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As chaves do discurso de guerra de Trump na ONU

O presidente dos EUA declarou como inimigos dos Estados Unidos os países Coréia do Norte, Irã, Venezuela e Cuba e também disse a sua defesa do interesse nacional não é sinônimo de isolamento.

Claudia Cinatti

Buenos Aires | @ClaudiaCinatti

sexta-feira 22 de setembro| Edição do dia

Com um tom belicoso e ameaçante, Donald Trump fez seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, um cenário que as vezes faz de vitrine para a diplomacia internacional. Em 41 minutos, o presidente dos Estados Unidos declarou quem são os inimigos dos EUA, à mesma maneira feita por George W. Bush com seu famoso “eixo do mal”. Além disso, expôs as linhas básicas da política exterior de sua administração guiada pelo princípio de “America First”, com um olho em sua base eleitoral e outro na audiência de líderes mundiais, com mensagens tanto para os aliados como para os adversários e os estados “canalhas”.

Trump fez algumas definições gerais que se bem não chegam à estatura de “grande estratégia”, à maneira da “contenção” e do “equilíbrio de potências” que regeram durante a Guerra Fria, foram uma intenção de superar a aparente contradição entre o nacionalismo que prega na Casa Branca e a necessidade imperial de manter uma certa ordem internacional de que beneficie em primeiro lugar os Estados Unidos. Em síntese, a defesa do interesse nacional (e dos aliados ameaçados) não é sinônimo de isolamento.

Barack Obama, Hillary Clinton e antes deles, os neoconservadores e George W. Bush, disfarçaram suas guerras sob uma roupagem de “intervenções humanitárias” com a doutrina de “estender os valores ocidentais”, exportar a “democracia” e se propor a “construir nações”. Isso levou aos desastres no Iraque, Afeganistão e também à intervenção catastrófica na Líbia.

Trump postulou a “soberania nacional”, o “estado nação” e o “patriotismo” como os fundamentos das alianças e da “cooperação internacional” e dessa maneira, tentou demonstrar que seu slogan de America First não só é compatível com o militarismo e a intervenção seletiva, mas também que significa, depois de um início errático, o retorno ao princípio “realista” tradicional da política exterior norte-americana.

Esse princípio de “soberania mais interesses nacionais” rege para os Estados Unidos (America First) e em abstrato também para o resto, com quem pretende compartilhar mais equitativamente as cargas de sustentar a ordem liberal dos que se beneficiam (Alemanha e os membros da OTAN em primeiro lugar). Exceto para aqueles assinalados como inimigos dos Estados Unidos (e da humanidade): Coréia do Norte, Irã, Venezuela, Cuba (e o “socialismo”) nessa ordem.

Trump mostrou sua prepotência característica. Ameaçou de morte a Coréia do Norte. E se referiu ao líder norte-coreano Kim Jong-um com o apelido de “Rocket man”, como se fosse um vilão de histórias em quadrinhos. Segundo alguns analistas, se “o fogo e a fúria” podia ser lido como uma política de mudança de regime, a “destruição total” deve ser interpretada como a possibilidade de alguma ação militar. A isso se opõem nada menos que o departamento de defesa e de estado. Por hora, Trump parece seguir dependendo de um endurecimento das sanções impostas pela ONU, e de que a China encontre boa vontade para pressionar a Kim, um aliado problemático do gigante asiático, mas ainda assim um aliado.

Em relação ao Irã, Trump, com a ajuda de Netanyahu e o regime saudita, tentará no mínimo reformular e no máximo repudiar o acordo nuclear firmado por Obama com auspicio das Nações Unidas.

Seja com um incremento do militarismo, tanto interno como externo, ou com a pressão de sanções econômicas e a ameaça de guerras comerciais, a política agressiva do imperialismo norte-americano nas mãos de Trump augura tempos tumultuosos.




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