As estatais na mira de Temer

Além de grandes ataques aos nosso direitos, como a PEC 55, a reforma do ensino médio e as reformas nos direitos trabalhistas e na previdência, o golpista Temer já anunciou uma lista de privatizações, que aprofunda os planos de privatização do PT, acenando ao capital estrangeiro as suas possibilidades de aprofundar os ajustes e manter os lucros da burguesia. Os Bancos do Brasil e Caixa, Correios e Petrobrás estão na mira dos golpistas.

Flávia Telles

Coordenadora do CACH - Unicamp

quinta-feira 24 de novembro| Edição do dia

O Banco do Brasil anunciou nesta semana o fechamento de mais de 400 agências pelo Brasil, sendo 222 apenas no estado de São Paulo, junto com o fechamento propõe o PEAI - Programa Extraordinário de Aposentadoria Incentivada, cortando assim 8% do corpo de funcionários, sem sequer comunicar aos trabalhadores. Com isso, o Banco do Brasil atinge as agências mais centrais e as populações mais pobres que necessitam dos bancos físicos, com o objetivo de diminuir seus gastos para manter suas taxas de lucros, mesmo que para isso tenha que demitir e restringir o acesso à população.

Esse processo de precarização do Banco do Brasil, que se aprofunda no governo Temer já vem de tempos e ganhou bastante força nos anos de governo do PT, sobretudo na gestão de Bendine, de 2009 à 2014, em que o BB atuou com mais cara de banco privado, comprando outros bancos no Brasil e no exterior, e acelerando a terceirização das atividades-fim, como foi feito através do serviço de banco postal assumido pelos Correios, que é mais uma face da terceirização. O mesmo banco sob o banqueiro que viria a assumir a Petrobras para acelerar sua privatização ainda sob o governo Dilma, também contou com arrocho salarial aos bancários e altos índices de assédio nos locais de trabalho. O governo do PT então, assim como o próprio Lula disse, foi um ótimo gestor para os interesses da burguesia, garantindo lucros aos banqueiros como esses nunca haviam visto, e assim abriu espaço para que depois de consolidado o golpe institucional, os ataques se aprofundassem ainda mais, como estamos vendo agora com o fechamento de diversas agências e de postos de trabalho.

A Caixa Econômica Federal, também anunciou um plano de incentivo à aposentadoria, para assim fechar 11 mil postos de trabalho e segue os mesmos argumentos do BB, dizendo que as agências físicas não serão mais tão necessárias, abrindo caminho para mais precarização do serviço para a população pobre. Hoje a Caixa chega há praticamente todo território nacional, mas por meio da terceirização e da precarização do trabalho nas lotéricas, que se expandiram também no governo do PT. No início do ano a Caixa propôs um plano de “reestruturação”, para seguir o que fez em 2015, fechando postos de trabalho e sobrecarregando os funcionários que ficaram.

Além dos bancos que seguem o rumo da precarização dos serviços e do trabalho com objetivos privatistas, e tem seus lucros destinados ao pagamento da dívida pública, o que na prática significa transferir dinheiro para os bancos privados, os Correios e a Petrobrás também estão na mira dos golpistas. Na ECT - Empresa de Correios e Telégrafos, o serviço de banco postal era oferecido desde 2002 numa parceria com o Banco do Brasil às custas das más condições de trabalho e de baixos salários, com diversos casos de sobrecarga e assédio moral, e sem fazer concurso para aumentar o quadro de funcionários. Em pleno governo petista, os Correios foram autorizados a agir sob a lógica privada e passou a criar empresas subsidiárias, como a CorreiosPar, e adquirir participação societárias. E agora, com o presidente golpista da empresa, Guilherme Campos, que culpa os trabalhadores pela situação de crise dos Correios, a intenção é conseguir aprofundar ainda mais a lógica privatista, abrindo suas portas para a iniciativa privada, e cancelando os poucos investimentos em cultura e esporte para a população.

A privatização da Petrobrás também está na lista de Temer, que quer entregar a estatal para as empresas estrangeiras que estão sendo isentas das investigações da Lava Jato. A terceirização dos postos de trabalho foi uma herança da gestão de FHC para o PT que só ampliou essa face do trabalho precário, chegando a mais de 80% do quadro de funcionários da empresa, e promoveu um plano de privatização com “desenvestimentos” bilionários, e agora os golpistas já mostram com o Programa de Demissão Voluntária que está sendo aplicado, as suas intenções de precarizar o trabalho e entregar a empresa nas mãos da burguesia internacional, colocando toda a população em risco, pois precarizar a indústria de petróleo significa não somente piores e mais insalubres condições de trabalho para os petroleiros mas também maiores riscos de acidentes com graves consequências ambientais e sociais.

Todos esses exemplos nos mostram que a privatização das estatais que continuaram sob os governos do PT, que não só abriu espaço para uma lógica privatista, mas também para toda a direita que articulou o golpe institucional, e que agora vem no sentido de concretizar o que o governo petista deixou em aberto, a terceirização, a precarização do trabalho e a entrega das estatais de bandeja, assim como de todos nossos direitos.

Para organizar uma grande luta contra os golpistas é preciso portanto exigir das burocracias sindicais que durante todos esses anos estiveram aliadas aos governos petistas e representaram um freio à classe trabalhadora. É preciso que as centrais sindicais rompam sua paralisia e convoquem os trabalhadores, a partir de seus métodos históricos, para uma verdadeira greve geral que possa barrar os ataques e lutar para que estas empresas sejam 100% estatais sob controle dos trabalhadores e da população.




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