Educação

RIO GRANDE DO SUL

As lutas na América Latina precisam contagiar os professores do RS para derrotar Leite

Chile, Equador, Bolívia, Haiti, Colombia, Honduras... o espírito de luta da América Latina deve contagiar os professores gaúchos a fim de derrotarmos os ataques neoliberais de Eduardo Leite.

quinta-feira 21 de novembro| Edição do dia

O ataque de Eduardo Leite aos professores do Rio Grande do Sul é sem precedentes. O pacote visa destruir o plano de carreira dos professores, ataca o direito à organização sindical e avança na destruição completa dos serviços públicos do estado. Os professores iniciaram uma forte greve nessa semana, com mais de 1000 escolas em greve, mostrando que há disposição de luta para barrar o pacote. Mas e agora? Como potencializar a greve de forma a de fato derrotar os planos neoliberais de Eduardo Leite?

A juventude e os trabalhadores chilenos vêm mostrando o caminho, bem como as enormes mobilizações contra o golpe na Bolívia, os ataques do FMI no Equador, e agora atos multitudinários na Colômbia, no Haiti, em Honduras e na Costa Rica. No Chile a mobilização se iniciou com atos de rua massivos contra o aumento da passagem. Em pouco tempo, milhões de jovens, estudantes e trabalhadores chilenos passaram a questionar o próprio regime político do país herdado da ditadura pinochetista e baseado em grande medida nos preceitos neoliberais que Eduardo Leite, Bolsonaro e Paulo Guedes tanto defendem para o Brasil.

A mobilização chilena vem se mostrando um exemplo para todos aqueles que se enfrentam contra os ataques aos trabalhadores. Em todo o mundo querem descarregar a crise capitalista nas costas dos debaixo, e nem o Brasil e nem o Rio Grande do Sul o caso é diferente. Os grandes bancos, grandes empresários e a casta política vai fazer de tudo para que os trabalhadores, a juventude e os mais pobres paguem pela crise que eles mesmos criaram, e o pacote de Eduardo Leite insere-se nesse contexto. O único caminho a seguir é massificar a greve, transformando-a em uma grande batalha de classe. Nos inspiremos nas rebeliões ocorrendo em vários lugares na América Latina para travar nossa luta no Rio Grande do Sul e no Brasil como um todo.

E entender essa greve como uma grande batalha de classe prevê pensarmos as tarefas do movimento, como avançar a mobilização e qual programa podemos vencer o governo.

A primeira tarefa dos professores é a de massificar a greve. Uma greve de vanguarda, sem ativismo da base dos professores, não vai permitir angariarmos força suficiente para barrar o pacote. Nesta primeira semana, diversas ações foram organizadas nas escolas pelos professores e comunidade escolar, inclusive com os alunos entrando em cena. É necessário se apoiar nessas ações para ampliá-las e coordená-las entre escolas próximas, chamando a direção do CPERS a convocar um grande ato unificado em Porto Alegre, com ônibus de todo o estado, ao final da tarde para que possa somar toda a comunidade escolar, estudantes universitários e os apoiadores da greve. Nesse sentido é preciso paralizar o maior número possível de escolas e seguir impulsionando ações nas escolas e nos núcleos a fim de ampliar ativismo nas bases. Com professores saindo às ruas, dialogando com as comunidades escolares, os pais e mães dos alunos, os próprios estudantes, e demais usuários dos serviços públicos, podemos avançar em ganhar apoio popular para a greve. Ou seja, uma segunda tarefa da greve é conquistar o apoio de toda a população e de outras categorias de trabalhadores do serviço público e privado, isolando Eduardo Leite contra a maioria do estado. Os chilenos emparedaram o governo de Piñera ao ganhar enorme apoio da população por sua causa.

Sobre essa questão, o professor Diego Nunes, do Movimento Nossa Classe, expressa alguns pontos para fazer a greve avançar: “o caminho da vitória não se dará pela via de pressionar deputados por WhatsApp, como propõe a direção do CPERS, encabeçada pelo PT e pelo PCdoB, e sim pela luta na rua, pelo caminho de ganhar apoio da população. Boa parte dos deputados atende ao interesse do andar de cima, e não da população mais carente, ou dos trabalhadores. Por isso temos que fazer que nem os chilenos. Precisamos nos auto-organizar nos locais de trabalho, como alguns exemplos no Chile, a fim de organizar a nossa luta. A direção central do CPERS, até agora, aposta nisso que podemos chamar de “greve de pressão” a fim de negociar um ou outro ponto do pacote. Mas nossos direitos são inegociáveis! Ao mesmo tempo eles, junto de vários setores da oposição, criam um comando onde apenas as correntes podem participar, deixando os professores da base e independentes de fora das decisões do rumo da greve. É preciso um comando com representantes eleitos nas escolas! Precisamos massificar a greve, ganhar apoio da população e fazer com que os capitalistas paguem pela crise, e não nós trabalhadores!”

Ao mesmo tempo, é precisamos extrair lições da greve de 2017 para não repetir os mesmos erros. Desde lá, o Movimento Nossa Classe e o Esquerda Diário vinham expressando a necessidade de se formular um programa para que os ricos paguem pela crise. Hoje são bilhões sonegados pelos grandes empresários do estado, bem como outros bilhões garantidos aos grandes capitalistas em isenções fiscais. O governador, em seu pacote, faz demagogia com esses números e fatos, dizendo que não é possível avançar nos privilégios dos mega empresários bilionários. Por que os professores, que hoje recebem salários parcelados e de miséria, devem ser os afetados e não os donos da Gerdau, da Randon, Marcopolo, do Zaffari, RBS que lucram horrores todos os dias sobre o suor dos trabalhadores…?

Os chilenos mostram o caminho não apenas pelo exemplo de luta, mas pela acertada desconfiança com relação aos governos. Enquanto o presidente do país tenta desviar a luta com migalhas e propostas que visam desmobilizar a população, os milhares nas ruas gritam que não aceitam negociar com o governo que vem com as mãos sujas de sangue. A luta de classes alça voo no continente e é com esse espírito que devemos contagiar os professores gaúchos, bem como os estudantes e as comunidades escolares. É preciso sair às ruas e ganhar a população gaúcha para emparedar Eduardo Leite e impedir a aprovação desse draconiano pacote. A greve está apenas começando e é preciso pensar uma estratégia para vencer.




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