ELEIÇÕES 2018

Contra a tutela do Judiciário nas eleições, pelo direito da população votar em quem decidir

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

Marcello Pablito

Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo do Sintusp

quarta-feira 15 de agosto| Edição do dia

A arbitrariedade do Judiciário golpista não tem limites. Diversos agentes do golpismo confessaram nos últimos dias as "façanhas" para manter esta eleição tutelada pela Lava Jato, que quer escolher a dedo o próximo presidente que seguirá os ajustes de Temer: o desembargador Gebran Neto, do TRF-4, admitiu a amigos que ignorou a lei a fim de manter Lula preso, no episódio em que a ordem judicial do desembargador Rogério Favretto foi descumprida. Logo depois, em entrevista concedida ao jornal Folha de SP, o diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, disse que Sérgio Moro, a presidente da Procuradoria-Geral a República (Raque Dodge) e o presidente do TRF-4 (Thompson Flores), desrespeitaram a lei para que Lula seguisse na cadeia de maneira arbitrária.

Rosa Weber, ministra do STF que deu o voto decisivo para que o habeas corpus de Lula fosse negado - preparando o caminho para sua prisão - tomou posse como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com uma mensagem a Lula: "Podemos impugnar um candidato inelegível por meio de ofício". Traduziu assim a ideia de que "exercerá o cargo com firmeza".

Raquel Dodge, presente na posse de Rosa Weber, foi menos indireta na ameaça: "Recursos protelatórios também não podem ter efeito suspensivo com o propósito de influenciar no resultado das eleições, sobre tudo quando temos um calendário eleitoral tão curto. A lei das inelegibilidades deve ser assegurada para que só os elegíveis concorram. E os inelegíveis não financiem suas pretensões com recursos públicos". Uma golpista de mão cheia.

Como se não bastasse, o TSE - agora sob o comando de Rosa Weber - indicou a possibilidade de cassar o tempo de TV do PT, de maneira absolutamente antidemocrática, caso Lula siga sendo o candidato à presidência. Mais uma pressão da tríade judiciário-mídia-mercados para que o PT acelere a substituição de Lula por Haddad, no mesmo dia em que o PT inscreve Lula como seu candidato.

Esta ação coordenada é um verdadeiro escândalo. Cada centímetro do processo eleitoral está sob tutela do Judiciário e da Lava Jato, com o objetivo de aprofundar o golpe institucional: querem escolher a dedo o próximo presidente com o objetivo de aprofundar os ataques dos empresários e seus políticos, ligados à direita, ao agronegócio, às Forças Armadas e a Igreja, tudo isso apoiado por interesses estrangeiros das empresas e estados que dominam o mundo.

Repudiamos esta arbitrariedade deslavada da direita golpista, e seus auxiliares da mídia, e especialmente do Poder Judiciário, um punhado de juízes eleitos por ninguém, vitalícios, cheios de privilégios e que ganham mais de 100 mil reais por mês em uma verdadeira farra de “auxílio-moradia”, vários dos quais com mil e um laços com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, como Sérgio Moro ou Deltan Dallagnol.

Não apoiamos o voto no PT, que abriu caminho ao golpe institucional ao governar com a direita, assumir os métodos de corrupção e também atacar os trabalhadores, especialmente em momentos de crise como a Dilma em 2015. Mas somos contra a prisão arbitrária de Lula e intransigentes em defender o direito do povo decidir em quem votar.

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Está na ordem do dia questionar os próprios magistrados e procuradores, exigindo que todo julgamento seja feito por júri popular e que todo juiz seja eleito e revogável, abolindo seus privilégios materiais e recebendo o mesmo salário de um trabalhador comum.

Trata-se de uma batalha de vital importância contra a degradação autoritária dessa democracia dos capitalistas (e para os capitalistas), para construir uma alternativa política dos trabalhadores que supere o PT pela esquerda, a serviço da qual colocaremos as forças das candidaturas anticapitalistas do MRT em vários estados do país.




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