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CONTAGEM REGRESSIVA 8 DE MARÇO - 21 DIAS RESTANTES

As mulheres se levantam nos Estados Unidos... Vamos com elas!

No dia 21 de janeiro assistimos como a Marcha das Mulheres contra Trump inundava as ruas das principais cidades dos Estados Unidos. Somente em Washington, onde foi feito o chamado central, eram mais de 500 mil manifestantes. As mulheres negras cumprem um papel fundamental nesse rechaço.

terça-feira 14 de fevereiro| Edição do dia

No dia 21 de janeiro assistimos como a Marcha das Mulheres contra Trump inundava as ruas das principais cidades dos Estados Unidos. Somente em Washington, onde foi feito o chamado central, eram mais de 500 mil manifestantes. Em Chicago, a marcha teve que ser suspensa pois o número de manifestantes que compareceram era muitíssimo maior ao que era esperado – esperava-se 20 mil e compareceram mais de 200 mil pessoas – e assim por diante assistimos como milhares e milhares de mulheres saíram as ruas 1 dia após o racista, misógino e xenófobo Trump ter assumido a presidência.

Apesar da sua misoginia, após apurados os votos populares foi constatado que 53% das mulheres brancas que votaram escolheram o bilionário machista, contra apenas 4% das mulheres negras que votarem terem feito a mesma escolha. Isso não quer dizer pura e simplesmente que as mulheres brancas dos Estados Unidos são umas xenófobas reacionárias e machistas, fala muito mais da derrota do projeto do feminismo neoliberal materializado na figura de Hillary Clinton, que com a falácia do empoderamento e diversidade levava a ideia do progresso como fruto da meritocracia pessoal de pequenos grupos seletos de mulheres talentosas, pregando o mérito em lugar da igualdade.


Mulheres por Trump

Por outro lado, o voto de confiança de grandes setores de mulheres negras - 94% das mulheres negras que saíram para votar escolheram Hillary Clinton – expressa ainda a forte influência da figura de Obama, que é muito popular, e pode capitalizar uma grande parte deste setor para sua candidata democrata, além de também mostrar o grande temor destes setores da agenda reacionária de Donald Trump, que ataca principalmente os direitos da população mais pobre e vulnerável: mulheres negras, latinas, imigrantes.

Logo após Trump ser eleito, uma série de atos de intolerância racista foram denunciados no país, a Ka Kux Klan fez uma manifestação em apoio ao novo presidente, uma clara demonstração de quais são os setores que apoiam este governo e quais são os que terão seus direitos minguados. Além disso, Trump nomeou Steve Bannon – figura conhecida nos Estados Unidos por ser um agitador de extrema direta, racista e antissemita – como seu estrategista chefe e assessor, noticia que foi recebida com muito entusiasmo por setores da direita estadunidense.

Um dos primeiros decretos do presidente eleito foi cortar o financiamento a entidades que realizavam aborto. A medida proíbe ajuda dos Estados Unidos a órgãos não governamentais prestadores de serviço de saúde no exterior que tenham o aborto como opção de planejamento familiar, o que ataca diretamente às mulheres pobres, negras e latinas, que são os setores que possuem mais dificuldade para aceder ao procedimento por fora do sistema público.

“Não é meu presidente”


Mulheres brancas votaram em Trump

As mulheres negras estadunidenses já deram um primeiro sinal deixando bem claro que não escolheram Trump como seu presidente, mas isso não basta, é preciso ir além. Precisamos recuperar as ruas mostrando que as vidas negras importam (#BlackLivesMatter), o movimento contra a violência policial que incendiou as ruas precisa ser maior que a reação racista, precisa ganhar os sindicatos, as entidades estudantis e se unir ao movimento de mulheres em uma grande frente para enfrentar os ataques de Trump, ao mesmo tempo marcando uma posição independente dos partidos da ordem, como o partido democrata que tenta aparecer como parte do movimento mas que no fundo pretende ser uma oposição mediadora e confiável ao governo e tentará desviar qualquer movimento independente para dentro dos salões e corredores oficiais.

Uma coisa é mais do que certa: com Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, precisamos nos organizar para estarmos preparados para os enfrentamentos que estão por vir. Nós aqui no Brasil não estamos à margem do que está acontecendo hoje nos Estados Unidos. Temos um governo golpista que vem tentando avançar sobre nossos direitos como trabalhadoras e como mulheres. Temos que nos ligar a este movimento internacional, respondendo ao chamado feito por lutadoras dos direitos da mulher, entre elas uma das principais referências de luta das mulheres negras, Angela Davis.

Inspiradas no “Nem uma a menos” da Argentina, vamos construir um 8 de março internacionalista e em apoio às mulheres negras, jovens, latinas e trabalhadoras que estão enfrentando as medidas reacionárias de Trump nos Estados Unidos, às Argentinas que vem lutando contra a violência machista, às mulheres polonesas que saíram às ruas contra a tentativa de retrocesso sobre o direito de decidir sobre seus corpos e todas as mulheres que se levantam no mundo.




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