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PORTO RICO

As origens do anticolonialismo, do marxismo e da vanguarda de Porto Rico

Este artigo aborda as origens do anticolonialismo, em especial a obra e vida de Ramón Amaterio Betances, o surgimento do pensamento marxista e sua relação com as lutas trabalhistas no início do século XX.

terça-feira 6 de agosto| Edição do dia

Este artigo aborda as origens do anticolonialismo, em especial a obra e vida de Ramón Amaterio Betances, o surgimento do pensamento marxista e sua relação com as lutas trabalhistas no início do século XX. Aborda também a literatura de vanguarda (curiosamente, o Caribe é um país com inúmeros movimentos estéticos revolucionários).

Por causa do espaço, não abordamos os anos sessenta e setenta, que são ainda mais intensos, com a formação das grandes centrais sindicais, a origem do movimento armado (Exército Popular Boricua) e as lutas trabalhistas dos anos setenta. Esta é uma síntese da primeira metade do século XX.

Betances, contra Estados Unidos

Ramón Emeterio Betances é um personagem chave para o pensamento político e social das Antilhas. Ele fez parte da Junta Revolucionaria de Porto Rico, que se reunia em Nova York, e também da Junta Central Republicana, junto com Francisco Basora. Foi inspirador, desde o exílio da Grito de Lares, marco fundador do nacionalismo porto-riquenho.

Médico de grande estatura, condecorado pelo governo da França como Cavaleiro da Legião da Honra, em 1887, Betances era estimado por personagem como Victor Hugo e Jose Martí. Foi pioneiro, junto com Hostos e Martí, do pensamento anti-imperialista na América Latina, do abolicionismo radical e do ideal unionista da Federação Antilhana.

Existem aqueles que levantam que ele foi um dos primeiros latinoamericanos a aderir à causa das Filipinas, em participar junto com anarquistas italianos do assassinato de Cánova Castillo, personagem ultraconservador, celebrar o nascimento da Comuna de Paris em 1871 e manter uma fluida comunicação com os anarquistas espanhóis, particularmente com Tárrida del Mármol.

As primeiras organizações socialistas

A presença política dos Estados Unidos no Caribe transformou a região em um cofre da sua propriedade de produção de açúcar. No fim do século XIX, começou o período de grande plantação e, assim, passam à grande produção de engenho. As sociedades da região construíram uma imagem especial de seus arredores. A hegemonia britânica começou a ser substituída pelos EUA, cujo processo durou aproximadamente um século.

Assim, a zona se transforma novamente em um lugar geoestratégico para as potências do sistema capitalista. Como o demonstrou Eric Williams, em Capitalismo e escravidão, os atos da modernidade ocidental se sustentavam na barbárie da escravidão e do colonialismo no Caribe. Betances não viveu este processo, mas advertiu a presença dos EUA e se pronunciou contra a anexação de Porto Rico ao gigante do norte.

Primeiro, a incorporação de Cuba e Porto Rico, no final da Guerra Hispânica Americana, transformou duas das Grandes Antilhas na fronteira sul dos Estados Unidos. A Emenda Platt tornou-se um modelo da incorporação de Cuba ao nascente imperialismo norte-americano.

No dia 22 de outubro de 1899, foi fundado o Partido Socialista dos Trabalhadores, em Porto Rico. Ele endossou o programa do SWP dos EUA, publicou o jornal Porvenir Social e aderiu à I International. Em 1897 Em Porto Rico, em 1897, produtores de tabaco e tipógrafos entraram em greve para lutar por uma melhora das condições de vida.

A crise mundial e a greve geral de 1934

A crise do capitalismo de 1929 causou um efeito de choque na sociedade caribenho. Se na região continental foi o cenário dos governos nacional populistas (Vargas, Cárdenas e Perón), no Caribe foi o das convulsões sociais: a revolta dos CACOS, no Haiti, a Revolução Cubana em 1933, as revoltas na Jamaica em 1937, em Barbados em 1937, a rebelião de Albizu Campos em Porto Rico, a Revolução Haitiana em 1946.

Em Porto Rico foi fundado o Partido Nacionalista, dirigido por Pedro Albizu Campos, como expressão política do anticolonialismo. O movimento operário, em 1934, realizou uma greve geral do setor açucareiro e Albizu, ao disputar a política eleitoral, chegou à conclusão de que “a luta eleitoral é uma farsa periódica”.

Segundo Maldonado Denis, “em 1934, é chamado pelos trabalhadores de cana para que os represente, pela greve geral iniciada pelos mesmos contra os grandes interesses das empresas açucareiras norte-americanas”. Três anos depois, uma revolta nacionalista exigia o cancelamento da Lei Foraker.

Vanguarda literária

Em Porto Rico existiam variados “ismos”. Conhecemos a existência de pelo menos 9. O pancalismo de 1913, o panedismo e o diepalismo de 1921, o meñiquismo de 1931, o integralismo em 1941 e o transcendentalismo de 1948. Seguiram-se os euforistas, os atalayistas e o neoísmo. Este fragmentado processo poético deixou diversos manifestos, embora não possamos dizer que existiram movimentos poéticos coesos e organizados como os sorprendistas dominicanos.

Embora publicassem documentos nos jornais tradicionais, eles não publicavam em revistas próprias, semelhante a poesía sorprendida, da República Dominicana. O poeta Luis Llorens Torres foi a figura do pancalismo e do panedismo, que surge de um jogo de palavras: pan dios e kalos belleza. Este “ismo”, igual o vedrinismo, não se passa de uma iniciativa individual.

O euforismo foi seguido pelo movimento neoísta. Fanáticos do “não”, o movimento foi dirigido por Samuel Quiñones, poeta que assinou o documento fundacional. Este texto, muito parecido na lógica negativa e violenta dos dadaístas, sugere que o movimento é um gesto. Este gesto, na negativa, é um pontapé, um golpe, um cavalo fugindo: “é um punhado de energia criadora, um forte braço de um semeador, um grito em fita adesiva de reivindicações espirituais”.

A jornada das vanguardas literárias de Porto Rico culminou no movimento integralista formulado por Luis Hernández Aquino. A Declaração de princípios do movimento integralista de Aquino é um texto que critica a luta anticolonialista. Na verdade, ele sugere defender a hispanidade, argumenta que não havia colonialismo na arte de Porto Rico e que os “interesses culturais comuns do integralismo são os mesmos da hispanidade”.




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