cansou de fazer campanha dizendo que as regulamentações ambientais eram “uma indústria da multa”, vemos em pequena escala seu programa em prática.

O crime de Mariana e o crime de Brumadinho levam mãos tucanas e petistas mas o programa de Bolsonaro é para replicá-lo vezes cem. Por isso Mourão orienta todo governo a atuar para que a crise não os atinja. Sabe que o que eles defendem levará a maiores crimes, a maiores assassinatos a mais destruição enquanto as riquezas do país são saqueadas.

Mas há alternativa a este caminho de barbárie que guardam a nós.

É possível e necessário freá-lo. É possível e necessário transformar a raiva deste novo crime em organização nos locais de trabalho para exigir dos sindicatos que rompam sua aceitação dos ataques de Bolsonaro e organizar um plano de luta para confiscar os bens da Vale e colocá-los sob controle dos sindicatos e associações de moradores para atender às suas necessidades emergenciais e reconstruir cidades e locais destruídos, um plano de luta que avance também para impedir novas privatizações e para recolocar tudo que foi privatizado em mãos estatais, começando pela Vale.

Esta re-estatização deveria ser feita sem nenhuma indenização, os acionistas já saquearam fortunas do país, enquanto deixam para nós morte e destruição. Não para enriquecer corruptos e políticos capitalistas para eles ganharem com as riquezas do país, mas para colocar sob a administração de seus trabalhadores e controle popular, única maneira de garantir a segura operação destes perigosos e necessários empreendimentos e ao mesmo tempo que as vastas riquezas de nosso subsolo sirvam não aos lucros mas aos interesses da maioria da população.




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