As aulas estão suspensas, mas Doria e Covas não garantem a alimentação dos alunos

"Com as crianças e adolescentes realizando menos refeições por dia e seus pais sendo demitidos, como as trabalhadoras terceirizadas da merenda e transporte que Doria demitiu no Estado, quem paga a conta dessa crise de saúde é a população pobre e os trabalhadores. Não vamos aceitar. Distribuição de alimentos para as famílias já! Testes para todos já!"

terça-feira 24 de março| Edição do dia

O avanço da pandemia do covid-19 cresce a cada dia e o governador João Doria decretou quarentena no Estado de São Paulo a partir do dia 23/03. Uma quarentena seletiva, porque sabemos que a grande maioria da população pobre e que tem os trabalhos mais precários seguem se expondo a esse vírus para tentar garantir seu sustento. Mas ela também é insuficiente pois sabemos seria necessária a aplicação massiva de testes para a população para termos uma quarentena racional, conhecendo exatamente aqueles que devem ficar em isolamento, e junto com isso a urgente ampliação do número de leitos de UTIs devidamente equipados. Mas a prioridade dos governos é manter os lucros dos capitalistas e as contas públicas “em dia” para pagar a dívida pública. Quem paga realmente é a população pobre, os trabalhadores e seus filhos, como nossos alunos nas escolas. Sobre as escolas, entre todas as medidas atrasadas e insuficientes decretadas pelo governador há um ponto escandaloso deixado de fora que é como esses alunos irão se alimentar enquanto durar toda essa crise. Nada de concreto foi apresentado nesse sentido.

Enquanto isso, começam a surgir iniciativas de financiamentos coletivos para comprar e distribuir cestas básicas às famílias que já passam necessidades.
Os governos estadual e municipal de São Paulo anteciparam o recesso e nessa segunda-feira, 23/03, governo do estado informou que as aulas serão retomadas a partir do dia 21/04 à distância e em regime de teletrabalho, demagogicamente dizendo que firmou parcerias com empresas de telecomunicação para fornecer internet às famílias. Sobre a alimentação dos alunos, nada. O mesmo Doria que queria oferecer ração humana como merenda quando foi prefeito da capital, não se preocupa em como os alunos vão se alimentar enquanto estiverem em suas casas. Para ilustrar mais ainda o descaso, a partir dessa semana as trabalhadoras terceirizadas responsáveis pela merenda e transporte das escolas do Estado estão oficialmente desempregadas, em cumprimento a resolução da Secretaria Estadual 27 de 18/03, aumentando o número de desempregados e em situação precária no país.

Como se não bastasse a MP 927 do Bolsonaro, torna ainda mais precária a vida dos trabalhadores no país. Dória e Bolsonaro preparam pela frente um agravamento de toda essa situação que representará um estado de calamidade para as famílias.
Sabemos que para além dos testes massivos que devem ser feitos em toda a população, as pessoas devem se manter saudáveis para não desenvolverem os sintomas do Coronavírus, e para tanto uma boa alimentação é imprescindível. Com as escolas fechadas todo o estoque atual de alimentos não perecíveis está parado e os perecíveis logo estarão estragados. Alimentos que fariam a diferença na qualidade da alimentação de centenas de alunos, e que também fariam diferença do ponto de vistas das economias dessas famílias já que muitas dependem de trabalhos precários ou autônomos que com a intensificação da crise terão seus salários diminuídos ou ficarão desempregados. A quarentena não tem um prazo definitivo para acabar e enquanto isso não podem ser os alunos das escolas públicas a pagar este preço.

Um plano concreto de distribuição desses alimentos deve ser posto em prática, não apenas jogado ao ar como faz o governo do Estado, ou ainda mais escandaloso o governo Covas, no município, que nem se pronuncia sobre o assunto. Num primeiro momento, o governo deveria garantir a distribuição dos itens de merenda que estão parados nas escolas às famílias. Os serviços de entrega do governo deveriam ser utilizados para a entrega dos gêneros alimentícios nas casas dos alunos. Evitando assim possibilidade de aglomeração. Num segundo momento, outras medidas deveriam ser tomadas para evitar que os alunos passem fome ou fiquem desnutridos enquanto durar a quarentena como a distribuição de cestas básicas ou até mesmo a distribuição diária de marmitex na casa dos alunos. A prefeitura e o estado têm condições de fazer essas entregas, porque já o fizeram quando entregavam o leite. O que inclusive garantiria empregos para aqueles que fossem entregar.

O governo deve garantir imediatamente a distribuição de alimentos para as famílias! Não é possível que discurso de quarentena geral e boa alimentação para prevenção só seja garantido para uma pequena parcela da sociedade enquanto milhares de famílias estejam frente a situação de passar fome. Com as crianças e adolescentes realizando menos refeições por dia e seus pais sendo demitidos, como as trabalhadoras terceirizadas da merenda e transporte que Doria demitiu no Estado, quem paga a conta dessa crise de saúde é a população pobre e os trabalhadores. Não vamos aceitar. Distribuição de alimentos para as famílias já! Testes para todos já!




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