Sociedade

XENOFOBIA EM COPACABANA

As emocionantes respostas do sírio vitima de xenofobia em Copacabana

Após ser vítima de ataque, Mohamed dá exemplo de compaixão: "Realmente, agora eu sinto estou vivendo em família, uma grande família. Quando perdemos o rumo, de repente você acha milhões de pessoas te dando a mão. Isso é uma coisa que enche meu coraçao de amor por todos."

sexta-feira 4 de agosto| Edição do dia

Um refugiado sírio, Mohamed Ali, 33, foi alvo de um ataque xenófobo em Copacabana, na última sexta-feira, 28, causando repercussão nas redes sociais. O refugiado, que trabalha vendendo esfihas e afins na esquina da rua Santa Clara com a avenida Nossa Senhora de Copacabana, foi abordado por um homem, armado com dois um pedaço de pau em cada mão, que aproximou-se gritando “Saia do meu país!”
Enquanto outros derrubavam no chão os salgados de Mohamed, o homem continuou “Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bomba miseráveis que mataram crianças, adolescentes. São miseráveis.” Outras pessoas que passavam pelo local solidarizaram-se com o imigrante e filmaram o ataque xenófobo, que, segundo alguns jornais, teria sido motivado pela concorrência em relação ao ponto de venda.

No Facebook, o rapaz respondeu com imensa solidariedade as inúmeras mensagens positivas que tem recebido:

"Pra todos os meus amigos , pra todo povo brasileiro e estrangeiro que está me apoiando , mandando mensagem e ligando ...Não posso responder todos agora , mas vou responder todos. Realmente , agora eu sinto estou vivendo em família, uma grande família. Quando perdemos o rumo, de repente você acha milhões de pessoas te dando a mão. Isso é uma coisa que enche meu coraçao de amor por todos. Isso é uma coisa que me dá esperança nesse mundo que ainda tem pessoas , especialmente , brasileiros, muito boas .Quando a chuva cai , vc nao deve ficar totalmente temeroso, porque a chuva faz com que as flores cresçam. Eu espero paz pra viver.Eu sei wue os brasileiros são muito amáveis mas nunca poderia imaginar o quanto ! Não estou com medo pois sei que estou numa grande família.Muito em breve sou fazer um vídeo pra todos saberem que estou bem. Paz pra todos e um grande abraço!"

Também no Facebook, Mohamed mostrou não entender o que aconteceu no momento e diz que persistirá trabalhando arduamente, apesar do gravidade da xenofobia a que sofreu:

"Eu , Mohamed sou este rapaz que foi humilhado. Estou aqui vai fazer três anos. Vim pro Brasil porque eles abriram as portas pra todos os refugiados.Todos os meus amigos estão trabalhando .Estamos trabalhando arduamente. Estou muito sentido porque nunca pensei que isso pudesse acontecer comigo. Não me coloquei nessa situação porque essa guerra me fez vir pra cá. Vim com amor , porque os amigos sempre diziam que o Brasil aceita muito outras culturas e religiões e as pessoas são amáveis e todos os refugiados procuram paz. Não sou terrorista, se eu fosse , eu não estaria aqui , estaria lá lutando como eles fazem.Obrigado a todos que ficaram do meu lado e tenho muitas esperanças no Brasil ! Moro no Brasil e aqui já é minha pátria . Espero que não aconteça isso com mais ninguém, de nenhuma nacionalidade, credo".

Mohamed é mais uma vítima da barbárie capitalista, que não apenas assassina afogados e encarcera em campos de concentração os que conseguem sobreviver às condições degradantes, desumanas da travessia do Mar Mediterrâneo, mas também divide os trabalhadores, põe irmãos de classe uns contra os outros e desvia para a figura demonizada do imigrante que “rouba empregos” o ódio que deveria dirigir-se aos capitalistas e à sua sociedade de exploração, opressão e miséria, e transformada em organização coletiva contra o desemprego, a carestia e os ataques aos nossos direitos e conquistas.

Leia aqui: Vídeo registra ataque xenófobo contra trabalhador sírio em Copacabana




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