Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

As centrais sindicais devem parar de dar trégua ao governo, plano de luta já contra a Reforma da Previdência

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

quinta-feira 23 de novembro| Edição do dia

Força Sindical e UGT em reunião de apoio à Temer - Foto: Beto Barata/PR

O ano de 2017 foi marcado por uma das maiores greves gerais das últimas décadas. A classe trabalhadora brasileira se levantou, mostrando só um pouco de sua força, impondo que as grandes Centrais Sindicais se movimentassem pra deixar um recado bem claro ao governo golpista: não vai ter reforma da previdência. Depois, estas mesmas centrais que foram obrigadas a fazer algo, traíram a nova greve geral de 30 de junho, momento decisivo pra derrotar a reforma trabalhista, vendida como um "mal menor" pelo governo. A greve foi traída, a reforma aprovada e as condições para o governo implementar mais ataques se favoreceram.

Após o dia 11 de novembro, quando a reforma trabalhista entrou em vigor e patrões e políticos golpistas comemoravam, o governo passou a discursar mais abertamente pela necessidade de fazer passar a reforma da previdência sim ou sim, modificando alguns pontos pra conquistar mais apoio. Para contaram com a "colaboração" das grandes centrais sindicais que organizaram um inofensivo dia de luta em 10 de novembro, ou melhor, não organizaram nada. Sem assembleias ou reuniões na base que organize de fato um plano de luta, com decisão pra derrotar as reformas, o dia 10 mostrou muito bem a trégua e corpo mole das centrais sindicais e deu um sinal claro ao governo: é possível aprovar a Reforma da Previdência sem muita resistência.

Mas isso não será simples para as grandes centrais como CUT e CTB que no começo do ano colocavam a luta contra a reforma da previdência como algo de "vida ou morte" - ainda que na prática nunca atuaram assim. Se continuam com esse discurso "vermelho" dizendo que se passar a reforma da previdência o Brasil vai parar, e continuarem sem organizar absolutamente nada o resultado será o melhor de todos para Temer: uma bela reforma da previdência como presente de Natal aos golpistas, empresários e capitalistas de nosso país.

As novas regras, endurecem a situação para os servidores públicos e continua sendo, na essência, uma aposentadoria pra fazer a gente trabalhar até morrer. Com uma condição de vida muito mais precário imposta pelas novas leis da reforma trabalhista e terceirização, estamos diante de um ataque escravista ao conjunto da classe operária, com enorme consequências para os trabalhadores pobres do campo.

Todas as reformas, inclusive a brutal reforma trabalhista, passaram em função da conivência da CUT e das centrais em não organizar a resistência. Se dependesse da ’disposição’ da CUT, o governo trataria de passar tudo esse ano. Ainda assim Temer sabe que as bases dos trabalhadores podem voltar a protagonizar enormes combates, ao contrário do que querem suas direções sindicais burocráticas.

Por tudo isso é preciso nos organizar em cada local de trabalho e estudo, pra exigir dos sindicatos um plano de luta concreto, imediato, pra já! Não podemos esperar que a Reforma da Previdência vá a votação, já está mais do que claro, Temer está fazendo todo tipo de lobby e negociata para aprovar esta reforma, jantares para emplacar de vez este ataque histórico. Os sindicatos de esquerda, a CSP-Conlutas, as Intersindicais, mas também o PSOL e seus parlamentares, movimentos sociais como o MTST: é preciso falar com todas as palavras que Força Sindical, CUT e CTB estão de corpo mole, não estão organizando nada e assim estão facilitando o caminho pra reforma da previdência. Precisamos conformar um pólo anti-burocrático que se dirija a base das grandes centrais sindicais chamando os trabalhadores a exigir de suas direções a resistência pra não permitir que a reforma vá pra votação.

São eles ou nós, está dada a largada pra retomar o caminho da greve geral, preparando em cada local de trabalha e estudo. Para isso, precisamos escancarar o papel das centrais sindicais e pressionar desde a base pra que abandonem a trégua. Plano de luta já contra a reforma da previdência, não vamos trabalhar até morrer!




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