Gênero e sexualidade

UFRN

As mulheres da UFRN precisam se organizar contra a violência machista!

Hoje circulou pelas redes sociais uma denúncia anônima de uma mulher que foi ameaçada com uma faca e levada a um terreno por um homem no Circular Reitoria. A mulher reagiu e teve seu celular e dinheiro roubados. Este não é um caso isolado e faz parte da violência institucional que a UFRN executa. Precisamos nos organizar para lutar contra o machismo dentro e fora da UFRN.

quarta-feira 10 de abril| Edição do dia

Em primeiro lugar, nos solidarizamos com a mulher que sofreu essa agressão, provavelmente em um lugar que tinha acabado de circular muito, ou que faz parte da sua rotina e sendo vítima desta situação, é inclusive obrigada a fazê-lo anonimamente, em um caso que não é isolado.

O machismo na universidade se expressa das mais variadas formas, no ano passado uma estudante foi expulsa da sala de aula somente porque estava com a filha presente, que desenhava em silêncio. Aos gritos, um professor a expulsou da sala de aula, afirmando que a universidade não era para aqueles que não tem condições financeiras para estar lá. Os alunos se mobilizaram e realizaram uma paralisação em defesa do direito das mães estarem na universidade. A Reitoria não se pronunciou até hoje, e o auxílio-creche aumentou para R$ 200,00, um valor irrisório no mundo real.

Na mesma época, estudantes assediadas no DEART foram acusadas de histeria ao denunciarem os abusos por parte de um professor. A UFRN não apenas se calou, como também as estigmatizou, com um argumento machista.

As mulheres residentes sofrem com a precariedade de sua moradia, que já além de insuficiente e estruturalmente ruim, ainda são obrigadas a se concentrarem em um bloco no Campus de Lagoa Nova, enquanto existem três blocos masculinos.

Como se não bastasse, a universidade superexplora mulheres negras com o trabalho terceirizado, da qual a universidade depende por completo para funcionar, mas não se responsabiliza em absolutamente nenhum nível, enriquecendo empresas milionárias que obrigam alta rotatividade e precariedade.

Por estas razões, defendemos a necessidade de nos organizarmos imediatamente para lutarmos contra a violência machista dentro e fora da universidade, fortalecida pelas defesas de Bolsonaro, cujas mãos estão manchadas de sangue de mulheres, negras e negros e LGBT.

O mês de março mostrou atividades por toda a UFRN de mulheres com disposição de enfrentamento e luta. No ano passado, tomamos as ruas contra Bolsonaro. Acreditamos que é necessário um espaço de discussão e organização contra a violência machista na UFRN. Em diálogo com outras estudantes, queremos convocar todes a uma reunião na próxima terça-feira (16), as 16:00, no Coliseu do Setor 2.

Como já exigimos e denunciamos em outros textos, vemos como um empecilho na organização dos estudantes a forma que a gestão do DCE da UFRN não promove espaços de autoorganização desde as bases, a única forma de sermos sujeitos e construirmos uma luta capaz de derrotar Bolsonaro, junto aos trabalhadores. Esta atuação se deve à composição da gestão, com correntes do PT, PCdoB e Levante Popular da Juventude, não à toa, direções da UNE, que seguem a mesma linha das Centrais Sindicais em manter a paralisia no movimento estudantil, criando ilusões parlamentares e desmoralização à espera de 2022. Por isso exigimos que construam e divulguem este espaço.

A universidade deveria pertencer à ampla maioria da população, a classe trabalhadora, e não estar restrita a quem consegue furar o filtro social do ENEM. Suas ruas deveriam estar cheias de crianças, jovens, adultos, idosos, usufruindo de um espaço de livre saber e definitivamente não explorando trabalho terceirizado.




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