Gênero e sexualidade

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

As centrais sindicais CUT e CTB silenciam na luta pelo direito ao aborto no Brasil

As principais centrais sindicais, em especial a CUT e CTB, ligadas ao PT e PC do B, respectivamente, passam absolutamente por fora deste tema e não estão mobilizando nenhuma ação como assembleias, reuniões e plenárias de mulheres nas categorias que estão para colocar o debate do aborto em pauta, nem mesmo há chamado para os diversos atos que terão no dia 08 de agosto no Brasil.

terça-feira 31 de julho| Edição do dia

O tema do aborto vem ganhando destaque durante esta semana por conta da votação que poderá legalizar o aborto no próximo dia 08 de agosto na Argentina e da audiência da descriminalização que ocorrerá no STF na semana que vem. A direita e a igreja pela via da CNBB se pronunciam e fazem declarações contrárias ao direito ao aborto, uma realidade que mata 4 mulheres por dia no país.

As principais centrais sindicais, em especial a CUT e CTB, ligadas ao PT e PC do B, respectivamente, passam absolutamente por fora deste tema e não estão mobilizando nenhuma ação como assembleias, reuniões e plenárias de mulheres nas categorias que estão para colocar o debate do aborto em pauta, nem mesmo há chamado para os diversos atos que terão no dia 08 de agosto no Brasil.

Ao contrário, mantendo a sua trégua com este governo e em nome das suas alianças eleitorais, o que estão levando a frente, junto com outras centrais sindicais como Força Sindical, UGT, NCST e Intersindical é um chamado para um dia de mobilizações, o “Dia do Basta” no próximo dia 10, cuja principal pauta é “reformar” alguns pontos da reforma trabalhista. Ou seja, admitem que exista algo da reforma trabalhista que possa permanecer em vigor e abandonam a luta pela revogação deste enorme ataque aos trabalhadores, o qual permite que mulheres grávidas trabalhem em locais insalubres.

Enquanto as centrais sindicais se calam frente a luta pelo direito ao aborto, o PT encobre seu discurso pela via da participação da Marcha Mundial de Mulheres (MMM) nos atos que ocorrerão no dia 08 de agosto pela legalização do aborto. No entanto, esta construção é totalmente superestrutural, uma vez que não há nenhum debate nas bases das categorias de trabalhadores e estudantes em que estão presentes.

As mulheres argentinas estão mostrando que na mobilização pela legalização do aborto, organizando milhares de pessoas, paralisando locais de trabalho e estudo, se libera um enorme potencial para não apenas arrancar este direito democrático, mas também combater os avanços da direita e os ataques aos trabalhadores. No Brasil também pode ser assim, mas para isso é necessário que as principais direções do movimento de trabalhadores como CUT e CTB rompam o silêncio em relação a esse tema e a trégua com este governo e organizem a luta nos locais de trabalho e estudo por esta demanda democrática.




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